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Imagens: Sicalis flaveola (Canário-da-terra)/Cláudio Gontijo/Lassance-MG

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Os animais de corpo mole; moluscos.

Encontramos moluscos na terra, na água doce e no mar. Embora sejam animais invertebrados, sem estrutura óssea partindo de uma espinha dorsal, muitos deles apresentam uma carapaça rígida, protetora de uma parte do seu corpo. Esta concha, como é chamada, é secretada pelo próprio corpo do animal (manto) composta de substâncias que são carbonato de cálcio, compondo o que denominamos de esqueleto externo ou exoesqueleto. Encontramos na praia diversas formas e modelos destas conchas. Na terra e na água doce a forma mais comum é o caracol, um cone torcido. 




Diversos tipos de conchas; algumas fazem a camuflagem do animal, outras repelem os predadores.




O corpo dos moluscos é dividido principalmente em três partes: cabeça, massa visceral e pés. Numa região denominada de manto, próxima aos pés, existem glândulas que secretam um muco pegajoso utilizado na locomoção e proteção do corpo. 





As vísceras envolvem os pulmões, órgãos reprodutores e digestivos. A cabeça apresenta tentáculos em cuja extremidade estão os olhos. O aparelho bucal possui uma estrutura relativamente rígida, a rádula, utilizada como uma língua capaz de preparar pedaços de vegetais a serem digeridos.


Caramujo com a concha e o par de tentáculos onde se localizam os olhos.





Estes animais dividem-se em três grupos ou classes: cefalópodes, gastrópodes e bivalves (bi- duas, valves- peças). 

Os cefalópodes não apresentam carapaça externa. Os polvos e lulas são seus principais representantes. 








 A imagem de uma lula



















O polvo no fundo do mar; um exemplo de cefalópode.










Os gastrópodes possuem uma única concha ou peça (univalves) de material rígido. Estes caracóis espalham-se pelo solo úmido, pelas margens de lagoas, rios e riachos. 


As ostras e os mexilhões são exemplos de seres vivos que fazem parte da classe dos bivalves. Apresentam duas peças (valves) protetoras da massa visceral interna. Habitam as costas rochosas marinhas, o fundo do mar e de cursos de água doce.


Os moluscos que vivem em ambiente aquático respiram por estruturas denominadas de brânquias, os terrestres possuem um sistema pulmonar.



As ostras possuem duas valves ou carapaças. Os bivalves não possuem região cefálica. Alimentam-se filtrando a água que entra no interior da concha.




sexta-feira, 19 de maio de 2017

Face a face






Hoje caminhamos confusos, onde o eixo é dúvida,
onde pensamos não haver como continuar,
sem qualquer olhar,
sem qualquer proposta,
sem nenhum abraço.
Mas então haverá o tempo em que amanhecerá,
e contemplaremos soluções onde se desenhava o improvável.
O mal se tornará decadente,
a desconfiança ficará em uma valeta da estrada,
carcomida e amarelada.
Mas tudo aquilo que experimentamos não se livrará do tempo,
o implacável tempo que tudo altera,
que deixará gastas todas as certezas absolutas que afirmamos e juramos,
pela nossa vida,
que também passará.
Todos sairão de suas jornadas,
porque elas deixarão de ser escolhas,
todos terminarão suas orações,
porque elas ficarão imprecisas,
todos deixarão suas palavras,
porque elas serão desnecessárias,
diante do que se colocará diante de nós.
Então veremos face a face,
aquilo que transportaremos, legítimo, para uma dimensão que estará em nós,
onde o amor dirá todos os dons,
todas as curas,
milagres,
preces,
confissões.
E mesmo com a esperança que transportamos a passos rápidos,
preocupações,
ocupações,
tudo ainda terá sido minúsculo,
diante do que teremos,
por uma imensurável,
necessidade de vida eterna,
de vida em licitude,
de vida em plenitude,
de verdade..





quarta-feira, 15 de março de 2017

Viver para os outros



Quando tocamos em algo, deixamos as nossas impressões digitais. Quando tocamos a vida das pessoas, deixamos nossa identidade. 

A vida é boa quando você está feliz; mas a vida é muito melhor quando os outros estão felizes por causa de você. Seja fiel ao tocar os corações dos outros, seja uma inspiração. Nada é mais importante e digno de praticar do que ser um canal das bençãos de Deus. 

Nada na natureza vive pra si mesmo. Os rios não bebem a sua própria água, as árvores não comem seus próprios frutos. O sol não brilha para si mesmo, as flores não espalham sua fragrância para si. 









Jesus não se sacrificou por si mesmo, mas por nós. Viver para os outros é uma regra da natureza. Todos nós nascemos para ajudar uns aos outros. Não importa o quão difícil seja a situação em que você se encontre, continue fazendo o bem aos outros.





Baseado em um relato do Papa Francisco.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

O escorpião e o desequilíbrio ecológico

Das mais de 130 espécies de escorpiões conhecidas no Brasil,  três espécies  estão entre as que são capazes de causar acidentes em função de sua picada e veneno. Estão também entre aquelas que mais se adaptaram ao ambiente doméstico. Seu veneno é neurotóxico, podendo afetar o sistema respiratório e até mesmo ser fatal em crianças, idosos, pessoas debilitadas. São elas:

Tityus serrulatus - o escorpião amarelo, comum principalmente no sul e sudeste, campeão em acidentes urbanos.

Tityus serrulatus 



Tityus bahiensis - muito comum em acidentes rurais, encontrado com mais frequência nas regiões centrais e no nordeste.


Tityus bahiensis



Tityus stigmurus - conhecido como escorpião do nordeste.


Tityus stigmurus





Os escorpiões são aracnídeos (parentes das aranhas comuns) cujos ancestrais estão no planeta a mais de 400 milhões de anos, daí a sua grande capacidade de adaptação em diversos ecossistemas. Possuem um exoesqueleto (carapaça externa) resistente e hábitos noturnos. São predadores carnívoros alimentando-se de baratas, grilos, larvas, aranhas, pequenos lagartos e são, muitas vezes, canibais. Sua visão é pequena, porém ele é capaz de perceber as vibrações e o calor das suas presas através de minúsculas estruturas localizadas no abdome, dos seus pedipalpos (palpos) e patas.





Reproduzem-se na maioria das espécies por partenogênese. A fêmea produz óvulos que se transformam em embriões (reprodução assexuada, sem acasalamento, sem gametas masculinos). Estes embriões dão origem a formas adultas. Uma fêmea pode gerar cerca de 40 filhotes a cada ano.

Os predadores naturais dos escorpiões são pássaros, cobras, lagartos. Muitos destes animais enfrentam dificuldades de sobrevivência em função da destruição de vários habitats (florestas, cerrado, matas ciliares). Sem os devidos predadores e com a multiplicação dos insetos pelas alterações climáticas, a reprodução destes aracnídeos é elevada.



quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Pau d'arco, o Ipê-do-cerrado



O Pau d'arco é uma espécie de Ipê, com floração entre os meses
de agosto a outubro.


Suas sementes são aladas (possuem pequenas estruturas laterais que facilitam a sua condução pelo vento). As flores amarelas dão origem a vagens com inúmeras destas sementes.






A espécie comum no cerrado é denominada Tabebuia ochracea.









A árvore atinge em média 15 a 20 metros.












Imagens: Cláudio Gontijo

domingo, 11 de dezembro de 2016

Muito pobres



Os caminhos que levam à serenidade não costumam ser serenos. São confusos e cheios de provações, experimentos falhos. Muitos são ilusórios. As jornadas são longas, muito longas, e nos parecem intermináveis. 

Muitos em suas situações tortuosas e viciadas, amaldiçoados, são alguns dos que experimentaram a paz. Durante os seus erros, à margem da existência comum, mantiveram a mansidão e enxergaram a suas imperfeições com paciência. Foi preciso caridade, com os que tropeçavam e consigo próprios.

Aqueles que se contentaram com os seus pertences, mesmo pobres, puderam carrega-los sem qualquer dúvida. Não tiveram a vergonha de expor vestimentas e sonhos simples. Não tiveram medo de mostrar sinceridade, mesmo sob teimosia e descrença.

Após diversas tormentas, sob o solo da miséria, ainda se manteve a esperança.  Muitas formas de preconceitos caíram durante a provação, muitas formas de amizade nasceram do sofrimento, muitas vasilhas de alimento chegaram durante a fome.












domingo, 4 de dezembro de 2016

José Ribamar Ferreira, Ferreira Gullar







"A poesia é a tristeza transformada em alegria". O autor desta frase, José Ribamar Ferreira, partiu hoje, aos 86 anos. Não há como descrever a sua genialidade literária.

Algumas poucas frases deste poema o descrevem, ainda que de forma incompleta:

"Uma parte de mim 
almoça e janta;
outra parte 
se espanta.

Uma parte de mim 
é permanente;
outra parte 
se sabe de repente".

Do Poema: Traduzir-se / Ferreira Gullar

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Grato


Agradeço por continuar a minha jornada. Então, recoloco esta reflexão:


"Já não basta agradecer.
Enquanto envelheço vou lembrar.
Dos irmãos que nunca me serão subtraídos,
da mãe que desejamos guardar longe do tempo e da morte.
Lembro do que ganhei, do que sonhei, do que não fiz, do que nunca serei,do que tenho feito, do que ainda terminarei.
Esqueço o que adiei.
Lembro e rezo, rezo e adormeço.
Acordo e lembro.
Lembro e vivo.
Lembro de quase tudo sem ter que descrever em sofreguidão.
Dos córregos, do cheiro de esterco e das roseiras,
da escuridão silenciosa e ampla na varanda da minha infância,
de onde se tinha poucas imagens e escassos recursos.
Lembro de que nem tinha pressa,
nem conhecimento da urgência no grande relógio ao fim do corredor.
Lembro do que me foi ofertado,
lembro que, então, sorri e segui.
Mas ainda assim dou graças por Ana e Cláudia,
dou graças pelo que ainda posso enxergar.
Dou graças por ter como servir,
dou graças por ter partilhado com os humildes.
Dou graças por ter sobrevivido à caridade dos que se fecham a qualquer aceno.
Dou graças porque pude ver muitos pássaros, flores e rios.
Dou graças pelos que me são necessários e pelos que se acham insubstituíveis.
Dou graças pela fé, pela esperança, pela Graça que ainda teremos".

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Árvores


Imagem: Cláudio Gontijo




Alguns minutos de reflexão em meio ao arvoredo que se deixa movimentar pelo vento, nos daria algumas poucas certezas, mas suficientes para muitas das nossas aflições. Uma daquelas copas, cujas folhas crescem em profusão, já foi um minúsculo e imperceptível grão, uma semente. De forma lenta, muito lenta, ao longo de muitos anos, a sua transformação, após germinar do solo, foi se realizando sem que quase ninguém percebesse. Quando pensamos em muitos anos, melhor seria imaginar que foram milhares de dias e dias, períodos chuvosos e tempos de seca implacável. Esta realização vegetal, porém, nunca deixou de ser progressiva.

Quem já teve a chance e a felicidade de plantar uma árvore, observou como o tempo paciente e sábio, foi edificando o tronco, galhos, folhas. Observou que o tempo trouxe flores. Que o tempo trouxe exuberância, sombra para um dia de sol forte. Se foi capaz de confrontar aquela árvore formada com a imagem, guardada em alguma foto ou banco de dados de um computador, com o minúsculo arbusto que ali já se manteve, pode se surpreender com a força construtiva do tempo.

Nada grandioso e essencial à nossa existência se constrói de maneira imediatista, do dia para a noite, ao sabor do capricho que não deseja a espera. O tempo da criação é imperceptível aos que correm de forma vertiginosa. Há algo de sagrado na espera, há algo de abençoado na simplicidade com a qual a natureza evolui. Evoluímos também assim. Juntando os pequenos grãos, preparando sabiamente a terra, esperando pela vida que germina, em nossos filhos, em nossos projetos, em nossas orações, em nossa fé.

Ah, se soubéssemos com exatidão a fórmula que permite edificar com paciência, seríamos muito mais cheios de gratidão e certeza. Se soubéssemos toda a verdade do que o tempo pode nos trazer, com seu silêncio e leveza, pararíamos mais para dar graças, para glorificar. Se esperássemos com mais calma pelas noites de ventos amenos, vazias de sons, perfumadas pelas flores, teríamos o sono mais reparador. Teríamos mais certeza de que tudo aquilo que plantamos por escolhas sábias e altruístas, um dia estampará diante de nós a beleza de uma grande e forte árvore, em sua majestosa trajetória de vida adulta.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Véu negro




Quando o véu negro cai sobre o nosso olhar,
e nem sabemos,
se vamos experimentar a chuva,
ou ter a grama sob nossos pés,
ou se poderemos continuar,
iremos rir de nós mesmos,
da jornada confusa,
difusa,
quando parecemos pequeninos,
meninos,
no meio do caminho.


E então,
saberemos da sede,
que nem notamos,
e que carregamos,
quando vivemos,
abraçamos,
tocamos.

Respiramos.
Ávidos,
na busca que construímos,
sem bússola

sem fim,
pela  vasta,
bela,

existência,
assim.






sábado, 15 de outubro de 2016

Cruz











Aqueles que riscam a terra, arrastam a sua cruz.
Buscam ser livres,
da doença,
da mágoa,
da assombrosa maldade,
dos desafetos de gosto amargo e rançoso,
das fragilidades que separaram por orgulho.
Grotesco poste em ombros dormentes e prontos para a agonia,
onde agora não se tem qualquer alento,
onde a qualquer momento,
virá a dor que dilacera.
Ainda assim, antes da tortura,
repudiam a dúvida,
a mentira,
a miséria,
porque desejam, em meio ao sangue e água,
a liberdade que redime.
Antes de todo o sofrimento,
livraram-se de imagens que os cortaria em ilusão,
que levaria à escravidão.
Ninguém carregará por eles a madeira tosca e seca,
ninguém limpará suas feridas,
ninguém sentirá a mesma agonia,
ninguém delimitará o caminho traçado pelo rastro sinuoso,
ninguém gemerá por eles.
Só esta jornada é que os elevará,
e conduzirá à leveza,
mostrando o que nunca seria revelado,
transformando o que foi abençoado.





sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Nobreza





Imagem: Cláudio Gontijo




A hipocrisia mascara os sentimentos mais nobres. Eles são como vegetais que necessitam ser cuidados com gotas diárias de componentes líquidos. Para alimenta-los teremos que utilizar de cuidadosa nutrição cujo conteúdo não poderá deixar de ser a verdade. Pacientemente, então, vamos deixando pela longa jornada aquilo que não nos é essencial, optando pela humildade e mansidão. 

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Embrulhos do tempo

Em fevereiro do ano passado escrevi este poema, ou uma reflexão, como puder ser aceito. 



"Entre aqueles que vão percorrendo o caminho,
alguns transportam, embrulhado em papel pardo, as suas mágoas remoídas e encardidas.
São rancores que não puderam ser deglutidos, digeridos, diluídos.
Então são mascados, revividos, repassados, em pequenos pensamentos, em minúsculos acontecimentos, de espíritos miseráveis.
Estes grossos pacotes estão amarrados em barbantes de pouca fé e de descrença.
Ainda que não haja, de pronto, o maior dos remédios,
uma receita preciosa também não virá.
E para que estes pacotes não permaneçam lacrados,
o tempo, e só o tempo, vai desgastando-os,
desbotando o seu conteúdo.
Enganos, equívocos, vão sendo escavados,
como em duras e teimosas pedras.
Até que se percam ao longo da estrada.
Alguns destes corações irão livres,
outros permanecerão quase inertes e embrutecidos".

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Não há vencedores e vencidos











Muitos são os que se dizem aliviados. O embate contundente que se observa nas tribunas, porém, seguramente não é o que se traduz nos bastidores. A ética que julgamos existir, não existe. No poder político não há vencedores e vencidos. Existem, sim, acordos. Acordos que permitem sorrisos e choros fictícios. Revoltas sem nexo. 


Todos os discursos inflamados e emocionados direcionam-se muito mais aos eleitores do que aos ocupantes de uma seção. As falas bem calculadas só se desesperam, verdadeiramente, com um futuro que não lhes garantam todos os luxos e mimos que se atrelam aos altos salários. A real preocupação só se mostra com a chegada do fim de um mandato, com o anonimato, com a escassez de votos, com o abandono, com o desligamento efetivo das salas requintadas.


Não existem adversários ferrenhos, não há mais ideologias que possam sobreviver ao egoísmo e ao poder monetário. A ideologia esta faccionada nos lares, onde se configuram, ainda, pensamentos de esquerda e direita.


Vestimentas caras e rostos tranquilos não podem simular, aos olhos atentos, a indignação. O ódio é descartável, o apresso é falso.


As pessoas comuns, assalariadas, são aquelas que irão vivenciar uma realidade distante das reuniões acaloradas, cheias de riso ou lágrimas. Serão aquelas que continuarão adquirindo seus bens em inúmeras parcelas; considerando cortes a serem feitos, cada vez mais, diante dos  benefícios básicos e essenciais. Estes, de fato, não receberão qualquer bem de valor, qualquer momento de serenidade e alívio, em uma militância inflamada. Ainda que militem com suas bandeiras surradas e mal feitas, ainda que gritem nas avenidas.










quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Guerra

Não há qualquer razão na guerra. A guerra divide, fragiliza e aniquila.

"A pessoa que não está em paz consigo mesma, será uma pessoa em guerra com o mundo inteiro". Mahatma Gandhi


Uma criança síria após um bombardeio. Imagem web