Imagens: Garça-branca-grande (Ardea alba), Bem-te-vi (Pitangus sulphuratus)/Cláudio Gontijo

sábado, 16 de julho de 2016

Imagens: Pássaros II

Os pássaros espalham-se por quase toda a superfície terrestre. Um dos fatores que auxiliam a sobrevivência destas espécies é a sua capacidade de manter a temperatura corporal estável, homeotermia. Outro fator importante é que estes animais possuem o corpo revestido por camadas de estruturas complexas, as penas. Este revestimento externo os auxilia, na maioria das vezes, a manter a impermeabilidade da pele à água.

A possibilidade do voo permite que os pássaros migrem de uma região para outra, sempre que encontram adversidades climáticas, escassez de alimento e o perigo da proximidade de predadores. Este é, também, uns dos fatores que lhes fornecem notável poder de adaptação aos diversos biomas da terra.

A reprodução frequente dos pássaros, em média três vezes ao ano, o curto período de incubação dos ovos e o rápido desenvolvimento dos filhotes são ainda fatores que produzem a enorme multiplicidade destes seres vivos no planeta.





















































Lavadeira mascarada (Fluvicola nengeta), Suiriri-cavaleiro (Machetornis rixosa), Falcão-quiriquiri (Falco sparverius), Alma-de-gato (Piaya cayana), João-de-barro (Furnarius rufus), Canário-da-terra (Sicalis flaveola), Pássaro-preto (Gnorimopsar chopi), Garça-branca-grande (Ardea alba).  Imagens: Cláudio Gontijo

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Aprendizes





Imagem: Cláudio Gontijo





Que a caminhada não nos envergonhe, 
e a caridade nos leve à discrição.
Que a fé nos mostre a coragem, 
e o medo não nos paralise. 
Porque longa é a jornada,
e o aprendizado inadiável.
Inadiável também é o sofrimento,
mas a paz nos chamará.
Não estaremos sós,
não seremos fragilizados pelo acaso,
não teremos a dor constante,
não viveremos em vão.

sábado, 25 de junho de 2016

Sob medida





Imagem: Cláudio Gontijo





Muitos são os que  não acalentam mais o que sonharam durante um tempo distante.
A humildade um dia construída, hoje se espalha pelo chão em ruínas de constrangimento.
Perderam seus amigos de infância e a infância que carregavam.
Perderam a paz que os conduzia em risos e espontaneidade.
Perderam as referências que os possibilitavam ser aquilo que realmente eram.
Os caminhos deixaram de ser singelos e naturais,
e agora tem muitas manchas de superficialidade.
Tornaram-se aplainados, previsíveis, marcados por estranhas ferramentas tecnológicas.
E não oferecem mais o benefício da simplicidade, das formas cruas e verdadeiras.
Conquistou-se mais benefícios e benesses, facilidades, rapidez.
Mas o que parecia prático, deixou menor o tempo em que se caminha ao ar livre.
Aumentaram-se as distâncias,
das manhãs de sol,
das cores das pétalas.
Agora muitas aspirações materiais são sanadas, mas a anestesia chega ao final do dia.
Muitos já não podem contar com os que já abraçaram,
agora só visualizam o futuro que se estampa nas quadros eletrônicos.
Muitos não são mais os mesmos,
e nem querem ser o que de fato são.
As profecias que entram em suas salas informam os padrões,
da próxima estação,
da nova marca,
do que será reformado,
do que puder ser encomendado.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Tempo

Esta é a melhor definição de tempo.















O Tempo  (por Mário Quintana)

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa. 
Quando se vê, já são seis horas! 
Quando se vê, já é sexta-feira! 
Quando se vê, já é natal... 
Quando se vê, já terminou o ano... 
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida. 
Quando se vê passaram 50 anos! 
Agora é tarde demais para ser reprovado... 
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. 
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas... 
Seguraria o amor que está à minha frente e diria que eu o amo... 
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo. 
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz. 

A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

sábado, 28 de maio de 2016

Histórias do sertão 8: Dona Calista

Suas mãos são bonitas, disse ela, você terá sorte. Eu nunca ouvi dela uma frase como aquela. Eu não esperava que aquela idosa que carrega quase um século de vida fosse exercitar seus nebulosos dons, visionários ou clarividentes, de maneira  que eu pudesse perceber. Mas a naturalidade que seus olhos miúdos externavam foi capaz de me deter, antes que eu saísse.

Dona Calista, a benzedeira de inúmeros vincos cravados em um rosto de expressão que não se define. Dona Calista com mãos que já foram firmes sobre a fronte de crianças sonolentas e adoentadas. Agora mantinha o lenço atado sobre a cabeça com fios sempre escondidos. Permanecia sentada na cadeira de rodas, tomava o sol já forte da manhã. Suas mãos são bonitas...



Dona Calista. Imagem: Cláudio Gontijo




Sua voz arrastada nasceu, ao que conta, aos pés da Serra do Cabral. Ali viveu seus primeiros anos de vida e continuou naquele grotão junto ao seu companheiro. Viveu para a lida, com os gravetos que carregou para alimentar o fogo, com a enxada atolada na terra fresca, com o machado, viveu também para as rezas fora de hora.

E antes que a velhice e a enfermidade viesse,  arrumou a mudança para a cidade. É bem certo que todos os apuros suportados e aliviados com os inúmeros terços recitados, de pé ou de joelhos depositados no chão batido, produziram nela a fama que se espalhou. Na cidade de minguados recursos e muitos nascimentos, planejados ou não, suas mãos, hoje fracas e trêmulas, afagaram em orações e boa vontade aquelas crianças. Curando, vivendo e sonhando pouco, ela foi abençoando, com as suas repetidas preces. Meninos e meninas, homens feitos, mulheres trabalhadeiras, idosos de idade avançada, crentes, corações cheios de dúvida, e todos os que experimentavam ouvir as suas palavras ajoelhavam-se, inclinavam a cabeça para receber suas ofertas de benzeção.

Com os anos que se foram as estrofes das rezas foram ficando partidas, as pernas já não podiam permanecer firmes sustentando o pequeno corpo. As Ave Marias foram diminuindo. Até que ela entendeu que seu ofício maior e mais afamado ia diluindo-se com as dores no corpo.

Agora eu a encontro, sentada próxima a cozinha, às vezes deitada com algum clamor e gemido. A cada semana ela me recebe, alegre, com queixas que nem sempre entendo.

Nestes dias tenho notado suas mãos fazendo sinais em direção ao seu bisneto de poucos meses. Certamente são gestos de boa vontade, certamente são esboços de fé.

Naquela tarde eu abri as duas mãos diante dela e indaguei se havia algo mais, se a miudeza do seu olhar não era capaz de enxergar mais alguma coisa. Ela apenas repetiu que as linhas da minha mão eram bonitas. E sorriu com aquele seu sorriso escondido.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Passarinhando

Mário Quintana, poeta nascido no Rio Grande do Sul, escrevia versos mágicos que encantavam pela extrema espontaneidade e leveza. Embora genial, nunca fez parte da Academia Brasileira de Letras. Após uma terceira indicação, sem sucesso, ele, de forma bem humorada e sarcástica, escreveu ao final da década de 70.

Poeminho do Contra

"Todos esses que aí estão 
atravancando meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho".

Imagem: Cláudio Gontijo

terça-feira, 10 de maio de 2016

Simplicidade







Em silêncio cada passo é simplicidade.
Como flores minúsculas,
de cores vivas,
que ontem não notamos no caminho.

Em silêncio tudo é palpável,
a mágoa que um dia cultivamos,
a ternura que hoje acalentamos,
como sementes que desejamos germinar,
regando em água e amor teimoso,
anônimos e andarilhos que somos,
plenos que ainda seremos.












Imagem e texto: Cláudio Gontijo