As abelhas-europeias, abelhas-da-europa, abelhas-europa, como são conhecidas, são da espécie Apis mellifera. Elas foram trazidas para as Américas pelos ingleses, espanhóis e portugueses entre os séculos XVII e XIX.
Morfologia básica
O corpo da abelha é dividido em cabeça, tórax e abdômen. Na cabeça estão, principalmente, o dois olhos compostos (na região lateral) para detectar distâncias e três olhos simples (no topo) para detectar a luz. Um par de antenas sensoriais para sentir cheiros, o aparelho bucal com capacidade para lamber, sugar e processar o néctar e o pólen que retiram das flores. Em poucos minutos uma abelha é capaz de visitar dezenas de flores.
O tórax é a região motora, onde estão inseridas dois pares de asas e três pares de patas.
No abdômen estão o sistema digestório, onde o néctar é armazenado e depois enviado às glândulas produtoras de mel e cera. Localiza-se também nesta região o aparelho reprodutor e o ferrão. Um única abelha produz cerca de 5 gramas de mel por ano. Uma grande colmeia é capaz de produzir 20 a 30 litros de mel a cada ano.
Partes importantes da estrutura corporal da abelha.
Colmeia
As abelhas vivem em colónias permanentes, formadas por uma rainha ou abelha mestra (no máximo, e excepcionalmente, duas), obreiras (entre 10 mil e 15 mil) e entre 500 e 1 500 zangões, que são os machos. As fêmeas diferenciam-se dos zangões por possuírem ferrão. Abelhas obreiras ou operárias produzem cera, mel e constroem a estrutura da colméia. A abelha rainha possui a única função de depositar os ovos no interior dos favos, que irão evoluir para larvas e para as formas adultas. Os zangões realizam o vôo nupcial, fecundam a rainha e morrem logo em seguida. A rainha é capaz de depositar cerca de 1000 ovos por dia e, durante o vôo nupcial, pode ser fecundada por vários zangões.
Abelhas operárias vivem em média quatro a seis semanas em função de seu extremo desgaste realizando o trabalho de construção da colmeia, coleta de polén e néctar, alimentação e proteção de toda a colônia. Nos meses mais frios podem viver até 5 meses, por sua baixa atividade. A rainha vive entre dois a cinco anos e os zangões viverão por 80 dias.
Abelhas se movimentam entre os favos na colmeia, secretando o mel que alimentará as larvas. Uma destas secreções, especiais, ainda mais rica em nutrientes, alimentará especificamente a abelha rainha.
As abelhas no ambiente urbano
Ondas de calor extremo e a transição para estações mais quentes (como a primavera e o verão) aceleram o metabolismo das abelhas, estimulando a reprodução e novas migrações. Grupos numerosos de abelhas, os enxames, vão se movimentar, migrar, para outras regiões buscando condições favoráveis para se instalarem. Durante o vôo migratório ocorrerão momentos em que o enxame poderá fazer pausas, acumulando-se em troncos e copas de árvores.
Nestes períodos pode ocorrer que estas paradas ocorram no interior das cidades, em função de atrativos como, por exemplo, uma maior diversidade de flores nos jardins das casas e passeios. Neste ambiente as operárias manterão a sua função de proteger o grupo e podem se tornar muito agressivas. Sons altos, movimentação súbita de pessoas, proximidade maior com os locais onde se depositam, fazem com que elas ataquem em número cada vez maior. A cada ataque é depositado no corpo da vítima uma espícula (ferrão) contendo substâncias peçonhentas, dolorosas, que podem causar intensas reações alérgicas e até a morte.
O desequilíbrio ecológico, com a destruição do habitat destes insetos, as grandes alterações climáticas, o uso de agrotóxicos, está contribuindo para fluxos migratórios cada vez mais frequentes, principalmente envolvendo cidades próximas a áreas de maiores práticas agropecuárias.
A abelha coletando néctar e pólen. De glândulas do seu corpo são secretados os feromônios, substâncias capazes de atrair outras abelhas. É possível observar os minúsculos pêlos no corpo, que são também sensíveis estruturas sensoriais.
Cláudio Gontijo/Biólogo, licenciado em Química
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