Imagens: Garça-branca-grande (Ardea alba), Bem-te-vi (Pitangus sulphuratus)/Cláudio Gontijo

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Mimetismo e camuflagem, a luta pela sobrevivência

 Dentro da luta pela sobrevivência que ocorre todos os dias, na verdade a cada segundo, no interior dos ecossistemas, a seleção natural determina o que é fundamental; os mais aptos e melhor adaptados irão perpetuar a sua espécie. A camuflagem e o mimetismo fazem parte de comportamentos adaptativos das populações na luta pela vida. 


1- Camuflagem

A camuflagem é uma característica que o ser vivo adquire, permitindo a ele misturar-se ao ambiente em que vive sem ser notado com facilidade. Desta forma ele pode fugir de predadores ou, como predador, capturar a sua presa. Vários tipos de insetos como mariposas, gafanhotos, formigas, apresentam cores muito semelhantes a troncos de árvores, folhas ou ao território onde vivem, nos quais não poderão ser vistos com facilidade. Alguns tipos de aracnídeos e crustáceos também estão neste grupo.



Uma borboleta confunde-se com o tronco de uma árvore. Imagem: Cláudio J Gontijo



Durante o longo período evolutivo de uma espécie, por exemplo, aqueles seres vivos que apresentaram cores ou formas que facilitassem alguma maneira de camuflagem, eram presas menos identificadas. Na camuflagem estes seres vivos apresentam morfologia que permite a eles se misturarem ao ambiente externo. Estes seres sobreviveram, carregaram estas características genéticas e as repassaram aos seus descendentes. Formaram-se assim grupos mais aptos às condições daquele ecossistema. Os outros indivíduos menos favorecidos, dentro da variabilidade de cores e formas, eram eliminados pelo fato de serem identificados mais facilmente e capturados por seus predadores.



Muitas espécies de aves também podem camuflar-se junto ao solo. Imagem: Claudio J Gontijo



Outras espécies como camaleões e peixes apresentam substâncias secretadas por glândulas epidérmicas denominadas cromatóforos. Estes pigmentos fornecem a capacidade de alteração na coloração da pele conforme a necessidade, e uma melhor camuflagem.


2- Mimetismo


Alguns tipos de ofídios não peçonhentos adquirem cores que os assemelham a outras serpentes capazes de inocular o seu veneno. A cobra-coral adquire uma certa coloração (distribuição de anéis) que as tornam muito parecidas com as cobras corais ( ditas verdadeiras) venenosas e muito temidas. Desta forma elas adquirem um determinado tipo de defesa em relação a muitos predadores que chegam a evitá-las. O comportamento deste réptil é o mimetismo.

Espécies afins com grande semelhança; mimetismo. A coral da esquerda não é peçonhenta, ao contrário da figura à direita. Imagem web



No mimetismo um indivíduo possui cores ou formatos que o assemelha a outro ser vivo de espécie afim, apresentando a capacidade de assemelhar-se a outro, confundindo-se com o mesmo. Existem anfíbios (rãs), insetos (abelhas,borboletas), aves e outros tipos de animais que também apresentam este tipo de postura.



O mimetismo entre duas borboletas de espécies diferentes. Imagem: mongabay.com




segunda-feira, 20 de julho de 2026

Escorpiões: artrópodes predadores

 Em períodos chuvosos alguns seres vivos costumam se deslocar com frequência de um local para outro à procura de maior proteção e de alimento. Entre eles estão os escorpiões.


Os escorpiões são predadores de hábitos noturnos. Alimentam se de baratas, grilos, moscas, larvas, aranhas. Vivem naturalmente debaixo das pedras, dos troncos de madeira e folhas em decomposição. Muitas vezes encontram o seu alimento nos entulhos que deixamos. Eles também são canibais, podendo devorar os da sua própria espécie.

Sua visão é pequena, porém ele é capaz de perceber as vibrações e o calor das suas presas através de minúsculas estruturas (estigmas) localizadas no seu corpo, dos seus pedipalpos (palpos) e patas. Por isto são extremamente perigosos.






Estes seres são aracnídeos. Estão no mesmo grupo das aranhas comuns. Seus ancestrais vivem no planeta há mais de 400 milhões de anos, daí a sua grande capacidade de adaptação a diversos ecossistemas. Possuem um exoesqueleto (carapaça externa) resistente. Esta camada protetora dificulta o seu extermínio.

Das mais de 130 espécies de escorpiões conhecidas no Brasil,  três espécies  estão entre as mais comuns nos acidentes em função de sua picada e veneno.

São elas:

Tityus serrulatus - o escorpião amarelo, comum principalmente no sul e sudeste, campeão em acidentes urbanos.

Tityus serrulatus 


Tityus bahiensis - muito comum em acidentes rurais, encontrado com mais frequência nas regiões centrais e no nordeste.


Tityus bahiensis


Tityus stigmurus - conhecido como escorpião do nordeste.


Tityus stigmurus



A espécie Tityus serrulatus se reproduz por partenogênese. A partenogênese é uma forma de reprodução assexuada, sem necessidade de um casal. A fêmea produz inúmeros ovos que darão origem às formas adultas. A sua multiplicação ocorre com facilidade. Uma fêmea pode gerar aproximadamente entre 30 e 40 filhotes a cada ano. Estes permanecem no dorso da mãe por cerca de uma a duas semanas até se espalharem.

O veneno, peçonha, destas espécies age no sistema nervoso, ou seja, é neurotóxico. Afeta o sistema respiratório podendo causar a morte por parada cárdio respiratória. Pode ser fatal em crianças, idosos, pessoas debilitadas. A picada costuma ser muito dolorosa. A dor se espalha pelo corpo tornando-o sensível a qualquer toque. 

Os predadores naturais dos escorpiões são aves (gaviões, corujas), anfíbios, cobras e alguns mamíferos como o gambá, o macaco. Muitos destes animais enfrentam dificuldades de sobrevivência em função da destruição dos seus habitats (cerrado, matas ciliares, cursos d'água). Sem os seus predadores estes aracnídeos se multiplicam e migram para vários locais.

É possível evitar muitos dos acidentes com os escorpiões. 1- Manter o ambiente doméstico limpo e livre de entulhos. 2- Vedar bem a entrada das fossas. 3- Verificar sempre o vestuário, as roupas de cama e os sapatos antes de utilizá-los.


Imagens do Sertão

 














































Imagens: Cláudio J Gontijo

domingo, 14 de junho de 2026

Consolar

 

Imagem: casal de canários da terra/Sicalis flaveola/Claudio Gontijo 


Não é fácil achar palavras que curem, 

ainda que em prece e clamor.

É que há temor de que não venha o alivio, 

para a dor,

para o torpor.

Vem então o silêncio.

Silêncio para ouvir, 

gemidos de solidão,

abandono,

aflição,

e de tudo o que ainda está por vir.

Tomara que no silêncio haja intimidade.

bondade.

Tomara que haja respeito, 

mas não apenas,

porque quando já não houver mais palavras,

que venha então esperança,

temperança,

aliança.

E assim ao menos se possa acolher,

e deixar viver,

conviver.

.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Berço

 

  




Nas horas que já avançam,

que não se alcançam,

até que tudo seja doado.

É eterno o jorrar,

sem nada a guardar.

Sem qualquer estanque,

sem desejo de troca,

Os corações vão pelo mundo,

e que sejam acolhidos,

compreendidos.

Orações.

Amor sem fim.

Assim.

Amor que não é vaidoso,

que não desanda.

Amor que não reclama,

não se aflige,

não se proclama.

Amor que é vida,

como a vida quer.

Como a vida vai mesmo ser,

como vier.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Milagre







Só há duas maneiras de viver a vida: a primeira é vivê-la como se os milagres não existissem. A segunda é vivê-la como se tudo fosse milagre.




Albert Einstein 

quinta-feira, 26 de junho de 2025

O espelho

 





Já nem é tão tarde. 

Ainda há tempo para idéias que não sumiram.

Mas agora, não cabe o pessimismo, 

amargo.

Também já está gasta, esfolada, a utopia otimista.

O que fica é um realismo incômodo.

Ele se disfarça, simula indiferença.

Falsa indiferença, de gosto diluído.

E o que esteve escondido, agora vem, 

e constrange.

Falam mal dele.

É uma multidão que foge, 

esconde-se em imagens felizes.

Vem o tempo.

Mais e mais pessoas saem dos espelhos,

em verdades cruas, doídas, 

das fotos sem olhos, com óculos escuros.

Uma multidão cantando,

em gratidão colorida, moída,  

gratidão nas telas virtuais. 

Agora retiram o medo, atrás dos retoques.

Imagens incômodas, penetrantes, que vivem nos momentos de silêncio profundo.

Já não podem ser evitadas.

É o que somos em carne viva.

É dor da qual se desviam, 

mas que estaciona-se diante de nós.

Então, fará bem apalpar o que claramente somos.

Circularão pessoas menos apressadas,

mais sóbrias,

menos falantes,

mais ouvintes.

Menos entorpecidas,

mais nítidas.

terça-feira, 11 de março de 2025

Espírito Santo

 Espírito Santo,

Amor do Pai e do Filho,

inspirai-me sempre,

sobre o que devo pensar,

sobre o que devo dizer,

sobre o que devo calar.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Germinar

 


Se geraram um botão de rosa, um ser vivo, 

nas suas entranhas, 

próprias para os embriões,

se geraram até em seus corações,

 houve serena espera.

São mesmo especiais. 

É por isso que são belas de alma e de cores. 

Vivo e observo, com o passar dos dias, o mistério que cerca o perfume exalado em tudo o que é gerado com ternura.

Vejo mesmo, antes em imagens distorcidas, agora com mais nitidez. 

Nada há o que seja maior que a delicadeza do que germina em amor. 

Ah se eu tivesse compreendido! Passaram-se 50 anos, mas não uma vida inteira. 

Hoje, então, vejo estas coisas em imagens mais límpidas. Refletidas em meus pensamentos. 

E nestes pensamentos, agora desejo cumprimentá-las, 

oferecer um canto,

uma rosa, 

um aplauso.

Mas o germinar é tão grandioso!

segunda-feira, 15 de abril de 2024

Álbum




Imagens,

pardas imagens, 

felizes paragens. 

E estes, 

que nem veremos, 

que nunca tivemos;

hoje nos acalentam, 

teimosos que somos. 

Ainda que por uma ponta do tempo, 

uma migalha nas horas,

ninguém nos fará entrar de novo por estes trilhos,

por aqueles suspiros e risos. 

É quase certo que os queríamos eternos,

ternos,

por dias e dias, 

fraternos.

 Mas agora muitos nem se importam.

Os rostos pareciam mais limpos, e, hoje, 

nem os querem mais. 

Nunca os viram, nunca naquele tempo sorriram.

Dançávamos nestes acordes que até podemos reproduzir,  

mas ninguém se lembra deles.

Eletrônicos recursos,

mostram agora com mais nitidez;

o simples e o simplório.

E hoje, polidamente, dispensamos,

quando machuca o que pensamos.

Mas esta distância é o que gostaríamos de encurtar,

foi feita mesmo no papel de brilho fosco, 

em fotografias pardas,

espalhadas pelo forro de pano tosco,

comuns, misturadas no armário.

E, hoje, como não podemos explicar,

só precisamos vivê-las de novo.




Ao Xará.



quarta-feira, 20 de março de 2024

A assustadora tarântula

 Embora o título possa sugerir estas espécies de aracnídeos (aranhas) não apresentam grandes riscos de acidentes após sua picada. Elas não são capazes de produzir peçonha com capacidade tóxica. No máximo a sua picada pode produzir dor no local, 

Vivem em habitat variado, geralmente de clima tropical, nas Americas, Europa, Oriente Médio, Ásia. Conseguem sobreviver por cerca de 7 a 8 anos. Muitas pessoas as criam como uma espécie de animal de estimação, nesse caso, em cativeiro, podem viver pouco mais de duas décadas. 

A sua forma de defesa contra os predadores são seus pêlos urticantes que cobrem todo o corpo. Estes pelos são espalhados a paritr de suas patas ,do abdomem, causando irritações. Quando manuaseadas podem causar estas irritações nas nossas vias respiratorias e na pele.





                Os pelos urticantes são visíveis em todo o corpo da aranha. Imagem: Cláudio Gontijo



A tarãntula ou caranquejeira  movimenta-se pouco, permancendo em tocas com cerca de 80 cm de profundidade. De lá saem para capturar presas que são devoradas de acordo com o tamanho destes aracnídeos. Espécies maiores (podem atingir 25/30 cm de envergadura) são capazes de capturar pequenos pássaros, anfíbios, lagartos. São também canibais. 



Imagem: web



Atingem a maturidade sexual em 4 a 5 anos de vida em média. Os machos modificam seus pedipalpos (primeiro par de apêndices - patas - localizados próximos à região cefálica) e realizam a cópula injetando os espermatozóides. Neste ato reprodutivo o macho prende a fêmea com garras (unhas) presentes nas suas patas (imagem web). A fêmea armazena os espermatozóides em órgãos especiais até produzir os ovos (150 unidades aproximadamente) e os depositam em um saco de seda. Em 45 dias estes ovos eclodem e os filhotes, já totalmente formados, dispersam, não recebendo qualquer cuidado da fêmea.





Uma tarântula movimentando-se na grama molhada, provavelmente um macho que deixou a toca pela umidade do tempo chuvoso. Imagem: Cláudio Gontijo



Os machos morrem logo após a cópula. Muitas vezes são devorados pela própria fêmea em seus hábitos canibais. Por este fator estes machos procuram, após o ato sexual, distanciarem-se rápidamente. No entanto irão morrer alguns meses depois.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Para adormecer

 






Quando o sono vem lá, 

distante,

relutante,

coloco-me junto aos outros,

tantos outros, em pedidos de oração.

Vou visualizando um e todos.

Desaparece a prece,

adormeço.

Acordo, continuo,

adormeço.

Nas diversas e múltiplas vezes em que de mim esqueço,

devo mesmo acalentar aqueles que, há tempos,

esqueceram-se de si mesmos.

E, assim, vou embalando.

E permaneço.

Nada me é absoluto,

é mistério, é vago.

Como o sono que vem e vai,

vai e vem.

Como um balanço,

bem suspenço,

livre,

sem tropeço.

domingo, 17 de dezembro de 2023

Esperança







Haverá um instante em nossos 

pesares,

em que os joelhos já estarão 

dormentes,

marcados,

por súplicas em variadas horas.

Então haveremos de encontrar 

mãos sacramentadas,

misericordiosas,

piedosas.

Caminharemos amparados pela 

própria vida.

 E, trôpegos, ávidos,

saberemos que a cruz, 

na aridez do tempo,

era mesmo esperança.





.

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

Misericórdia, não sacrifício





O Jesus das curas é o Senhor que ama como primícia. 

Mas é o Cristo que afasta o formalismo capaz de desfigurar o amor misericordioso.

É através da misericórdia que realizamos verdadeiras orações, que efetuamos os deveres primordiais e essenciais.

O amor de Cristo é a própria misericórdia na sua plenitude. 

A falta de piedade empobrece os ritos, destrói a fraternidade. Toda a prática impessoal é farisaísmo e incorre na segregação, na indiferença. 

Não há crescimento sem empatia, não há elevação sem tolerância, não há comunhão sem ausência de preconceito.

"Misericórdia quero, e não sacrifícios. Pois não vim resgatar justos e sim pecadores". Mateus 9:13

"Deus é tudo em todos". São Paulo 


domingo, 20 de agosto de 2023

Sem a chuva

 












É o chão que se desenha com o mato seco,

 por tudo o que carece de água.

E no  tempo paciente,

a raiz é  insistente.

Há que se ter  mais coragem,

porque a esperança já vive na pele curtida,

sentida,

suportando o sol que queima e noites frias.

Frio que corta; é navalha.

Tudo é pardo.

Então, à tarde, antes que venha mesmo o breu, 

pia o curiango, ouve-se  longe os latidos, 

e na escuridão que chega, a vida vem de novo. 

Ainda que trôpega,

amanhece  com o dia,

deixa se corar à luz espalhada pelo chão, 

no chão de poucas sombras.

Por hora, nada necessita ser retocado.

É que no ciclo, de voltas conhecidas, de momentos marcados, 

dormentes,

o vai e vem das horas é que compoe esta lida.

Não a das caixas com fitas, de papel colorido.

Uma existência assim, que, rachando a terra, 

devolve novos brotos.


quinta-feira, 6 de julho de 2023

sexta-feira, 26 de maio de 2023

Cruz

 Publiquei esta pequena reflexão há oito anos atrás. Deixo-a aqui novamente.



"Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me". Lucas 9:23

 





Ovos no ninho, em uma laranjeira.  Imagem: Cláudio Gontijo






A fé e a caridade podem se tornar inatingíveis, em um caminho penoso, sob a perspectiva do egoismo. A cruz dos nossos compromissos e responsabilidades tende a ser lapidada e diminuída. Sem o seu peso e porte, necessários ao crescimento espiritual, uma falsa leveza nos conduz  a escolhas angustiantes. 


Carregar a cruz não significa optar por uma vida martirizante, ao contrário, ela nos conduz à possibilidade do perdão, da conversão, da oração, do amor verdadeiro. Este não é o caminho da alienação, antes, é a jornada para uma vida longa de paz e alegria. A verdadeira paz, a alegria plena.





"Deixo a paz a vocês; a minha paz dou a vocês. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbe o seu coração, nem tenham medo". João 14:27


quinta-feira, 18 de maio de 2023

A esperança e a serenidade; por São Pedro em sua Primeira Carta

 





Antes santificai em vossos corações Cristo, o Senhor. Estai sempre prontos a responder para vossa defesa a todo aquele que vos pedir a razão de vossa esperança, mas fazei-o com suavidade e respeito.

Tende uma consciência reta a fim de que, mesmo naquilo em que dizem mal de vós, sejam confundidos os que desacreditam o vosso santo procedimento em Cristo.

Aliás, é melhor padecer, se Deus assim o quiser, por fazer o bem do que por fazer o mal.