Imagens: Garça-branca-grande (Ardea alba), Bem-te-vi (Pitangus sulphuratus)/Cláudio Gontijo

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Pau d'arco, o Ipê da mata.

                                                                                                                                                              Nos meses de agosto a novembro, variando de acordo com o clima e região, ocorre a floração desta bela espécie; Tabebuia serratifolia. A árvore é conhecida como pau d'arco, ipê da mata, ipê do cerrado,entre outras denominações.  O pau d'arco destas imagens foi fotografado em uma mata ciliar,
onde é encontrado com frequência.                                                                                                                                                                                                                              .
  


      



Entre novembro e dezembro as suas flores dão origem a vagens esverdeadas contendo em seu interior as sementes. Em um período curto de tempo estas estruturas secam e são liberadas. Elas são aladas, ou seja, são envolvidas por películas que as tornam facilmente transportadas pelo vento. 







O pau d'arco possui uma casca grossa e pode atingir uma altura média de 20 metros. Sua madeira é muito resistente e durável, motivo pelo qual foi sendo derrubado ao longo dos anos. 





A sua semente pode ser cultivada na produção de mudas. Para este fim as vagens devem ser secas. Retiradas as sementes, elas serão plantadas em sacos apropriados preenchidos com terra que misture argila, areia e humus. A germinação ocorre em duas ou três semanas. Em três ou quatro meses as mudas já podem ser transplantadas.













Imagens e texto: Cláudio Gontijo

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

A natureza cobra












A natureza cobra o que lhe é devido. Cobra a cobertura vegetal, a calha natural dos cursos d'água, o espaços de solo retirados indevidamente, a qualidade do ar atmosférico. Mas não cobra de forma rápida, cobra em longas prestações.

sábado, 25 de janeiro de 2020

As chuvas, os alagamentos.











O homem alterou além do que poderia. A grande expansão industrial na Europa, America do Norte e Ásia, o aumento substancial da frota de veículos no planeta, lançou na atmosfera volumes cada vez mais crescentes de gases. Emissões danosas que modificaram o cinturão natural protetor da terra. Estes buracos expuseram o planeta à maior radiação solar, alteraram a temperatura dos oceanos; um dos fatores mais importantes para toda a mudança climática ocorrida. Os principais países industrializados, os mais ricos economicamente, descumpriram os tratados de controle desta emissão de gases. A conta foi feita e terá que ser paga. O desequilíbrio  global não cobra de forma instantânea, cobra em prestações.

O anormal fenômeno de aquecimento e as alterações nas temperaturas dos oceanos compõem o descontrole climático. Nevascas extensas, alagamentos, incêndios florestais, derretimento das calotas de gelo polares.

O Brasil também errou e sofre estas consequências. A vegetação foi arrancada para os plantios agrícolas em larga escala, para a pecuária e a exploração da madeira. Extensas áreas da floresta amazônica foram dizimadas na prática deste comércio madeireiro e projetos agropecuários. Estima-se que 20% deste bioma já foi destruído.

Hoje restam cerca de 7% de vegetação da Mata Atlântica, esta cobertura vegetal já ocorreu em mais de 30% do território brasileiro.

O cerrado é o segundo bioma da vegetação brasileira. Embora a sua destruição tenha diminuído nos últimos anos, estima-se que quase metade da sua estrutura foi destruída. O plantio de soja e milho, a pecuária, executados por grandes empresas com técnicas e maquinários avançados, foram os principais fatores da sua destruição. Parte do seu corte sistemático ao longo dos anos para a produção de carvão vegetal, alimentando as siderurgias, foi praticado pelos menores proprietários de terra. 

O país hoje possui menor cobertura vegetal, menor evaporação, clima mais quente e desordenado. E sofre por estes dias com as tempestades no sudeste. Grandes massas de ar  úmidas saem da amazônia e cruzam o país. Frentes de ar frio chegam ao sudeste advindas da Antártica. São grandes zonas de convergência (fusão, união). Grande parte destas alterações tem origem também na modificação das brisas marítimas. O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) realiza pesquisas e prevê que nos próximos 60 anos estas chuvas extensas e seus alagamentos irão continuar, em um grande ciclo.

O problema brasileiro conta também com o aumento populacional e ocupação desordenada das cidades, com a falta de um plano diretor que organize este crescimento. Casas construídas nas elevações, cortes extensos em áreas com restos de vegetação nas encostas e morros. Córregos, rios, assoreados pelos sedimentos de terra que se soltam, ou canalizados, não escoam o maior volume de água. O excesso de lixo depositado nas ruas entopem os bueiros que drenariam grandes áreas impermeabilizadas pela pavimentação.

O futuro está ancorado na reversão de boa parte desta realidade. No controle da emissão de gases em tratados mais rígidos, no reflorestamento sistemático. E a maior de todas as ações; a educação ambiental que formará gerações mais críticas. Gerações que vão se alimentando não só do ensino nas salas de aula, mas da visão cruel de todas estas catástrofes. Novas gerações mais preparadas, conscientizadas, para as alterações de todo um contexto equivocado. Jovens que serão capazes de construir de forma sustentável, de forma a respeitar o curso normal do grande bioma terrestre.

sábado, 21 de dezembro de 2019

Amor é proteção










O mal não pode apertar um gatilho, não é capaz de mover uma tecla cibernética para roubar, não pode conduzir os nossos braços e a pronúncia das palavras para agredir. O mal só pode iludir, desequilibrar, na fragilidade. Ele só ronda a nossa mente, nunca a alma, nunca a nossa natureza Divina. É experimentando o amor Daquele que tudo cria, que nos livramos de todo o mal. É servindo que nos é concedida a proteção. Que nunca nos esqueçamos desta realidade: o Pai não admite que nos afastemos do seu amor, porque ele deseja que tenhamos vida. Somente vida.











Imagem e texto: Cláudio Gontijo

Sentir o amor do Pai














O amor do Criador por nós é imensurável. Não podemos medir. Mas podemos senti-lo. 

O que necessitamos saber é que o Criador não admite a possibilidade de deixarmos de experimentar este amor. Por Ele, pela sua vontade, o amor não pode ser ignorado por nós; não pode ser esquecido. Ele deseja que, ao experimentarmos este sentimento, possamos chegar ao equilíbrio em nossas tribulações e vitórias. Nos momentos em que carregamos a Cruz, e, se a Cruz enorme for, esta experiência amorosa pode nós conceder a força, a força sem limites. 

Nós nos deixamos iluminar quando buscamos em toda a Criação a experiência do amor do Pai, quando vamos adquirindo a certeza de que ele nutre este sentimento por nós. Sob esta experiência não abandonamos a verdade, não nos apegamos ao que é ilusório, ao que não nos faz falta.

Quando reclamamos, quando deixamos de ser gratos, nós deixamos de sentir o quanto Ele nos ama. Sem essa experiência nos tornamos vulneráveis, frágeis, influenciáveis. Murmurar é colocar uma certa obscuridade entre nós e o acolhimento Divino. 

A gratidão nos coloca em mansidão, sinal maior do Bem. Experimentando os cuidados do Criador, experimentamos a mansidão da paz.













Imagem e texto: Cláudio Gontijo

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Livres












Transportamos pesados fardos,
fardos de papel e pedras.
Seu peso nem sempre era de todo conhecido,
difícil de ser esquecido,
mas nunca dividido, e sempre vivido.
Fardos que encontramos na calada da noite, insones,
fardos que criamos aos tropeções, em ruas de pensamentos incômodos.
E fomos desenhando a sua forma, e fomos aumentando o seu volume.
Fardos de horas impróprias,
que precisávamos carregar, cargas ilusórias.
Fardos de intolerância.
Mas, um dia, por acaso ou pelo tempo,
fomos, assim, libertos.
Mais leves, abertos,
foi quando deitamos os fardos em terra.
Terra que faz germinar, até mesmo o que purifica, o que modifica.
Lavou-se dúvidas, medos. Passaram os anos.
E agora, moldados, afortunados, em ombros preparados,
poderíamos até procurar novas cargas, novos entraves, fechaduras e chaves.
Mas não quisemos abrir.
Optamos por rir,
da nossa relutância,
sem qualquer importância,
para a paz que escolhemos possuir.






"Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve". Mt 11:30

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Histórias do Sertão 9: Ana, a costureira













Na jornada que muitas vezes é trabalhosa, nem sempre a fé é companheira. Mas foram poucos os momentos em que a crença se perdeu, pela indiferença. A cada semana reforma-se o mesmo compromisso.  Muitos destes que aguardam em suas casas já não entendem com tanta clareza, outras vezes se movimentam com dificuldade mas mantem acesa a sua fé. Já se passaram quase seis anos neste propósito de visitá-los. Mesmo com o peso da idade eles deixam o portão sem qualquer tranca, eles sempre esperam.

Um dia, um mês, alguns anos. Algumas vezes levamos a certeza de que somos instrumentos. Outras vezes de que é preciso esperar e, assim, poder repartir. Cautela nas orações, silêncio, no interior das casas. 

Dona Ana é uma mulher de olhar sereno. Um olhar tão sereno e calmo que mais parece um sorriso sem exagero. Muitas vezes a sua firmeza e seus gestos silenciosos nos fazem medir as palavras, procurando aquelas que podem afagar com ainda mais afago esta senhora que já viveu mais de oitenta anos.

Ela criou muitos filhos. Naquele tempo havia um povoado de movimento, uma cidade que se iniciava. Uma linha férrea. Muitas vezes não havia nem mesmo um vidro com conta gotas, destas que aliviam uma dor de barriga. Nem uma farmácia. Se um daqueles pequenos adoecesse e a febre não pudesse ir embora com um chá de ervas bem escolhidas, era necessário aguardar o horário do trem. O horário muitas vezes não era o que tinha que ser, o percurso era lento. A paciência e a boa vontade sempre permitia que se chegasse até o doutor. Remediava-se quase tudo, como ela me relatou um dia.

Ela costurava muito. Punha os pés nos pedais da máquina e, muitas vezes, atravessava a noite. Noite escura, com a pouca luz da lamparina. A eletricidade a gerador só haveria de chegar muito tempo depois.

O movimento de viajantes na estação também ajudava muito nas despesas. Quitandas, café, bolo, alimentavam aqueles que aguardavam e, em seguida, entravam nos vagões. Seu esposo era quem vendia o que ela preparava. Ele também viveu muito, aproximou-se dos noventa anos. Após um longo tempo, depois do fim da estação de passageiros, deixou Dona Ana, a quem retrato vagamente nestas linhas. Ela viveu com este seu companheiro de casamento, casamento na Igreja e no cartório, mais de sessenta anos. Houve missa, houve festa, houve uma multidão de todos aqueles que surgiram desta união. 

No início desta semana visitei novamente a sua casa. Visito há mais de quatro anos. Ela reza com a fé que facilitou muitas das suas dificuldades quase sem remédio. Esta que recita comigo as suas preces, já conhece todas as palavras. Ela é forte e aparenta isso com facilidade. Certamente ainda cultiva uma boa memória. 

Mais de quatro anos. Em determinas horas penso que já não posso acrescentar como gostaria a esta mulher que tanto prezo. As vezes pareço experimentar uma luz forte, uma luminosidade que se espalha pela sala. O clarão vem quando fecho os olhos e peço por ela. É quando percebo algo mais grandioso em mim e nesta senhora que faz as orações comigo. E, então, sei que ainda devo continuar, com mais coerência. Um pouco da mesma coerência e atenção que vejo nesta Dona Ana, que se coloca diante deste pequeno altar. 

Vou prestando atenção, observando. Gostaria de experimentar, como experimentou durante décadas a Dona Ana. Vamos então partilhando e fazendo as nossas orações na sala de inúmeros porta retratos. São filhos, netos, bisnetos, oriundos dos seus cuidados dosados e do carinho sem tamanho. 

Esta com quem converso todos esses anos, que clama comigo, também me ensina a querer viver ainda mais.  E, teimosamente, todos desejamos aprender. Assim vivemos. E ela também. Certamente ela conhece o segredo destes anos tão longos. Mas certamente, também, continua tratando tudo e todos como sempre fez, com um amor sem jeito de medir.










quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Véu Negro

A incerteza é sim, como um véu negro. Foi a dúvida que me levou a estas palavras, já postadas aqui.










Quando o véu negro cai sobre o nosso olhar,
e nem sabemos,
se vamos experimentar a chuva,
ou ter a grama sob nossos pés,
ou se poderemos continuar,
iremos rir de nós mesmos,
da jornada confusa,
difusa,
quando parecemos pequeninos,
meninos,
no meio do caminho.


E então,

saberemos da sede,
que nem notamos,
e que carregamos,
quando vivemos,
abraçamos,
tocamos.

Respiramos.
Ávidos,
na busca que construímos,
sem bússola

sem fim,
pela  vasta,
bela,

existência,
assim.