Imagens: Garça-branca-grande (Ardea alba), Bem-te-vi (Pitangus sulphuratus)/Cláudio Gontijo

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Abelha-europa, Apis mellifera. Colméia, néctar, mel, aguilhão.

 

As abelhas-europeias, abelhas-da-europa, abelhas-europa, como são conhecidas, são da espécie Apis mellifera. Elas foram trazidas para as Américas pelos ingleses, espanhóis e portugueses entre os séculos XVII e XIX.  






Morfologia básica 

O corpo da abelha é dividido em cabeça, tórax e abdômen. Na cabeça estão, principalmente, o dois olhos compostos (na região lateral) para detectar distâncias e três olhos simples (no topo) para detectar a luz. Um par de antenas sensoriais para sentir cheiros, o aparelho bucal com capacidade para lamber, sugar e processar o néctar e o pólen que retiram das flores. Em poucos minutos uma abelha é capaz de visitar dezenas de flores. 

O tórax é a região motora, onde estão inseridas dois pares de asas e três pares de patas. 

No abdômen estão o sistema digestório, onde o néctar é armazenado e depois enviado às glândulas produtoras de mel e cera. Localiza-se também nesta região o aparelho reprodutor e o ferrão. Um única abelha produz cerca de 5 gramas de mel por  ano. Uma grande colmeia é capaz de produzir de 20 a 50 litros de mel a cada ano, dependendo da saúde desta população, das condições climáticas, da disponibilidade alimentar.



                            Partes importantes da estrutura corporal da abelha. 




Colmeia 


As abelhas vivem em colónias permanentes, formadas por uma rainha ou abelha mestra (no máximo, e excepcionalmente, duas), obreiras (entre 10 mil e 15 mil) e entre 500 e 1 500 zangões, que são os machos. As fêmeas diferenciam-se dos zangões por possuírem ferrão. Abelhas obreiras ou operárias produzem cera, mel e constroem a estrutura da colméia. A abelha rainha possui a única função de depositar os ovos no interior dos favos, que irão evoluir para larvas e para as formas adultas. Os zangões realizam o vôo nupcial, fecundam a rainha e morrem logo em seguida. A rainha é capaz de depositar cerca de 1000 ovos por dia e, durante o vôo nupcial, pode ser fecundada por vários zangões.

 Abelhas operárias vivem em média quatro a seis semanas, em função de seu extremo desgaste realizando o trabalho de construção da colmeia, coleta de polén e néctar, alimentação e proteção de toda a colônia. Nos meses mais frios podem viver até 5 meses, por sua baixa atividade. A rainha vive entre dois a cinco anos e os zangões viverão por 80 dias. 





Abelhas se movimentam entre os favos na colmeia, secretando o mel que alimentará as larvas. Uma destas secreções, especiais, ainda mais rica em nutrientes, alimentará especificamente a abelha rainha. 




As abelhas no ambiente urbano 

Ondas de calor extremo e a transição para estações mais quentes (como a primavera e o verão) aceleram o metabolismo das abelhas, estimulando a reprodução e novas migrações. Grupos numerosos de abelhas, os enxames, vão se movimentar, migrar, para outras regiões, buscando condições favoráveis para se instalarem. Durante o vôo migratório ocorrerão momentos em que o enxame poderá fazer pausas, acumulando-se em troncos e copas de árvores. 

Nestes períodos pode ocorrer que estas paradas ocorram no interior das cidades, em função de atrativos como, por exemplo, uma maior diversidade de flores nos jardins das casas e passeios. Neste ambiente as operárias manterão a sua função de proteger o grupo e podem se tornar muito agressivas. Sons altos, movimentação súbita de pessoas, proximidade maior com os locais onde se depositam, fazem com que elas ataquem em número cada vez maior.  A cada ataque é depositado no corpo da vítima um aguilhão (ferrão) contendo substâncias peçonhentas, dolorosas, que podem causar intensas reações alérgicas e até a morte. 

O desequilíbrio ecológico, com a destruição do  habitat destes insetos, as grandes alterações climáticas, o uso de agrotóxicos, está contribuindo para fluxos migratórios cada vez mais frequentes, principalmente envolvendo cidades próximas a áreas de maiores práticas agropecuárias. 




A abelha coletando néctar e pólen. De glândulas do seu corpo são secretados os feromônios, substâncias capazes de atrair outras abelhas. É possível observar os minúsculos pêlos no corpo, que são também sensíveis estruturas sensoriais. 





Cláudio Gontijo/Biólogo, licenciado em Química 

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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

A barata- americana, Periplaneta americana

 





Estas espécies de baratas são insetos onívoros, ou seja, possuem uma alimentação que inclui resíduos vegetais e animais. Invadem com frequência o ambiente doméstico atraídas  principalmente por doces, alimentos gordurosos e de origem animal. Elas podem viver uma semana sem se hidratar e são capazes de permanecer mais de três semanas sem se alimentar.  




Grande capacidade de adaptação e sobrevivência 


Estes insetos estão no planeta em uma linha evolutiva que atravessa mais de 300 milhões de anos. O que comprova a sua enorme capacidade de adaptação, de resistir a mudanças climáticas, intempéries, e de se recomporem quando sofrem lesões. 

Eles podem permanecer sem a cabeça por um período de 7 a 25 dias. 

A sua respiração é realizada por trocas gasosas ao longo do corpo. O oxigênio entra por pequenos estruturas/orifícios nas laterais do corpo chamados espiráculos, localizados principalmente em regiões do tórax e abdômen.

O sistema nervoso não se concentra na cabeça, ele está espalhado ao longo do corpo em gânglios de neurônios. Estas estruturas, portanto, são capazes de comandar os movimentos do inseto, mesmo sem a região cefálica. Com uma circulação ativa de fluídos no corpo, a sua cabeça pode ser reconstituída em períodos curtos. 

O que determina a sua morte quando decapitadas é, durante o período citado, a desidratação e a falta de alimentação.

Elas são capazes de detectar situações ameaçadoras através de mudanças na corrente do ar, em função de  minúsculos pêlos nas costas e patas que funcionam como sensores. 


Partes importantes do corpo da barata americana. Os orifícios para respiração estão localizados principalmente no protórax, metatórax, abdômen 
Os pêlos são mais visíveis nas patas. Juntamente com as antenas formam estruturas sensoriais.



Reprodução e habitat


Estas espécies vivem no ambiente externo, em meio à vegetação, mas, atraídas pelos resíduos alimentares, podem passar a viver nos esgotos, fossas sépticas, em locais com acúmulo de lixo. 


O ciclo reprodutivo destas baratas possui um período de 6 a 12 meses. Ocorre o acasalamento, os ovos são depositados em sacos que permanecem no abdômen. Estes grupos de ovos são colocados pelo inseto em locais propícios, com boa umidade e alimentos residuais. Eles eclodem, transformam-se em ninfas que, após várias mudanças, atingem a fase adulta com capacidade reprodutiva. Ao todo, o período poderá durar, em média, 24 a 36 semanas. Cada barata pode viver por cerca de 9 a 12 meses e durante este período é capaz de produzir mais de 150 ovos. 


Ciclo reprodutivo simplificado



Riscos, doenças


As baratas vivem em ambientes com matéria orgânica em decomposição e podem, assim, repassar fungos, bactérias, vírus, protozoários, vermes, aos alimentos que ingerimos. 


- Salmonelose: Causada pela bactéria Salmonella, gera diarreia intensa, cólicas e febre.

- Infecções por bactérias E. coli e Shigella. Provocam quadros severos de diarreia, vômitos e disenteria.

- Gastroenterite: Inflamação do trato digestivo que leva à desidratação rápida.

- Febre Tifoide: Infecção bacteriana sistêmica grave. 

- Doenças respiratórias em função dos resíduos do seu corpo que são espalhados no ar e inalados.

- Verminoses que chegam ao organismo humano por ovos destes parasitas que são disseminados nos alimentos através das patas das baratas. Exemplos importantes destes vermes são lombrigas (ascaridíase), tênias (teníase).

- Viroses como hepatite A, poliomielite.

- Dermatites, infecções na pele.



Higiene máxima e prevenção 


De forma simples, a higienização dos ambientes, o saneamento básico, a limpeza corporal,  são as medidas elementares para afastar estes insetos vetores. 

O acondicionamento eficaz e constante do lixo é de fundamental importância. 

O extermínio destes insetos através de produtos químicos bem orientados, como iscas apropriadas, gels, que podem ser aplicados em vários pontos da casa, devem ser feitos com regularidade, determinada por dedetizadores especializados.



Cláudio Gontijo/ Biólogo, licenciado em Química.

Fale comigo: gontijocj@yahoo.com.br

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Pombos, Columba livia, os ratos de asas e as criptococoses

Uma  das espécies mais comuns de pombos, que se adaptaram ao ambiente urbano é a chamada Columba livia. Na cidade eles encontram alimento em maior quantidade, são tolerados pela população e não são incomodados por predadores. Normalmente, na natureza, fazem ninhos em locais altos, de pouco acesso e  alimentam-se de sementes e grãos. Fora do seu habitat eles buscam o interior dos telhados, forros, de casas mais altas, para moradia e reprodução.



Os pombos buscam alimento em diversos lugares

Vivem em grupo e podem localizar com precisão seus pontos de reprodução mesmo quando se afastam a dezenas de quilômetros. Um casal se reproduz 4 a 5 vezes por ano com dois ovos em média por ninhada. Em duas semanas os ovos eclodem e os filhotes voam em mais 4 semanas.  Quando identificam regiões de acesso para o seu acasalamento, atraem outros da mesma população. Quanto maior a disponibilidade de água e alimento maior é sua frequência reprodutiva. Como não possuem um paladar exigente para a alimentação, ingerem restos de comida deixada fora do interior das casas e até mesmo restos de alimentos no lixo.


O ninho em vãos do telhado.

Estas aves frequentam vários ambientes nas cidades e este é um dos fatores pelos quais costumam adquirir grande quantidade de fungos, bactérias. Os microrganismos podem contaminar a água e os alimentos. As fezes dos pombos secam e são espalhadas pelo vento podendo causar doenças como alergias, dermatites (erupções na pele e coceiras), ou mais graves como a criptococose, ornitose, salmonelose (bactéria Salmonella presente nas fezes, que contamina carne e ovos, causando intoxicação alimentar com diarreia, vômitos, febre). A criptococose é transmitida pela inalação de fungos através da poeira das fezes secas destes animais. Atinge o pulmão, o sistema nervoso central, com infecções pulmonares e determinadas formas de meningite.



Pombos no telhado, as frestas foram fechadas


É possível afastá-los, promovendo a sua migração para ambientes naturais adequados:

- Não deixar restos de alimentos mal acondicionados; farelos, rações, cereais.
- Não alimentar os pombos.
- Fechar os vãos dos telhados, forros, frestas.
- Retirar ninhos e limpar as fezes com desinfetantes.


Embora tenham uma aparência mansa e muitos os associarem à paz e a beleza das cidades, os pombos urbanos representam riscos para a saúde pública. Na verdade não possuem nada de atrativos se considerarmos que são reservatórios naturais assintomáticos de inúmeros microrganismos. Ações educativas, informativas, devem ser 
realizadas pelas equipes de zoonoses, direcionadas à população de um modo geral, prestando esclarecimentos sobre a real situação destas aves entre as  ruas e casas, no ambiente urbano.




Cláudio Gontijo/ Biólogo, licenciado em Química.

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Cores e pássaros

 


 




























Imagens: Cláudio J Gontijo

Biólogo, licenciado em Química.


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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Mimetismo e camuflagem, a luta pela sobrevivência

 Dentro da luta pela sobrevivência que ocorre todos os dias, na verdade a cada segundo, no interior dos ecossistemas, a seleção natural determina o que é fundamental; os mais aptos e melhor adaptados irão perpetuar a sua espécie. A camuflagem e o mimetismo fazem parte de comportamentos adaptativos das populações na luta pela vida. 


1- Camuflagem

A camuflagem é uma característica que o ser vivo adquire, permitindo a ele misturar-se ao ambiente em que vive sem ser notado com facilidade. Desta forma ele pode fugir de predadores ou, como predador, capturar a sua presa. Vários tipos de insetos como mariposas, gafanhotos, formigas, apresentam cores muito semelhantes a troncos de árvores, folhas ou ao território onde vivem, nos quais não poderão ser vistos com facilidade. Alguns tipos de aracnídeos e crustáceos também estão neste grupo.



Uma borboleta confunde-se com o tronco de uma árvore. Imagem: Cláudio J Gontijo



Durante o longo período evolutivo de uma espécie, por exemplo, aqueles seres vivos que apresentaram cores ou formas que facilitassem alguma maneira de camuflagem, eram presas menos identificadas. Na camuflagem estes seres vivos apresentam morfologia que permite a eles se misturarem ao ambiente externo. Estes seres sobreviveram, carregaram estas características genéticas e as repassaram aos seus descendentes. Formaram-se assim grupos mais aptos às condições daquele ecossistema. Os outros indivíduos menos favorecidos, dentro da variabilidade de cores e formas, eram eliminados pelo fato de serem identificados mais facilmente e capturados por seus predadores.



Muitas espécies de aves também podem camuflar-se junto ao solo. Imagem: Claudio J Gontijo



Outras espécies como camaleões e peixes apresentam substâncias secretadas por glândulas epidérmicas denominadas cromatóforos. Estes pigmentos fornecem a capacidade de alteração na coloração da pele conforme a necessidade, e uma melhor camuflagem.


2- Mimetismo


Alguns tipos de ofídios não peçonhentos adquirem cores que os assemelham a outras serpentes capazes de inocular o seu veneno. A cobra-coral adquire uma certa coloração (distribuição de anéis) que as tornam muito parecidas com as cobras corais ( ditas verdadeiras) venenosas e muito temidas. Desta forma elas adquirem um determinado tipo de defesa em relação a muitos predadores que chegam a evitá-las. O comportamento deste réptil é o mimetismo.

Espécies afins com grande semelhança; mimetismo. A coral da esquerda não é peçonhenta, ao contrário da figura à direita. Imagem web



No mimetismo um indivíduo possui cores ou formatos que o assemelha a outro ser vivo de espécie afim, apresentando a capacidade de assemelhar-se a outro, confundindo-se com o mesmo. Existem anfíbios (rãs), insetos (abelhas,borboletas), aves e outros tipos de animais que também apresentam este tipo de postura.



O mimetismo entre duas borboletas de espécies diferentes. Imagem: mongabay.com





Cláudio Gontijo/ Biólogo, licenciado em Química.

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segunda-feira, 20 de julho de 2026

Escorpiões: artrópodes predadores

 Em períodos chuvosos alguns seres vivos costumam se deslocar com frequência de um local para outro à procura de maior proteção e de alimento. Entre eles estão os escorpiões.


Os escorpiões são predadores de hábitos noturnos. Alimentam se de baratas, grilos, moscas, larvas, aranhas. Vivem naturalmente debaixo das pedras, dos troncos de madeira e folhas em decomposição. Muitas vezes encontram o seu alimento nos entulhos que deixamos. Eles também são canibais, podendo devorar os da sua própria espécie.

Sua visão é pequena, porém ele é capaz de perceber as vibrações e o calor das suas presas através de minúsculas estruturas (estigmas) localizadas no seu corpo, dos seus pedipalpos (palpos) e patas. Por isto são extremamente perigosos.






Estes seres são aracnídeos. Estão no mesmo grupo das aranhas comuns. Seus ancestrais vivem no planeta há mais de 400 milhões de anos, daí a sua grande capacidade de adaptação a diversos ecossistemas. Possuem um exoesqueleto (carapaça externa) resistente. Esta camada protetora dificulta o seu extermínio.

Das mais de 130 espécies de escorpiões conhecidas no Brasil,  três espécies  estão entre as mais comuns nos acidentes em função de sua picada e veneno.

São elas:

Tityus serrulatus - o escorpião amarelo, comum principalmente no sul e sudeste, campeão em acidentes urbanos.

Tityus serrulatus 


Tityus bahiensis - muito comum em acidentes rurais, encontrado com mais frequência nas regiões centrais e no nordeste.


Tityus bahiensis


Tityus stigmurus - conhecido como escorpião do nordeste.


Tityus stigmurus



A espécie Tityus serrulatus se reproduz por partenogênese. A partenogênese é uma forma de reprodução assexuada, sem necessidade de um casal. A fêmea produz inúmeros ovos que darão origem às formas adultas. A sua multiplicação ocorre com facilidade. Uma fêmea pode gerar aproximadamente entre 30 e 40 filhotes a cada ano. Estes permanecem no dorso da mãe por cerca de uma a duas semanas até se espalharem.

O veneno, peçonha, destas espécies age no sistema nervoso, ou seja, é neurotóxico. Afeta o sistema respiratório podendo causar a morte por parada cárdio respiratória. Pode ser fatal em crianças, idosos, pessoas debilitadas. A picada costuma ser muito dolorosa. A dor se espalha pelo corpo tornando-o sensível a qualquer toque. 

Os predadores naturais dos escorpiões são aves (gaviões, corujas), anfíbios, cobras e alguns mamíferos como o gambá, o macaco. Muitos destes animais enfrentam dificuldades de sobrevivência em função da destruição dos seus habitats (cerrado, matas ciliares, cursos d'água). Sem os seus predadores estes aracnídeos se multiplicam e migram para vários locais.

É possível evitar muitos dos acidentes com os escorpiões. 1- Manter o ambiente doméstico limpo e livre de entulhos. 2- Vedar bem a entrada das fossas. 3- Verificar sempre o vestuário, as roupas de cama e os sapatos antes de utilizá-los.




Cláudio Gontijo/ Biólogo, licenciado em Química.

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Imagens do Sertão

 














































Imagens: Cláudio J Gontijo

Biólogo, licenciado em Química.

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domingo, 14 de junho de 2026

Consolar

 

Imagem: casal de canários da terra/Sicalis flaveola/Claudio Gontijo 


Não é fácil achar palavras que curem, 

ainda que em prece e clamor.

É que há temor de que não venha o alivio, 

para a dor,

para o torpor.

Vem então o silêncio.

Silêncio para ouvir, 

gemidos de solidão,

abandono,

aflição,

e de tudo o que ainda está por vir.

Tomara que no silêncio haja intimidade.

bondade.

Tomara que haja respeito, 

mas não apenas,

porque quando já não houver mais palavras,

que venha então esperança,

temperança,

aliança.

E assim ao menos se possa acolher,

e deixar viver,

conviver.

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