No Brasil a coruja buraqueira (Athene cunicularia) vive em habitat diversificado como planícies, campos de pastagens, cerrado, nas proximidades das matas ciliares, e adapta-se até mesmo a ambientes urbanos. Possui hábitos diurnos, mas pode se manter ativa em horários noturnos. Apresenta visão e audição muito aguçadas. O seu campo visual pode identificar a imagem de forma tridimensional e é facilitado em função da capacidade que a ave possui de girar a cabeça em um ângulo de até 270 graus.
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A coruja buraqueira no interior de uma varanda em região rural. Imagem: Cláudio Gontijo |
Alimentam-se de forma muito variada, são insetívoras e carnívoras. De acordo com a disponibilidade ingerem principalmente besouros, gafanhotos e grilos. Como alimentação carnívora comem pequenos roedores, aves de menor porte, lagartos, cobras.
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A fêmea possui tamanho um pouco menor do que o macho e tonalidade mais clara de penas. Imagem: Cláudio Gontijo |
Abrigam-se em buracos no chão que são capazes de perfurar com o bico e as garras. Utilizam muito os que são cavados pelos tatus a uma profundidades que chega a 3 metros em sentido horizontal. O fundo costuma ser forrado por ramos e esterco. O cheiro do esterco atrai muitos dos insetos usados na alimentação, como os besouros.
Nestas tocas realizam a reprodução. A fêmea vai botando os ovos ao longo dos dias. A postura finaliza com cerca de 8 a 10 ovos, em média, que eclodem após 30 dias. O filhotes vão sendo alimentados geralmente pelo macho, que também na maior parte do tempo realiza a guarda da moradia. Após mais 4 semanas adquirem uma certa autonomia e já podem deixar o ninho. O casal adulto realiza a proteção do ninho com muita destreza e costuma atacar animais que se aproximam, até mesmo o homem, realizando voos rasantes e investindo na direção do invasor.
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A coruja em hábito noturno. Imagem: Cláudio Gontijo |