Imagens: Garça-branca-grande (Ardea alba), Bem-te-vi (Pitangus sulphuratus)/Cláudio Gontijo

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

A barata- americana, Periplaneta americana

 





Estas espécies de baratas são insetos onívoros, ou seja, possuem uma alimentação que inclui resíduos vegetais e animais. Invadem com frequência o ambiente doméstico atraídas  principalmente por doces, alimentos gordurosos e de origem animal. Elas podem viver uma semana sem se hidratar e são capazes de permanecer mais de três semanas sem se alimentar.  




Grande capacidade de adaptação e sobrevivência 


Estes insetos estão no planeta em uma linha evolutiva que atravessa mais de 300 milhões de anos. O que comprova a sua enorme capacidade de adaptação, de resistir a mudanças climáticas, intempéries, e de se recomporem quando sofrem lesões. 

Eles podem permanecer sem a cabeça por um período de 7 a 25 dias. 

A sua respiração é realizada por trocas gasosas ao longo do corpo. O oxigênio entra por pequenos estruturas/orifícios nas laterais do corpo chamados espiráculos, localizados principalmente em regiões do tórax e abdôme.

O sistema nervoso não se concentra na cabeça, ele está espalhado ao longo do corpo em gânglios de neurônios. Estas estruturas, portanto, são capazes de comandar os movimentos do inseto, mesmo sem a região cefálica. Com uma circulação ativa de fluídos no corpo, a sua cabeça pode ser reconstituída em períodos curtos. 

O que determina a sua morte quando decapitadas é, durante o período citado, a desidratação e a falta de alimentação.

Elas são capazes de detectar situações ameaçadoras através de mudanças na corrente do ar, em função de  minúsculos pêlos nas costas e patas que funcionam como sensores. 


Partes importantes do corpo da barata americana. Os orifícios para respiração estão localizados principalmente no protórax, metatórax, abdômen 
Os pêlos são mais visíveis nas patas. Juntamente com as antenas formam estruturas sensoriais.



Reprodução e habitat


Estas espécies vivem no ambiente externo, em meio à vegetação, mas, atraídas pelos resíduos alimentares, podem passar a viver nos esgotos, fossas sépticas, em locais com acúmulo de lixo.  Até mesmo em cemitérios.


O ciclo reprodutivo destas baratas possui um período de 6 a 12 meses. Ocorre o acasalamento, os ovos são depositados em sacos que permanecem no abdômen. Estes grupos de ovos são colocados pelo inseto em locais propícios, com boa umidade e alimentos residuais. Eles eclodem, transformam-se em ninfas que, após várias mudanças, em um período de mais 6 meses atingem a fase adulta com capacidade reprodutiva. Cada barata pode viver por cerca de 9 a 12 meses e durante este período é capaz de produzir mais de 150 ovos. 


Ciclo reprodutivo simplificado



Riscos, doenças


As baratas vivem em ambientes com matéria orgânica em decomposição e podem, assim, repassar fungos, bactérias, vírus, protozoários, vermes, aos alimentos que ingerimos. 


- Salmonelose: Causada pela bactéria Salmonella, gera diarreia intensa, cólicas e febre.

- Infecções por bactérias E. coli e Shigella. Provocam quadros severos de diarreia, vômitos e disenteria.

- Gastroenterite: Inflamação do trato digestivo que leva à desidratação rápida.

- Febre Tifoide: Infecção bacteriana sistêmica grave. 

- Doenças respiratórias em função dos resíduos do seu corpo que são espalhados no ar e inalados.

- Verminoses que chegam ao organismo humano por ovos destes parasitas que são disseminados nos alimentos através das patas das baratas. Exemplos importantes destes vermes são lombrigas (ascaridíase), tênias (teníase).

- Viroses como hepatite A, poliomielite.

- Dermatites, infecções na pele.



Higiene máxima e prevenção 


De forma simples, a higienização dos ambientes, o saneamento básico, a limpeza corporal,  são as medidas elementares para afastar estes insetos vetores. 

O acondicionamento eficaz e constante do lixo é de fundamental importância. 

O extermínio destes insetos através de produtos químicos bem orientados, como iscas apropriadas, gels, que podem ser aplicados em vários pontos da casa, devem ser feitos com regularidade, determinada por dedetizadores especializados.

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

O cigarro e os hidrocarbonetos aromáticos, seus malefícios ao organismo

    • O cigarro comum, de papel,  tóxicas, originárias de um processo intenso de industrialização do tabaco. Existem mais de 4000 compostos tóxicos na sua fumaça. O benzopireno é um exemplo. Consiste em um hidrocarboneto aromático altamente cancerígeno que é incorporado ao papel para que a sua queima ocorra de maneira mais rápida. O cigarro queima de maneira espontânea quando aceso.
    • Para reduzir custos, muitos comerciantes optam por adquirir produtos importados de baixa qualidade, com potencial de danos ainda maiores ao organismo.
    • Atualmente já bastante industrializado,  o cigarro de palha foi mais restrito ao ambiente rural. Hoje vai se espalhando pelas cidades, pelos grandes centros. Existe  uma imagem que o caracteriza como um hábito prazeroso, típico do homem do campo. Na verdade, ele sempre foi um agente nocivo que pode ter afetado a saúde destes trabalhadores.

    • O  benzeno 
    • Entre os vários tipos de hidrocarbonetos aromáticos está também o benzeno. A substância benzina, como é popularmente conhecida, é utilizada como solvente, limpadora de substâncias oleosas, utilizada também em vários processos industriais. Ela está presente em tintas, vernizes, colas. Esses hidrocarbonetos produzem gases que, se inalados com frequência, podem afetar as células hepáticas, pulmonares. Podem degradar a musculatura cardíaca causando danos irreversíveis. Podem causar diversos tipos de câncer e distúrbios neurológicos importantes. 



    • Alcatrão
    • O alcatrão é uma substância que possui o benzeno como sua molécula base. Torna-se liquefeito pelo calor e possui cheiro forte. É obtido através da queima de hidrocarbonetos como a hulha (carvão betuminoso, carvão de pedra).

    • Cigarros comuns, cigarros de palha e o alcatrão
    • A queima do cigarro comum e do cigarro de palha produz várias substâncias tóxicas, entre elas o alcatrão. Neste último ele pode ser notado como uma substância negra e viscosa. 
    • A concentração do alcatrão em cigarros de palha é maior do que nos cigarros de papel. Especialistas indicam que um único cigarro de palha equivale a três cigarros de papel comuns.
    • O alcatrão transforma-se em um resíduo que se deposita nas vias respiratórias, destrói os cílios pulmonares e aumenta muito o risco de câncer e enfisema pulmonar. 
    • Como a maioria destes cigarros artesanais não possui filtro, eles podem causar danos ao organismo, malefícios, superiores e em maior escala do que os cigarros comuns.
    •  
    •  
    • Imagem do alcatrão, líquido 
    • escuro no interior de um 
    • recipiente 


    • Efeitos do alcatrão no organismo:
    • -cancer na boca, faringe, laringe, esôfago e estômago;
    • -deficiencia pulmonar obstrutiva crônica (DPOC);
    • -enfisema pulmonar que vai impedindo as trocas gasosas realizadas nos alvéolos pulmonares;
    • -entupimento das artérias com danos severos ao coração;
    • -acidente vascular cerebral (AVC);
    • -manchas e amarelamento dos dentes, gengivites.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Pombos, Columba livia, os ratos de asas e as criptococoses

Uma  das espécies mais comuns de pombos, que se adaptaram ao ambiente urbano é a chamada Columba livia. Na cidade eles encontram alimento em maior quantidade, são tolerados pela população e não são incomodados por predadores. Normalmente, na natureza, fazem ninhos em locais altos, de pouco acesso e  alimentam-se de sementes e grãos. Fora do seu habitat eles buscam o interior dos telhados, forros, de casas mais altas, para moradia e reprodução.



Os pombos buscam alimento em diversos lugares

Vivem em grupo e podem localizar com precisão seus pontos de reprodução mesmo quando se afastam a dezenas de quilômetros. Um casal se reproduz 4 a 5 vezes por ano com dois ovos em média por ninhada. Em duas semanas os ovos eclodem e os filhotes voam em mais 4 semanas.  Quando identificam regiões de acesso para o seu acasalamento, atraem outros da mesma população. Quanto maior a disponibilidade de água e alimento maior é sua frequência reprodutiva. Como não possuem um paladar exigente para a alimentação, ingerem restos de comida deixada fora do interior das casas e até mesmo restos de alimentos no lixo.


O ninho em vãos do telhado.

Estas aves frequentam vários ambientes nas cidades e este é um dos fatores pelos quais costumam adquirir grande quantidade de fungos, bactérias. Os microrganismos podem contaminar a água e os alimentos. As fezes dos pombos secam e são espalhadas pelo vento podendo causar doenças como alergias, dermatites (erupções na pele e coceiras), ou mais graves como a criptococose, ornitose, salmonelose (bactéria Salmonella presente nas fezes, que contamina carne e ovos, causando intoxicação alimentar com diarreia, vômitos, febre). A criptococose é transmitida pela inalação de fungos através da poeira das fezes secas destes animais. Atinge o pulmão, o sistema nervoso central, com infecções pulmonares e determinadas formas de meningite.



Pombos no telhado, as frestas foram fechadas


É possível afastá-los, promovendo a sua migração para ambientes naturais adequados:

- Não deixar restos de alimentos mal acondicionados; farelos, rações, cereais.
- Não alimentar os pombos.
- Fechar os vãos dos telhados, forros, frestas.
- Retirar ninhos e limpar as fezes com desinfetantes.


Embora tenham uma aparência mansa e muitos os associarem à paz e a beleza das cidades, os pombos urbanos representam riscos para a saúde pública. Na verdade não possuem nada de atrativos se considerarmos que são reservatórios naturais assintomáticos de inúmeros microrganismos. Ações educativas, informativas, devem ser 
realizadas pelas equipes de zoonoses, direcionadas à população de um modo geral, prestando esclarecimentos sobre a real situação destas aves entre as  ruas e casas, no ambiente urbano.

Cores e pássaros

 


 




























Imagens: Cláudio J Gontijo

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Mimetismo e camuflagem, a luta pela sobrevivência

 Dentro da luta pela sobrevivência que ocorre todos os dias, na verdade a cada segundo, no interior dos ecossistemas, a seleção natural determina o que é fundamental; os mais aptos e melhor adaptados irão perpetuar a sua espécie. A camuflagem e o mimetismo fazem parte de comportamentos adaptativos das populações na luta pela vida. 


1- Camuflagem

A camuflagem é uma característica que o ser vivo adquire, permitindo a ele misturar-se ao ambiente em que vive sem ser notado com facilidade. Desta forma ele pode fugir de predadores ou, como predador, capturar a sua presa. Vários tipos de insetos como mariposas, gafanhotos, formigas, apresentam cores muito semelhantes a troncos de árvores, folhas ou ao território onde vivem, nos quais não poderão ser vistos com facilidade. Alguns tipos de aracnídeos e crustáceos também estão neste grupo.



Uma borboleta confunde-se com o tronco de uma árvore. Imagem: Cláudio J Gontijo



Durante o longo período evolutivo de uma espécie, por exemplo, aqueles seres vivos que apresentaram cores ou formas que facilitassem alguma maneira de camuflagem, eram presas menos identificadas. Na camuflagem estes seres vivos apresentam morfologia que permite a eles se misturarem ao ambiente externo. Estes seres sobreviveram, carregaram estas características genéticas e as repassaram aos seus descendentes. Formaram-se assim grupos mais aptos às condições daquele ecossistema. Os outros indivíduos menos favorecidos, dentro da variabilidade de cores e formas, eram eliminados pelo fato de serem identificados mais facilmente e capturados por seus predadores.



Muitas espécies de aves também podem camuflar-se junto ao solo. Imagem: Claudio J Gontijo



Outras espécies como camaleões e peixes apresentam substâncias secretadas por glândulas epidérmicas denominadas cromatóforos. Estes pigmentos fornecem a capacidade de alteração na coloração da pele conforme a necessidade, e uma melhor camuflagem.


2- Mimetismo


Alguns tipos de ofídios não peçonhentos adquirem cores que os assemelham a outras serpentes capazes de inocular o seu veneno. A cobra-coral adquire uma certa coloração (distribuição de anéis) que as tornam muito parecidas com as cobras corais ( ditas verdadeiras) venenosas e muito temidas. Desta forma elas adquirem um determinado tipo de defesa em relação a muitos predadores que chegam a evitá-las. O comportamento deste réptil é o mimetismo.

Espécies afins com grande semelhança; mimetismo. A coral da esquerda não é peçonhenta, ao contrário da figura à direita. Imagem web



No mimetismo um indivíduo possui cores ou formatos que o assemelha a outro ser vivo de espécie afim, apresentando a capacidade de assemelhar-se a outro, confundindo-se com o mesmo. Existem anfíbios (rãs), insetos (abelhas,borboletas), aves e outros tipos de animais que também apresentam este tipo de postura.



O mimetismo entre duas borboletas de espécies diferentes. Imagem: mongabay.com




segunda-feira, 20 de julho de 2026

Escorpiões: artrópodes predadores

 Em períodos chuvosos alguns seres vivos costumam se deslocar com frequência de um local para outro à procura de maior proteção e de alimento. Entre eles estão os escorpiões.


Os escorpiões são predadores de hábitos noturnos. Alimentam se de baratas, grilos, moscas, larvas, aranhas. Vivem naturalmente debaixo das pedras, dos troncos de madeira e folhas em decomposição. Muitas vezes encontram o seu alimento nos entulhos que deixamos. Eles também são canibais, podendo devorar os da sua própria espécie.

Sua visão é pequena, porém ele é capaz de perceber as vibrações e o calor das suas presas através de minúsculas estruturas (estigmas) localizadas no seu corpo, dos seus pedipalpos (palpos) e patas. Por isto são extremamente perigosos.






Estes seres são aracnídeos. Estão no mesmo grupo das aranhas comuns. Seus ancestrais vivem no planeta há mais de 400 milhões de anos, daí a sua grande capacidade de adaptação a diversos ecossistemas. Possuem um exoesqueleto (carapaça externa) resistente. Esta camada protetora dificulta o seu extermínio.

Das mais de 130 espécies de escorpiões conhecidas no Brasil,  três espécies  estão entre as mais comuns nos acidentes em função de sua picada e veneno.

São elas:

Tityus serrulatus - o escorpião amarelo, comum principalmente no sul e sudeste, campeão em acidentes urbanos.

Tityus serrulatus 


Tityus bahiensis - muito comum em acidentes rurais, encontrado com mais frequência nas regiões centrais e no nordeste.


Tityus bahiensis


Tityus stigmurus - conhecido como escorpião do nordeste.


Tityus stigmurus



A espécie Tityus serrulatus se reproduz por partenogênese. A partenogênese é uma forma de reprodução assexuada, sem necessidade de um casal. A fêmea produz inúmeros ovos que darão origem às formas adultas. A sua multiplicação ocorre com facilidade. Uma fêmea pode gerar aproximadamente entre 30 e 40 filhotes a cada ano. Estes permanecem no dorso da mãe por cerca de uma a duas semanas até se espalharem.

O veneno, peçonha, destas espécies age no sistema nervoso, ou seja, é neurotóxico. Afeta o sistema respiratório podendo causar a morte por parada cárdio respiratória. Pode ser fatal em crianças, idosos, pessoas debilitadas. A picada costuma ser muito dolorosa. A dor se espalha pelo corpo tornando-o sensível a qualquer toque. 

Os predadores naturais dos escorpiões são aves (gaviões, corujas), anfíbios, cobras e alguns mamíferos como o gambá, o macaco. Muitos destes animais enfrentam dificuldades de sobrevivência em função da destruição dos seus habitats (cerrado, matas ciliares, cursos d'água). Sem os seus predadores estes aracnídeos se multiplicam e migram para vários locais.

É possível evitar muitos dos acidentes com os escorpiões. 1- Manter o ambiente doméstico limpo e livre de entulhos. 2- Vedar bem a entrada das fossas. 3- Verificar sempre o vestuário, as roupas de cama e os sapatos antes de utilizá-los.


Imagens do Sertão

 














































Imagens: Cláudio J Gontijo

domingo, 14 de junho de 2026

Consolar

 

Imagem: casal de canários da terra/Sicalis flaveola/Claudio Gontijo 


Não é fácil achar palavras que curem, 

ainda que em prece e clamor.

É que há temor de que não venha o alivio, 

para a dor,

para o torpor.

Vem então o silêncio.

Silêncio para ouvir, 

gemidos de solidão,

abandono,

aflição,

e de tudo o que ainda está por vir.

Tomara que no silêncio haja intimidade.

bondade.

Tomara que haja respeito, 

mas não apenas,

porque quando já não houver mais palavras,

que venha então esperança,

temperança,

aliança.

E assim ao menos se possa acolher,

e deixar viver,

conviver.

.