Imagens: Garça-branca-grande (Ardea alba), Bem-te-vi (Pitangus sulphuratus)/Cláudio Gontijo

sábado, 24 de outubro de 2026

Ônus e bônus. Preconceito ou justiça?

 



Há mais de 20 anos atrás iniciou-se o maior conjunto de programas sociais da nossa história. Benefícios impensáveis para os tempos de luta e sobrevivência de outrora. Mais jovens nas universidades, mais acesso a moradias, maior universalidade do sistema de saúde pública, valorização do salário mínimo, mais incrementos salariais para os professores. Veio também a efetiva e dura luta pela erradicação da fome. 

Eram tempos em que os grandes empreendedores, das redes de lojas, das indústrias, do sistema bancário, do agronegócio, faziam seus cálculos e, sempre a contragosto, observavam uma ínfima parcela dos seus ganhos ser direcionada aos que pouco possuíam.

Mas, de novo, lentamente, fomos amanhecendo em outros dias de equívocos e radicalismo. E o novo tempo veio trazendo a intolerância velada, travestida de fé e moralidade. Veio na obscuridade, na desinformação, mergulhado na manipulação de notícias falsas, na falta de verdadeira erudição. Neste contexto frutificaram práticas religiosas farisáicas, formando conglomerados a serviço de um poder político recheado com o ódio e o desrespeito. Veio também um nacionalismo mercantilista, pálido, frágil e agressivo, como os seus protagonistas.

O lucro estratosférico já não pode ser retirado, nem em parcelas mínimas. A fome empreendedora deu lugar aos direitos que haviam sido estabelecidos. A obsessiva e desmedida sede pelo conforto social, pelas benesses, pelos privilégios, pavimenta este novo tempo. Um enorme contingente de pessoas, com menor capacidade crítica, vive à margem desta classe que domina e ilude em promessas de uma segurança mais intolerante e violenta. Uma classe que se confunde com a corrupção que se propõe a combater.

Após todo o esforço, ficarão os momentos que irão se colocar diante de nós. Como amanheceremos? Observando no horizonte o ônus de um extremismo dilacerante, truculento, ilusório ou o bônus da liberdade, da dignidade e da paz?

Não há mais o que considerar.




Cláudio Gontijo/Biólogo, Licenciado em Química. Professor da rede particular e pública de ensino. 

Fale comigo: gontijocj@yahoo.com.br