Imagens: Garça-branca-grande (Ardea alba), Bem-te-vi (Pitangus sulphuratus)/Cláudio Gontijo

sábado, 21 de junho de 2014

O Socozinho

Na margem de uma lagoa, represa ou rio observa-se uma ave imóvel durante um longo período de tempo. De repente ela avança para a água e captura a sua presa. O Socozinho (Butorides striata) alimenta-se de insetos, moluscos, larvas, peixes, anfíbios e répteis. 



O Socozinho à espera do seu alimento. Imagem: Cláudio J Gontijo/Sete Lagoas-MG





O pequeno Socó habita sempre as proximidades de regiões onde haja água em maior quantidade. Não é muito fácil aproximar-se dele. Quando a ave percebe alguma aproximação permanece estática como se fosse um toco, até que emite uma espécie de assovio e voa. 

Esta espécie constrói seu ninho próximo a um curso d'água, em árvores de médio porte e arbustos nos brejos. Dois ou três ovos de cor esverdeada são depositados, em média. A fêmea cuida do local de nidificação de forma solitária, até que os ovos eclodem em aproximadamente quatro semanas (26 dias). Em mais trinta dias os filhotes deixam o local. 

Estas aves distribuem-se por quase todo o Brasil e em outras regiões de clima quente: África, Ásia e Austrália.











sexta-feira, 13 de junho de 2014

Histórias do sertão 2: Catarina Labouré

Numa parte periférica da cidade mora um casal de idosos. Já viveram muito, mais de sete décadas. Foram tempos cheios de privações, muita labuta. As mãos ficaram grosseiras e a pele curtida pelo sol. Ela teve filhos, trabalhou muito tempo numa carvoaria, e só conseguiu fazer com que um deles sobrevivesse. Não sei muito dele. Ambos perderam seus companheiros do primeiro casamento. Viúvos, conheceram-se e resolveram se unir já sexagenários. Ela vestiu-se de noiva, foi maquiada e levada até a porta da igreja por um carro. Ele vestiu terno, gravata e aparou bem o cabelo. Entraram na igreja decorada, ganharam caixas de cerveja e refrigerantes para a festa, uniram-se em novo matrimônio.

Algum tempo já se passou. Com o dinheiro curto do que recebe, ela conseguiu construir a casa onde moram. Alpendre, banheiro azulejado, quartos pequenos e dignos, uma pequena televisão de plasma, um interfone usado na entrada. Ele vendeu a casa muito simples onde morava, dividiu uma parte do pouco que arrecadou com os filhos da primeira união. É quase certo que utilizou o que sobrou para ajudar na mobília do novo lar. 








Eles estão sós nesta pequena casa. Os filhos, poucos, tomaram seu rumo. O casal é feliz. Vivem da aposentadoria do sindicato rural e agradecem pelo que conseguiram. Vivem também da sua devoção profunda aos santos e da fé fortificada.

Há alguns meses atrás Dona Maria foi atropelada enquanto voltava de uma reza. Segundo ela, pelas suas orações, não fraturou um único osso. Apenas o braço continua preso numa tipoia. As dores a incomodam. As articulações que movimentam a clavícula direita demoram para se recompor e ela tem lamentado muito. Reclama por não poder ir, como quer, à igreja. Reclama por não poder varrer, como gosta, a casa. O senhor José a ouve com atenção e respeito, seus olhos revelam compreensão. Ele mesmo tem carregado com dificuldade uma hérnia mal curada. Os exames do posto de saúde já venceram, a cirurgia do SUS não veio e, agora, novos preparatórios precisarão ser feitos.

Um dia destes Dona Maria foi até o seu quarto e me chamou. Mostrou-me a Bíblia bem arranjada e suas várias imagens. Retirou da gaveta um pequeno livro. Era a história de Catarina Labouré; a Santa francesa. Me deu de presente para que eu lesse. Ela não podia fazê-lo, por não ter aprendido. O seu companheiro possui pouca leitura, mas é ele quem lê as inúmeras orações que eles recebem pelo correio, fruto das pequenas contribuições que fazem a algumas instituições.





À Dona Chiquinha.

sábado, 7 de junho de 2014

Educar para preservar

Evoluindo a partir de meados do século passado, a escola nova descentralizou a transmissão de conteúdos e propôs uma nova metodologia, baseada em temas contextualizados e na participação efetiva do aluno no processo de ensino-aprendizagem. O professor deixou de ser, exclusivamente, o detentor do conhecimento, para assumir a figura de mediador e promotor do debate, que se forma em função dos questionamentos lançados. Esta é a realidade estampada nas salas de aula, no momento em que surge a necessidade, inadiável, do aprimoramento da Educação Ambiental.



A sobrevivência dos rios passa pela educação ambiental. Imagem: Cláudio J Gontijo/Lassance-MG



O meio ambiente em degradação, o esgotamento dos recursos naturais, as modificações climáticas, criam a preocupação generalizada com os rumos dos ecossistemas, ao mesmo tempo em que depositam a esperança de transformações benéficas, ancoradas na formação de uma nova geração, mais consciente, crítica e com possibilidades transformadoras.

A Educação Ambiental parece ser uma tarefa ampla e complexa. É responsabilidade de toda a comunidade, não só dos professores. Neste contexto a escola não é uma ilha dentro do processo de ensino-aprendizagem. Os bons exemplos de preservação da fauna e flora, a reciclagem de materiais e a recomposição de áreas degradadas devem vir de todos e, necessariamente, trabalhados com os alunos. As atividades de campo, práticas, a interatividade, as relações interpessoais, são fundamentais para a boa assimilação dos jovens.

Mas, infelizmente, não basta somente uma ação focalizada no ensino escolar. É provável que construiremos pouco, se não experimentarmos uma mudança de postura que alcance os meios de produção e a sociedade como um todo. 

O aprendiz maior das escolas não encontra apenas o conteúdo da grade curricular. Atualmente vive mergulhado em um ambiente que lhe proporciona múltiplas informações. Portanto é importante e fundamental que avancemos todos; pais, administradores, professores, terapeutas, operários, na busca pela criação desta nova perspectiva.

As ações se tornarão ainda mais promissoras a partir da obrigatoriedade da disciplina Educação Ambiental no conteúdo programático das escolas e de descontos tributários para as empresas que, comprovadamente, manterem projetos educacionais de meio ambiente.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Pássaros-pretos II




Pássaros-pretos (Gnorimopsar chopi)  em grupo. Eles vão pousando aos poucos e se juntam para comer pequenos grãos de arroz.














Imagens: Cláudio  J Gontijo/Lassance-MG


terça-feira, 20 de maio de 2014

Suriri-cavaleiro

Nos campos limpos podemos observar o Bem-te-vi do gado ou Bem-te-vi carrapateiro; o Suiriri-cavaleiro (Machetornis rixosa), como é mais conhecido. Eles costumam caminhar bem próximos ao gado para capturar os minúsculos insetos que voam. 

O Suiriri-cavaleiro passeia no solo, bem próximo ao bezerro. Imagem: Cláudio J Gontijo/Lassance-MG


Esta espécie possui hábitos semelhantes aos do João-de-barro. Andam pelo solo a maior parte do tempo e, eventualmente, podem até mesmo ocupar as casas de barro destes Passeriformes para utilizá-las como ninho. De um modo geral, o local para a procriação é construído pelo casal com pequenos gravetos e fibras vegetais. Eles também podem nidificar em buracos nos troncos ocos. Os ovos (geralmente dois) eclodem em duas semanas e os filhotes abandonam o ninho em mais duas ou três semanas.



A coloração característica do Suiriri-cavaleiro. Imagem: Cláudio J Gontijo/Lassance-MG



Não há diferenças entre machos e fêmeas (dimorfismo sexual). A parte ventral possui coloração amarela, as asas e a cabeça são pardas. A destruição das matas e habitats desta espécie não ameaçou a sua sobrevivência em função da boa capacidade de adaptação às áreas cultivadas e cidades. 


O pássaro às margens da Lagoa Paulino, no centro de Sete Lagoas-MG. Imagem: Cláudio J Gontijo



Habitam com mais frequência as regiões Nordeste, Sudeste e Sul do Brasil. Costumam ser valentes na defesa do seu território. A coruja buraqueira é um dos seus maiores predadores.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Sabiá-laranjeira

No cerrado semi-árido do norte de Minas, a primavera é marcada pelo canto contínuo e quase melancólico, melodioso, do Sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris), que é ouvido no período da manhã e ao entardecer. De setembro a janeiro estes pássaros irão construir seu ninho com fibras de vegetais e gravetos, em formato de uma tigela. O local para a reprodução é escolhido, geralmente, próximo aos cursos d'água, em regiões onde a espécie consegue alimento com maior facilidade. Larvas diversas, insetos e frutos formam o seu conjunto alimentar.


O Sabia-laranjeira (e as suas cores características) quando passeia pelo chão à procura de insetos e minhocas. Imagem: Cláudio J Gontijo/Lassance-MG




O macho é ligeiramente menor que a fêmea. Ele é quem canta em maior quantidade, atraindo a sua parceira para o acasalamento. O ninho receberá três ou quatro ovos. Em 15 dias ocorrerá a eclosão; os filhotes poderão voar em mais duas semanas. 



O macho e a fêmea costumam buscar alimento para os filhotes. Imagem: Cláudio J Gontijo/Lassance-MG




As margens das matas, os campos, os pomares, são o habitat preferido destes Sabiás. À margem do Rio das Velhas, eles alimentam-se de um grande número de acerolas; cultivadas próximas às mexericas ponkan, que também serão alimento. No Brasil a espécie ocorre do Nordeste ao Sul, com menos frequência nas regiões Norte e Centro-Oeste.


                                                O canto do Sabiá-laranjeira.




quinta-feira, 24 de abril de 2014

Flores e frutos












Enquanto se anteciparam aos frutos, as flores nos distraíam com as cores.
Elas sabiam que assim poderíamos esperar pelo alimento,
sem deixar que a alma estremecesse de fome.






















Texto: Cláudio J Gontijo Imagens: Flores do Ipê-rosa (Tabebuia heptaphylla)/Cláudio J Gontijo/Lassance-MG

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Minúsculas Horas


Fico até pensando que temos que ter pressa,
as horas nos parecem múltiplas,
e concluímos que teremos tempo.
Mas quando se vê já não é mais a hora do recreio.
E o encontro adiado já não pode mais acontecer.
Não porque o outro partiu, mas porque já não é o mesmo.
Meus amigos de infância.
Ainda sobraram alguns.
Sei de como eles sorriem e conheço o seu olhar.
Ainda que me sejam até estranhos, ainda há o que foi vivido.
Insisto.
Tomara que alguns poucos se lembrem.
Antes que se passem 50 anos, 
 e eu já não seja mais o mesmo.


























Imagem e texto: Cláudio J Gontijo