Imagens: Garça-branca-grande (Ardea alba), Bem-te-vi (Pitangus sulphuratus)/Cláudio Gontijo

sábado, 15 de março de 2014

Silêncio


Senhor,


opera em mim o silêncio,

que revela a paz,

que nos coloca em unidade,

que nos traz a esperança.

Ensina-me o caminho,

a tolerância,

ampara o cansaço,

para que a jornada seja plena.


















Imagem e texto: Cláudio Gontijo









quarta-feira, 12 de março de 2014

Natureza e Fé

A natureza é quase silenciosa. Mas é no seu dinamismo e complexidade que podemos enxergar a sutileza e a força da Criação. Se observarmos, é possível fortalecer a nossa fé; baseado no que ela nos mostra de beleza, harmonia e tenacidade.




Imagem: Cláudio Gontijo/Lassance-MG






O verde das matas, os rios, animais, flores, não possuem vestes diferentes daquelas que se mostram como realmente são. Não há ilusões, artificialismo. 




Imagem: Cláudio Gontijo/Lassance-MG






Atentos, podemos encontrar alegria e equilíbrio na chuva que produz vida, beleza e fertilidade. Em paz teremos a luz e a verdade Divina, estampados em seres vivos que dedicam sua existência às populações que os cercam.














segunda-feira, 3 de março de 2014

Desequilíbrio Ambiental I

É provável que metade da cobertura vegetal da superfície terrestre já tenha sido arrancada. As florestas e os gases atmosféricos são importantes fatores que contribuem para a regulação climática. As correntes marinhas alteram a sua temperatura, geleiras se desfazem em um processo que foge à normalidade, ocorrem nevascas violentas, tempestades inundam cidades e, o mais grave, as reservas de água potável vão ficando menores.



Temperaturas altas favorecem a multiplicação de gafanhotos que arrasam plantações e muitas espécies vegetais nativas. Imagem: Cláudio Gontijo/Lassance-MG



Inúmeras espécies vegetais vão desaparecendo e com elas o alimento para grandes populações de animais. Um teia alimentar vai sendo desfeita. A superfície terrestre vai se descaracterizando.




Os pequizeiros, nativos do cerrado, fornecem alimento a muitas espécies de animais. Eles estão desaparecendo. Imagem: Cláudio Gontijo/Lassance-MG




Talvez a lembrança das árvores só aconteça de fato quando sofremos os efeitos das temperaturas insuportáveis, dos inúmeros fenômenos alérgicos provocados pelo clima árido, da necessidade de uma pequena sombra em meio ao concreto e o asfalto, da sede.





Parece uma estrada, mas é o leito seco de um córrego que outrora já foi caudaloso. Imagem: Cláudio Gontijo/Lassance-MG


















quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Arapaçu-do-cerrado

É comum vê-lo escalar um tronco de árvore, revolvendo a casca à procura de larvas e insetos. Após atingir certa altura ele dá um salto voa novamente para baixo e volta a escalar o mesmo tronco ou outros diferentes. O Arapaçu-do-cerrado (Lipidocolaptes angustirostris) possui um bico comprido e ligeiramente curvo. É com ele que pode capturar lagartas, formigas, aranhas e, até mesmo, pequenos anfíbios; quase sempre entre as cascas das árvores.




O Arapaçu escala um tronco à procura de alimento. Imagem: Cláudio Gontijo/Lassance-MG





Durante o verão esta espécie procura buracos em troncos ocos. No seu interior o casal fará seu ninho, revestido de folhas e pequenos gravetos. Dois ovos são depositados e eclodem em cerca de duas semanas. Os filhotes poderão voar, abandonando o ninho em mais três semanas.

O Arapaçu habita várias regiões do Brasil (Nordeste, Centro e Sul), Bolívia, Uruguai, Paraguai; sempre deixando à mostra seu curioso hábito de contornar os troncos, escondendo-se quando é avistado. Ele pode ser, juntamente com outras aves (galinhas, por exemplo), um importante predador de escorpiões, contribuindo para o controle destas populações de aracnídeos em áreas abertas do cerrado e da caatinga.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Solidão

Há alguns anos atrás em um asilo, pude observar com clareza a rotina de alguns idosos. Seus amigos haviam partido, muitos dos seus familiares também. Os que ficaram estavam distantes. Naquela solidão eles queriam a aproximação do outro. O colega de quarto, o vizinho da cama ao lado, da cadeira próxima nas tardes de sol na varanda. Aqueles internos, de uma outra geração, tinham uma tarefa difícil; o outro para eles era um estranho, não sabiam a origem, qual era a família, qual teria sido a ocupação nos tempos de juventude.

Muitos de nós já podemos estar em um asilo psicológico. Talvez já tenhamos encaminhado alguns de nossos amigos, familiares, colegas de trabalho para o mesmo isolamento. O individualismo e o jogo por novas oportunidades faz com que nós banalizemos as aspirações do outro. Quando nos sentimos ameaçados; ignoramos, maldizemos, limitamos, agredimos, afrontamos. Isolamos e nos deixamos isolar. É a solidão que cria o vazio incômodo.

Ao contrário daquela geração com idade avançada, limitada em suas ações, que insistimos em estimular exageradamente sem perceber que eles precisam da paz e do descanso, nós temos mais vigor, capacidade maior de aceitação, menos desconfiança. É possível para nós, sempre, uma retomada. É muito mais difícil para eles. É possível a recusa pelo caminho para os portões do asilo que nós construímos. Para nós e para o outro.




Embora em alguns momentos se fragilize, a natureza não é solitária. Imagem: Cláudio J. Gontijo



Oração

Senhor, afasta-nos do egoísmo que limita a nossa clara visão,
para com nós mesmos e para com aquele que, junto conosco, precisa deixar o isolamento.
Não permita que nos distanciemos de nossa origem de luz,
que nos isolemos dos princípios da boa vontade,
da caridade e da fé.
Que nós tenhamos sempre em mente a necessidade do amor incondicional.


domingo, 2 de fevereiro de 2014

Equilíbrio

A reflexão e a oração são instrumentos fundamentais para a paz e o equilíbrio. Tecnologias dos novos tempos nos dão a falsa impressão de que estamos protegidos e amparados. Esta perspectiva facilita a comunicação e torna a nossa jornada mais funcional, mas não traz harmonia.

Facilidade não é felicidade.

Simplicidade, verdade, amor incondicional, caridade e fé alimentam a nossa espiritualidade. Podemos alcançar a felicidade a partir do outro, da solidariedade e fraternidade; do respeito às aspirações e necessidades vitais de quem caminha conosco.







Oração

Deus de misericórdia e amor,
alimenta a nossa fé,
dá nos coragem e constância,
força para os momentos trabalhosos,
leveza e tolerância.
Faça de nós instrumentos para os seus desígnios,
de nos conceder a vida plena.

Amém.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Passo a Passo

Não há de se ter pressa, 

alterando o passo, 

desarmando o compasso, 

diluindo o abraço. 

Tudo ainda vai florir, 

muitos ainda vão sorrir. 





Não há de se ignorar o vento, 

ainda que não se tenha o alento. 

Se a simplicidade vai adiante, 

não há de se descuidar da fonte, 

a água ainda vai jorrar, 


sementes ainda vão brotar.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Animais Silvestres

Os animais vivem de forma bem adaptada aos locais de seu habitat. Vários fatores destes ecossistemas, bióticos (outros indivíduos vivos) e abióticos (clima, solo, luz solar, água), contribuem para que haja uma perfeita harmonia. Populações diferentes ocupam determinados territórios, outras podem até compartilhar uma mesma área, porém seus hábitos alimentares e reprodutivos não se chocam. Desta maneira uma determinada espécie, adequada ao seu meio e livre da interferência humana, vive de forma harmônica.




O Gambá-comum (Didelphis marsupialis) em seu hábito noturno. Imagem: Cláudio Gontijo/Lassance-MG




Quando espécies de animais silvestres são capturadas e retiradas da natureza, todo o aparato evolutivo formado ao longo de milhões de anos se perde. A relação entre um ser vivo e outro não ocorrerá. O alimento poderá não ser o apropriado. A reprodução, na maioria das vezes, será inexistente. 




O João-de-barro (Furnarius rufus). Imagem: Cláudio Gontijo/Lassance-MG




Embora determinados tipos de mamíferos, aves, répteis,peixes, sejam graciosos e possam despertar a nossa sensibilidade; tocar, afagar, acariciar, quase sempre não é possível. Se insistimos ao tentar comprar determinada espécie, de pessoas ligadas ao tráfico ilegal, se tentamos capturar, estamos submetendo estes seres vivos a um momento de tortura e privação dos seus hábitos naturais. Se avançamos empreendendo uma caça criminosa, cujo objetivo é matar, pelo simples capricho de poder tocar, observar de perto ou, ate mesmo, utilizar como alimento, estamos realizando uma ação ainda mais brutal.

Presos em cativeiros, eles são privados do maior fator para a propagação da espécie, da vida plena; a liberdade. Armazenados de forma inadequada, na maioria das vezes, manejados com pouco conhecimento, eles podem atingir a desnutrição, ficam mais expostos a doenças, atingem momentos de estresse e seu tempo de vida poderá ficar reduzido à metade, ou até muito menos do que isso.




O pequeno Socó (Butorides striatus) à espreita do seu alimento. Imagem: Cláudio Gontijo/Sete Lagoas-MG



Ações humanas voltadas para subtração de espécies silvestres do seu local de sobrevivência natural, também geram exemplos ruins. Alimentam os hábitos de novas gerações de jovens, criam uma cadeia criminosa e perversa. Afinal a beleza de todos estes seres vivos se incorpora ao meio onde vivem e nós somos incapazes de reproduzi-la.