Imagens: Garça-branca-grande (Ardea alba), Bem-te-vi (Pitangus sulphuratus)/Cláudio Gontijo

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Escorpiões: artrópodes predadores

 Em períodos chuvosos alguns seres vivos costumam se deslocar com frequência de um local para outro à procura de maior proteção e de alimento. Entre eles estão os escorpiões.


Os escorpiões são predadores de hábitos noturnos. Alimentam se de baratas, grilos, moscas, larvas, aranhas. Vivem naturalmente debaixo das pedras, dos troncos de madeira e folhas em decomposição. Muitas vezes encontram o seu alimento nos entulhos que deixamos. Eles também são canibais, podendo devorar os da sua própria espécie.

Sua visão é pequena, porém ele é capaz de perceber as vibrações e o calor das suas presas através de minúsculas estruturas (estigmas) localizadas no seu corpo, dos seus pedipalpos (palpos) e patas. Por isto são extremamente perigosos.






Estes seres são aracnídeos. Estão no mesmo grupo das aranhas comuns. Seus ancestrais vivem no planeta há mais de 400 milhões de anos, daí a sua grande capacidade de adaptação a diversos ecossistemas. Possuem um exoesqueleto (carapaça externa) resistente. Esta camada protetora dificulta o seu extermínio.

Das mais de 130 espécies de escorpiões conhecidas no Brasil,  três espécies  estão entre as mais comuns nos acidentes em função de sua picada e veneno.

São elas:

Tityus serrulatus - o escorpião amarelo, comum principalmente no sul e sudeste, campeão em acidentes urbanos.

Tityus serrulatus 


Tityus bahiensis - muito comum em acidentes rurais, encontrado com mais frequência nas regiões centrais e no nordeste.


Tityus bahiensis


Tityus stigmurus - conhecido como escorpião do nordeste.


Tityus stigmurus



A espécie Tityus serrulatus se reproduz por partenogênese. A partenogênese é uma forma de reprodução assexuada, sem necessidade de um casal. A fêmea produz inúmeros ovos que darão origem às formas adultas. A sua multiplicação ocorre com facilidade. Uma fêmea pode gerar aproximadamente entre 30 e 40 filhotes a cada ano. Estes permanecem no dorso da mãe por cerca de uma a duas semanas até se espalharem.

O veneno, peçonha, destas espécies age no sistema nervoso, ou seja, é neurotóxico. Afeta o sistema respiratório podendo causar a morte por parada cárdio respiratória. Pode ser fatal em crianças, idosos, pessoas debilitadas. A picada costuma ser muito dolorosa. A dor se espalha pelo corpo tornando-o sensível a qualquer toque. 

Os predadores naturais dos escorpiões são aves (gaviões, corujas), anfíbios, cobras e alguns mamíferos como o gambá, o macaco. Muitos destes animais enfrentam dificuldades de sobrevivência em função da destruição dos seus habitats (cerrado, matas ciliares, cursos d'água). Sem os seus predadores estes aracnídeos se multiplicam e migram para vários locais.

É possível evitar muitos dos acidentes com os escorpiões. 1- Manter o ambiente doméstico limpo e livre de entulhos. 2- Vedar bem a entrada das fossas. 3- Verificar sempre o vestuário, as roupas de cama e os sapatos antes de utilizá-los.


Imagens do Sertão

 














































Imagens: Cláudio J Gontijo

domingo, 14 de junho de 2026

Consolar

 

Imagem: casal de canários da terra/Sicalis flaveola/Claudio Gontijo 


Não é fácil achar palavras que curem, 

ainda que em prece e clamor.

É que há temor de que não venha o alivio, 

para a dor,

para o torpor.

Vem então o silêncio.

Silêncio para ouvir, 

gemidos de solidão,

abandono,

aflição,

e de tudo o que ainda está por vir.

Tomara que no silêncio haja intimidade.

bondade.

Tomara que haja respeito, 

mas não apenas,

porque quando já não houver mais palavras,

que venha então esperança,

temperança,

aliança.

E assim ao menos se possa acolher,

e deixar viver,

conviver.

.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Berço

 

  




Nas horas que já avançam,

que não se alcançam,

até que tudo seja doado.

É eterno o jorrar,

sem nada a guardar.

Sem qualquer estanque,

sem desejo de troca,

Os corações vão pelo mundo,

e que sejam acolhidos,

compreendidos.

Orações.

Amor sem fim.

Assim.

Amor que não é vaidoso,

que não desanda.

Amor que não reclama,

não se aflige,

não se proclama.

Amor que é vida,

como a vida quer.

Como a vida vai mesmo ser,

como vier.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Milagre







Só há duas maneiras de viver a vida: a primeira é vivê-la como se os milagres não existissem. A segunda é vivê-la como se tudo fosse milagre.




Albert Einstein 

quinta-feira, 26 de junho de 2025

O espelho

 





Já nem é tão tarde. 

Ainda há tempo para idéias que não sumiram.

Mas agora, não cabe o pessimismo, 

amargo.

Também já está gasta, esfolada, a utopia otimista.

O que fica é um realismo incômodo.

Ele se disfarça, simula indiferença.

Falsa indiferença, de gosto diluído.

E o que esteve escondido, agora vem, 

e constrange.

Falam mal dele.

É uma multidão que foge, 

esconde-se em imagens felizes.

Vem o tempo.

Mais e mais pessoas saem dos espelhos,

em verdades cruas, doídas, 

das fotos sem olhos, com óculos escuros.

Uma multidão cantando,

em gratidão colorida, moída,  

gratidão nas telas virtuais. 

Agora retiram o medo, atrás dos retoques.

Imagens incômodas, penetrantes, que vivem nos momentos de silêncio profundo.

Já não podem ser evitadas.

É o que somos em carne viva.

É dor da qual se desviam, 

mas que estaciona-se diante de nós.

Então, fará bem apalpar o que claramente somos.

Circularão pessoas menos apressadas,

mais sóbrias,

menos falantes,

mais ouvintes.

Menos entorpecidas,

mais nítidas.

terça-feira, 11 de março de 2025

Espírito Santo

 Espírito Santo,

Amor do Pai e do Filho,

inspirai-me sempre,

sobre o que devo pensar,

sobre o que devo dizer,

sobre o que devo calar.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Germinar

 


Se geraram um botão de rosa, um ser vivo, 

dentro dos nossos corações,

nas entranhas próprias para os embriões,

em uma espera serena,

são especiais. 

É por isso que são belas de alma e de cores. 

Vivo e observo, com o passar dos dias, o mistério que cerca o perfume exalado em tudo o que é gerado 

com ternura.

Vejo mesmo, antes em imagens distorcidas, agora com mais nitidez. 

Nada há o que seja maior que a delicadeza do que germina em amor. 

Ah se eu tivesse compreendido! Passaram-se 50 anos, não uma vida inteira. 

Hoje, então, vejo estas coisas em imagens mais límpidas. Refletidas em meus pensamentos. 

Pensamentos, desejo de cumprimentá-las, 

de oferecer um canto,

uma rosa, 

um aplauso.

Mas o germinar é tão grandioso.