Imagens: Garça-branca-grande (Ardea alba), Bem-te-vi (Pitangus sulphuratus)/Cláudio Gontijo

quarta-feira, 15 de março de 2017

Viver para os outros



Quando tocamos em algo, deixamos as nossas impressões digitais. Quando tocamos a vida das pessoas, deixamos nossa identidade. 

A vida é boa quando você está feliz; mas a vida é muito melhor quando os outros estão felizes por causa de você. Seja fiel ao tocar os corações dos outros, seja uma inspiração. Nada é mais importante e digno de praticar do que ser um canal das bençãos de Deus. 

Nada na natureza vive pra si mesmo. Os rios não bebem a sua própria água, as árvores não comem seus próprios frutos. O sol não brilha para si mesmo, as flores não espalham sua fragrância para si. 









Jesus não se sacrificou por si mesmo, mas por nós. Viver para os outros é uma regra da natureza. Todos nós nascemos para ajudar uns aos outros. Não importa o quão difícil seja a situação em que você se encontre, continue fazendo o bem aos outros.





Baseado em um relato do Papa Francisco.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Um artrópode predador: o escorpião

Em períodos chuvosos alguns seres vivos costumam se deslocar com frequência de um local para outro à procura de maior proteção e de alimento. Entre eles estão os escorpiões.

Os escorpiões são predadores de hábitos noturnos. Alimentam se de baratas, grilos, moscas, larvas, aranhas. Vivem naturalmente debaixo das pedras, dos troncos de madeira e folhas em decomposição. Muitas vezes encontram o seu alimento nos entulhos que deixamos. Eles também são canibais, podendo devorar os da sua própria espécie.

Sua visão é pequena, porém ele é capaz de perceber as vibrações e o calor das suas presas através de minúsculas estruturas (estigmas) localizadas no seu corpo, dos seus pedipalpos (palpos) e patas. Por isto são extremamente perigosos.






Estes seres são aracnídeos. Estão no mesmo grupo das aranhas comuns. Seus ancestrais vivem no planeta há mais de 400 milhões de anos, daí a sua grande capacidade de adaptação a diversos ecossistemas. Possuem um exoesqueleto (carapaça externa) resistente. Esta camada protetora dificulta o seu extermínio.

Das mais de 130 espécies de escorpiões conhecidas no Brasil,  três espécies  estão entre as mais comuns nos acidentes em função de sua picada e veneno.

São elas:

Tityus serrulatus - o escorpião amarelo, comum principalmente no sul e sudeste, campeão em acidentes urbanos.

Tityus serrulatus 


Tityus bahiensis - muito comum em acidentes rurais, encontrado com mais frequência nas regiões centrais e no nordeste.


Tityus bahiensis


Tityus stigmurus - conhecido como escorpião do nordeste.


Tityus stigmurus



A espécie Tityus serrulatus se reproduz por partenogênese. A partenogênese é uma forma de reprodução assexuada, sem necessidade de um casal. A fêmea produz inúmeros ovos que darão origem às formas adultas. A sua multiplicação ocorre com facilidade. Uma fêmea pode gerar aproximadamente entre 30 e 40 filhotes a cada ano. Estes permanecem no dorso da mãe por cerca de uma a duas semanas até se espalharem.

O veneno, peçonha, destas espécies age no sistema nervoso, ou seja, é neurotóxico. Afeta o sistema respiratório podendo causar a morte por parada cardio respiratória. Pode ser fatal em crianças, idosos, pessoas debilitadas. A picada costuma ser muito dolorosa. A dor se espalha pelo corpo tornando-o sensível a qualquer toque. 

Os predadores naturais dos escorpiões são aves (gaviões, corujas), anfíbios, cobras e alguns mamíferos como o gambá, o macaco. Muitos destes animais enfrentam dificuldades de sobrevivência em função da destruição dos seus habitats (cerrado, matas ciliares, cursos d'água). Sem os seus predadores estes aracnídeos se multiplicam e migram para vários locais.

É possível evitar muitos dos acidentes com os escorpiões. 1- Manter o ambiente doméstico limpo e livre de entulhos. 2- Vedar bem a entrada das fossas. 3- Verificar sempre o vestuário, as roupas de cama e os sapatos antes de utilizá-los.



domingo, 11 de dezembro de 2016

Muito pobres



Os caminhos que levam à serenidade não costumam ser serenos. São confusos e cheios de provações, experimentos falhos. Muitos são ilusórios. As jornadas são longas, muito longas, e nos parecem intermináveis. 

Muitos em suas situações tortuosas e viciadas, amaldiçoados, são alguns dos que experimentaram a paz. Durante os seus erros, à margem da existência comum, mantiveram a mansidão e enxergaram a suas imperfeições com paciência. Foi preciso caridade, com os que tropeçavam e consigo próprios.

Aqueles que se contentaram com os seus pertences, mesmo pobres, puderam carrega-los sem qualquer dúvida. Não tiveram a vergonha de expor vestimentas e sonhos simples. Não tiveram medo de mostrar sinceridade, mesmo sob teimosia e descrença.

Após diversas tormentas, sob o solo da miséria, ainda se manteve a esperança.  Muitas formas de preconceitos caíram durante a provação, muitas formas de amizade nasceram do sofrimento, muitas vasilhas de alimento chegaram durante a fome.












domingo, 4 de dezembro de 2016

José Ribamar Ferreira, Ferreira Gullar







"A poesia é a tristeza transformada em alegria". O autor desta frase, José Ribamar Ferreira, partiu hoje, aos 86 anos. Não há como descrever a sua genialidade literária.

Algumas poucas frases deste poema o descrevem, ainda que de forma incompleta:

"Uma parte de mim 
almoça e janta;
outra parte 
se espanta.

Uma parte de mim 
é permanente;
outra parte 
se sabe de repente".

Do Poema: Traduzir-se / Ferreira Gullar

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Grato


Agradeço por continuar a minha jornada. Então, recoloco esta reflexão:


"Já não basta agradecer.
Enquanto envelheço vou lembrar.
Dos irmãos que nunca me serão subtraídos,
da mãe que desejamos guardar longe do tempo e da morte.
Lembro do que ganhei, do que sonhei, do que não fiz, do que nunca serei,do que tenho feito, do que ainda terminarei.
Esqueço o que adiei.
Lembro e rezo, rezo e adormeço.
Acordo e lembro.
Lembro e vivo.
Lembro de quase tudo sem ter que descrever em sofreguidão.
Dos córregos, do cheiro de esterco e das roseiras,
da escuridão silenciosa e ampla na varanda da minha infância,
de onde se tinha poucas imagens e escassos recursos.
Lembro de que nem tinha pressa,
nem conhecimento da urgência no grande relógio ao fim do corredor.
Lembro do que me foi ofertado,
lembro que, então, sorri e segui.
Mas ainda assim dou graças por Ana e Cláudia,
dou graças pelo que ainda posso enxergar.
Dou graças por ter como servir,
dou graças por ter partilhado com os humildes.
Dou graças por ter sobrevivido à caridade dos que se fecham a qualquer aceno.
Dou graças porque pude ver muitos pássaros, flores e rios.
Dou graças pelos que me são necessários e pelos que se acham insubstituíveis.
Dou graças pela fé, pela esperança, pela Graça que ainda teremos".

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Árvores


Imagem: Cláudio Gontijo




Alguns minutos de reflexão em meio ao arvoredo que se deixa movimentar pelo vento, nos daria algumas poucas certezas, mas suficientes para muitas das nossas aflições. Uma daquelas copas, cujas folhas crescem em profusão, já foi um minúsculo e imperceptível grão, uma semente. De forma lenta, muito lenta, ao longo de muitos anos, a sua transformação, após germinar do solo, foi se realizando sem que quase ninguém percebesse. Quando pensamos em muitos anos, melhor seria imaginar que foram milhares de dias e dias, períodos chuvosos e tempos de seca implacável. Esta realização vegetal, porém, nunca deixou de ser progressiva.

Quem já teve a chance e a felicidade de plantar uma árvore, observou como o tempo paciente e sábio, foi edificando o tronco, galhos, folhas. Observou que o tempo trouxe flores. Que o tempo trouxe exuberância, sombra para um dia de sol forte. Se foi capaz de confrontar aquela árvore formada com a imagem, guardada em alguma foto ou banco de dados de um computador, com o minúsculo arbusto que ali já se manteve, pode se surpreender com a força construtiva do tempo.

Nada grandioso e essencial à nossa existência se constrói de maneira imediatista, do dia para a noite, ao sabor do capricho que não deseja a espera. O tempo da criação é imperceptível aos que correm de forma vertiginosa. Há algo de sagrado na espera, há algo de abençoado na simplicidade com a qual a natureza evolui. Evoluímos também assim. Juntando os pequenos grãos, preparando sabiamente a terra, esperando pela vida que germina, em nossos filhos, em nossos projetos, em nossas orações, em nossa fé.

Ah, se soubéssemos com exatidão a fórmula que permite edificar com paciência, seríamos muito mais cheios de gratidão e certeza. Se soubéssemos toda a verdade do que o tempo pode nos trazer, com seu silêncio e leveza, pararíamos mais para dar graças, para glorificar. Se esperássemos com mais calma pelas noites de ventos amenos, vazias de sons, perfumadas pelas flores, teríamos o sono mais reparador. Teríamos mais certeza de que tudo aquilo que plantamos por escolhas sábias e altruístas, um dia estampará diante de nós a beleza de uma grande e forte árvore, em sua majestosa trajetória de vida adulta.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Véu negro




Quando o véu negro cai sobre o nosso olhar,
e nem sabemos,
se vamos experimentar a chuva,
ou ter a grama sob nossos pés,
ou se poderemos continuar,
iremos rir de nós mesmos,
da jornada confusa,
difusa,
quando parecemos pequeninos,
meninos,
no meio do caminho.


E então,
saberemos da sede,
que nem notamos,
e que carregamos,
quando vivemos,
abraçamos,
tocamos.

Respiramos.
Ávidos,
na busca que construímos,
sem bússola

sem fim,
pela  vasta,
bela,

existência,
assim.






sábado, 15 de outubro de 2016

Cruz











Aqueles que riscam a terra, arrastam a sua cruz.
Buscam ser livres,
da doença,
da mágoa,
da assombrosa maldade,
dos desafetos de gosto amargo e rançoso,
das fragilidades que separaram por orgulho.
Grotesco poste em ombros dormentes e prontos para a agonia,
onde agora não se tem qualquer alento,
onde a qualquer momento,
virá a dor que dilacera.
Ainda assim, antes da tortura,
repudiam a dúvida,
a mentira,
a miséria,
porque desejam, em meio ao sangue e água,
a liberdade que redime.
Antes de todo o sofrimento,
livraram-se de imagens que os cortaria em ilusão,
que levaria à escravidão.
Ninguém carregará por eles a madeira tosca e seca,
ninguém limpará suas feridas,
ninguém sentirá a mesma agonia,
ninguém delimitará o caminho traçado pelo rastro sinuoso,
ninguém gemerá por eles.
Só esta jornada é que os elevará,
e conduzirá à leveza,
mostrando o que nunca seria revelado,
transformando o que foi abençoado.