Imagens: Garça-branca-grande (Ardea alba), Bem-te-vi (Pitangus sulphuratus)/Cláudio Gontijo

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

A natureza cobra












A natureza cobra o que lhe é devido. Cobra a cobertura vegetal, a calha natural dos cursos d'água, o espaços de solo retirados indevidamente, a qualidade do ar atmosférico. Mas não cobra de forma rápida, cobra em longas prestações.

sábado, 25 de janeiro de 2020

As chuvas, os alagamentos.











O homem alterou além do que poderia. A grande expansão industrial na Europa, America do Norte e Ásia, o aumento substancial da frota de veículos no planeta, lançou na atmosfera volumes cada vez mais crescentes de gases. Emissões danosas que modificaram o cinturão natural protetor da terra. Estes buracos expuseram o planeta à maior radiação solar, alteraram a temperatura dos oceanos; um dos fatores mais importantes para toda a mudança climática ocorrida. Os principais países industrializados, os mais ricos economicamente, descumpriram os tratados de controle desta emissão de gases. A conta foi feita e terá que ser paga. O desequilíbrio  global não cobra de forma instantânea, cobra em prestações.

O anormal fenômeno de aquecimento e as alterações nas temperaturas dos oceanos compõem o descontrole climático. Nevascas extensas, alagamentos, incêndios florestais, derretimento das calotas de gelo polares.

O Brasil também errou e sofre estas consequências. A vegetação foi arrancada para os plantios agrícolas em larga escala, para a pecuária e a exploração da madeira. Extensas áreas da floresta amazônica foram dizimadas na prática deste comércio madeireiro e projetos agropecuários. Estima-se que 20% deste bioma já foi destruído.

Hoje restam cerca de 7% de vegetação da Mata Atlântica, esta cobertura vegetal já ocorreu em mais de 30% do território brasileiro.

O cerrado é o segundo bioma da vegetação brasileira. Embora a sua destruição tenha diminuído nos últimos anos, estima-se que quase metade da sua estrutura foi destruída. O plantio de soja e milho, a pecuária, executados por grandes empresas com técnicas e maquinários avançados, foram os principais fatores da sua destruição. Parte do seu corte sistemático ao longo dos anos para a produção de carvão vegetal, alimentando as siderurgias, foi praticado pelos menores proprietários de terra. 

O país hoje possui menor cobertura vegetal, menor evaporação, clima mais quente e desordenado. E sofre por estes dias com as tempestades no sudeste. Grandes massas de ar  úmidas saem da amazônia e cruzam o país. Frentes de ar frio chegam ao sudeste advindas da Antártica. São grandes zonas de convergência (fusão, união). Grande parte destas alterações tem origem também na modificação das brisas marítimas. O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) realiza pesquisas e prevê que nos próximos 60 anos estas chuvas extensas e seus alagamentos irão continuar, em um grande ciclo.

O problema brasileiro conta também com o aumento populacional e ocupação desordenada das cidades, com a falta de um plano diretor que organize este crescimento. Casas construídas nas elevações, cortes extensos em áreas com restos de vegetação nas encostas e morros. Córregos, rios, assoreados pelos sedimentos de terra que se soltam, ou canalizados, não escoam o maior volume de água. O excesso de lixo depositado nas ruas entopem os bueiros que drenariam grandes áreas impermeabilizadas pela pavimentação.

O futuro está ancorado na reversão de boa parte desta realidade. No controle da emissão de gases em tratados mais rígidos, no reflorestamento sistemático. E a maior de todas as ações; a educação ambiental que formará gerações mais críticas. Gerações que vão se alimentando não só do ensino nas salas de aula, mas da visão cruel de todas estas catástrofes. Novas gerações mais preparadas, conscientizadas, para as alterações de todo um contexto equivocado. Jovens que serão capazes de construir de forma sustentável, de forma a respeitar o curso normal do grande bioma terrestre.

sábado, 21 de dezembro de 2019

Amor é proteção










O mal não pode apertar um gatilho, não é capaz de mover uma tecla cibernética para roubar, não pode conduzir os nossos braços e a pronúncia das palavras para agredir. O mal só pode iludir, desequilibrar, na fragilidade. Ele só ronda a nossa mente, nunca a alma, nunca a nossa natureza Divina. É experimentando o amor Daquele que tudo cria, que nos livramos de todo o mal. É servindo que nos é concedida a proteção. Que nunca nos esqueçamos desta realidade: o Pai não admite que nos afastemos do seu amor, porque ele deseja que tenhamos vida. Somente vida.











Imagem e texto: Cláudio Gontijo

Sentir o amor do Pai














O amor do Criador por nós é imensurável. Não podemos medir. Mas podemos senti-lo. 

O que necessitamos saber é que o Criador não admite a possibilidade de deixarmos de experimentar este amor. Por Ele, pela sua vontade, o amor não pode ser ignorado por nós; não pode ser esquecido. Ele deseja que, ao experimentarmos este sentimento, possamos chegar ao equilíbrio em nossas tribulações e vitórias. Nos momentos em que carregamos a Cruz, e, se a Cruz enorme for, esta experiência amorosa pode nós conceder a força, a força sem limites. 

Nós nos deixamos iluminar quando buscamos em toda a Criação a experiência do amor do Pai, quando vamos adquirindo a certeza de que ele nutre este sentimento por nós. Sob esta experiência não abandonamos a verdade, não nos apegamos ao que é ilusório, ao que não nos faz falta.

Quando reclamamos, quando deixamos de ser gratos, nós deixamos de sentir o quanto Ele nos ama. Sem essa experiência nos tornamos vulneráveis, frágeis, influenciáveis. Murmurar é colocar uma certa obscuridade entre nós e o acolhimento Divino. 

A gratidão nos coloca em mansidão, sinal maior do Bem. Experimentando os cuidados do Criador, experimentamos a mansidão da paz.













Imagem e texto: Cláudio Gontijo

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Livres












Transportamos pesados fardos,
fardos de papel e pedras.
Seu peso nem sempre era de todo conhecido,
difícil de ser esquecido,
mas nunca dividido, e sempre vivido.
Fardos que encontramos na calada da noite, insones,
fardos que criamos aos tropeções, em ruas de pensamentos incômodos.
E fomos desenhando a sua forma, e fomos aumentando o seu volume.
Fardos de horas impróprias,
que precisávamos carregar, cargas ilusórias.
Fardos de intolerância.
Mas, um dia, por acaso ou pelo tempo,
fomos, assim, libertos.
Mais leves, abertos,
foi quando deitamos os fardos em terra.
Terra que faz germinar, até mesmo o que purifica, o que modifica.
Lavou-se dúvidas, medos. Passaram os anos.
E agora, moldados, afortunados, em ombros preparados,
poderíamos até procurar novas cargas, novos entraves, fechaduras e chaves.
Mas não quisemos abrir.
Optamos por rir,
da nossa relutância,
sem qualquer importância,
para a paz que escolhemos possuir.






"Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve". Mt 11:30

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Véu Negro

A incerteza é sim, como um véu negro. Foi a dúvida que me levou a estas palavras, já postadas aqui.










Quando o véu negro cai sobre o nosso olhar,
e nem sabemos,
se vamos experimentar a chuva,
ou ter a grama sob nossos pés,
ou se poderemos continuar,
iremos rir de nós mesmos,
da jornada confusa,
difusa,
quando parecemos pequeninos,
meninos,
no meio do caminho.


E então,

saberemos da sede,
que nem notamos,
e que carregamos,
quando vivemos,
abraçamos,
tocamos.

Respiramos.
Ávidos,
na busca que construímos,
sem bússola

sem fim,
pela  vasta,
bela,

existência,
assim.


segunda-feira, 19 de agosto de 2019

O Caminho

Há alguns anos escrevi estas palavras. É bem provável que carregamos conosco muitas das nossas referências, talvez elas sejam uma grande parte de nós. E tomara que sejam boas.





Estou voltando prá casa. 

Talvez tenha andado pouco,

mas os rastros não são ilusórios.

Volto como quem retorna;

sem máscaras,

sem luvas,

sem métodos.

Não calculei a jornada,

e se sinto dores, rancores,

não vou deixar o caminho.

Ao mover-me faço escolhas,

abdico sem diminuir o ritmo.

Preciso avisar que,

as tarefas que experimentei,

não tornaram rudes os meus passos.

Pouco me importa,

se já cheguei a perder a razão,

pois sei que modifiquei muitas trilhas.

Estou de volta

e sou o que sou.



Estou rumando prá onde posso ficar,

onde continuo a me libertar.

Estou a um passo de lá.









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sexta-feira, 9 de agosto de 2019

O tempo













Toda a lida trabalhosa de suor e sangue,
todos as conversas convenientes repetidas em qualquer momento, sem hora,
todos as nossas inúmeras preces de pouca demora,
nossos jejuns de quase nada,
agora são pálidos e doentios demais,
porque só os fizemos com um único olhar, sobre nós mesmos.
E se fomos exemplos, desenvoltos, altivos em prosperidade,
agora, pobres,
permanecemos por longos períodos em espera,
do abraço apertado que quase sempre ignoramos,
e até ironizamos.
Já aguardamos o sorriso largo que nunca esboçamos.
Esperamos afoitos em ante salas, em consultórios.
Nossas posses já não nos servem.
Nossos desejos anunciados são, agora, clamores pálidos.
Tentamos afastar a indiferença,
a visão que se turvou para a miséria,
para as enfermidades físicas que nunca foram nossas.
Caminhamos à espera de qualquer paisagem ou alento,
que nos devolva as paixões,
todas aquelas que deixamos germinar em terrenos sofisticados.
Queremos a nós mesmos, mais ainda, a verdade do tempo,
a paz que nunca consideramos.
Esperamos pela esperança que nem nos fazia falta.
E queremos misericórdia.
E queremos mais alguns anos,
algumas chances, ainda que não sejam muitas.
No final estaremos mais marcados pelas rugas,
sulcos profundos,
gestos mais fecundos.
No final seremos mais inteiros e presentes,
seremos o que não cultivamos,
com mais piedade,
com menos vaidade.
Em resumo das horas,
nos veremos na ponte que nos distancia do que realmente nunca nos fez falta.