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Imagens: Sicalis flaveola (Canário-da-terra)/Cláudio Gontijo/Lassance-MG

terça-feira, 13 de agosto de 2013

A Coruja e o João-de-Barro


Há algum tempo ouvi sons estranhos que vinham dos galhos de uma árvore, um velho Tamboril. Piados repetitivos, numa sequência quase hipnótica. Já era noite alta, escura, de lua crescente. Fui até a árvore, a poucos metros da varanda e foquei a lanterna numa casa de joão-de-barro. Tive uma surpresa. Na pequena porta de entrada uma outra ave se mostrava. Não era quem deveria estar ali.

Disparei a máquina, buscando o foco no clarão efetuado pela lanterna. Ainda surpreso, lembrei-me de que o João-de-barro não costuma reutilizar seu ninho. Sua opção é pela tolerância e partilha. Enquanto seus ninhos resistem às intempéries, vão sendo utilizados por outras espécies de pássaros.


A coruja-do-campo e a casa do joão-de-barro. Imagem: Cláudio J Gontijo/Lassance-MG

Mas o que fazia ali uma Coruja-do-Campo. Ave de rapina, que costuma arquitetar seu ninho em buracos no chão. Por isto são também chamadas de Corujas-buraqueiras. A figura estava lá, estática, à entrada do ninho. Parecia uma rolha, obstruindo a casinha de barro.

A ave predadora teria invadido o ninho de outra espécie, buscando pequenos ovos e filhotes? Ou estaria naquele local compondo a reprodução da sua própria espécie ?

Na tarde de hoje, dentro das muitas reflexões, recordei-me do João-de-barro e da Coruja. Lembrei-me novamente da partilha e senti saudade. Vontade de rever muitos e muitos amigos distantes. Personagens de encontros e desencontros, como aqueles pássaros. Espécies difusas, de hábitos alimentares contrários, mas de histórias afins. Propiciadas pela necessidade de sobrevivência, na grande e eterna comunhão ecossistémica.
Concluí que a proximidade e a convivência são pilares que vão solidificando os valores de toda uma existência. Uma vida em comum que edifica, que apara as diferenças e promove o crescimento. Uma jornada que se torna mais rica a cada di.a, para afastar o vazio e as arestas, para promover a vida plena e verdadeira. A exemplo da Coruja e do João-de-barro
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