Imagens: Garça-branca-grande (Ardea alba), Bem-te-vi (Pitangus sulphuratus)/Cláudio Gontijo

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Tecidos






Hoje arrematamos mais uma leva do que nos foi enviado.
Costuramos, cuidadosos, com tesoura e agulha.
Fechamos tantos e tantos agasalhos em corpos frágeis, que necessitavam de reparos.
Cortamos e serzimos.
Havia mágoa, cortante. 
Através dos rasgos, mostrava-se a pele esfolada,
manchada,
pesada.
Fizemos remendos. 
E costuramos. 
Deixamos tecidos livres, folgados, leves, para os membros ressentidos, doloridos. 
Braços, mãos, tinham permanecidos expostos ao relento, à indiferença.
Ao vento.
E continuamos, 
e alinhavamos.
Rasgamos o que percebemos em fúria, raiva em botões quebrados.
Tingimos para que todas as vestes mostrassem cores de alegria,
cores da alma limpa e perfumada
de jasmim.
Assim.
E pedimos em preces para que continuássemos com a chance de reparar.  
Sem preconceito,
sem defeito, 
fazendo novas peças de algodão,
e esperança.
Temperança.
E fomos usando todas as tonalidades que nos fossem permitido,
até o fim do dia,
enquanto tecido tivéssemos.

5 comentários:

chica disse...

Lindo te ler!profundas tuas palavras! Adorei o "tecido"! abraços,chica

Celle disse...

Caro amigo, que lindas e profundas palavras e obrigada por me visitar.
Ausente por uma série de motivos, mas com fé em dias melhores, ao visita-lo me deparo com mais uma de suas pérolas. Posso publica-la?
um bom dia!

Cláudio José Gontijo disse...

Chica

Você que vai fazendo brotar páginas e mais páginas vem trazer um pouco da sua delicadeza. Obrigado. Abraços. Cláudio.

Cláudio José Gontijo disse...

Celle

Pessoas otimistas sempre carregam consigo a energia que possibilita a boa mudança. Assim será. Um abraço do amigo. Cláudio.

Cláudio José Gontijo disse...

Utilize o texto como quiser Circele.