Imagens: Garça-branca-grande (Ardea alba), Bem-te-vi (Pitangus sulphuratus)/Cláudio Gontijo

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Passarinhando

Mário Quintana, poeta nascido no Rio Grande do Sul, escrevia versos mágicos que encantavam pela extrema espontaneidade e leveza. Embora genial, nunca fez parte da Academia Brasileira de Letras. Após uma terceira indicação, sem sucesso, ele, de forma bem humorada e sarcástica, escreveu ao final da década de 70.

Poeminho do Contra

"Todos esses que aí estão 
atravancando meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho".

Imagem: Cláudio Gontijo

terça-feira, 10 de maio de 2016

Simplicidade







Em silêncio cada passo é simplicidade.
Como flores minúsculas,
de cores vivas,
que ontem não notamos no caminho.

Em silêncio tudo é palpável,
a mágoa que um dia cultivamos,
a ternura que hoje acalentamos,
como sementes que desejamos germinar,
regando em água e amor teimoso,
anônimos e andarilhos que somos,
plenos que ainda seremos.












Imagem e texto: Cláudio Gontijo






quarta-feira, 4 de maio de 2016

A humildade por Cora Coralina





Fragmentos do poema "Humildade"


"Senhor, fazei com que eu aceite 
minha pobreza tal como sempre foi. 

Que não sinta o que não tenho. 
Não lamente o que podia ter 
e se perdeu por caminhos errados 
e nunca mais voltou. 

Dai, Senhor, que minha humildade 
seja como a chuva desejada 
caindo mansa, 
longa noite escura 
numa terra sedenta 
e num telhado velho". 

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Alívio

Não há muito o que temer.
Porque a noite, ora,
a noite é apenas um sopro,
e o dia amanhece como um alento.
O pesar é só um lapso.
O riso virá, sempre, em afago,
e a esperança numa eterna cor.







Texto e imagem: Cláudio Gontijo

domingo, 20 de março de 2016

Caminhada



Imagem: Cláudio Gontijo


Ainda que não encontremos a paz nas facetas ilusórias da nossa existência, que nos conduzem a escolhas escravizantes, teremos a chance, pela misericordiosa Criação, de nos redimir. A redenção é parte inadiável dos projetos de Deus para a jornada de todos. 

Enquanto vamos caminhando, vamos nos deparando com os sinais da boa vontade. E mesmo que estejamos apressados, buscando a materialidade como substituto para o vazio que nos incomoda, em determinado momento iremos nos deparar com a delicadeza e o carinho que a plenitude nos oferece. Em silêncio vai nos sendo ofertado a sensibilidade da alma. Assim teremos a oportunidade de experimentar toda a real beleza que orbita em torno de nós.

Tudo o que nos envenena e nos fragiliza, vai sendo diluído por nossa própria vontade. Na simplicidade absoluta de uma caminhada longa e trabalhosa, onde muitas vezes nos sentimos desamparados, onde muitas vezes nos sentimos incapacitados, vamos sendo pouco a pouco alimentados pela enorme presença de Deus. O seu amor nos resgatará para um momento de profunda intimidade com a verdade que existe em nós. Assim, então, viveremos a paz.


"Dia virá em que nalguma volta do teu caminho hás de encontrar Deus".

Érico Veríssimo

quarta-feira, 9 de março de 2016

Recolher-se


Imagem: Cláudio Gontijo



Diante de uma existência que nos incomoda com o barulho tecnológico e ansioso, ainda não perdemos o direito de silenciar. É no silêncio que se origina a reflexão, a oração, a paz. Quando nos recolhemos vamos em direção ao que necessitamos, quando nos recolhemos vamos ao que nós é essencial. Jesus buscava lugares silenciosos, retirava-se para rezar; ele o fazia com frequência, como está retratado:

"Ele retirou-se para o deserto para orar". Lucas 5:16

"Jesus levantou-se, saiu da casa e retirou-se para um lugar deserto, onde ficou orando". Marcos 1:35

"Feito isso, subiu à montanha para orar na solidão". Mateus 14:23

"Percebendo, então, Jesus, que estavam prestes a vir e levá-lo à força para o proclamarem  rei, retirou-se novamente, sozinho, para o monte". João 6:15

Hoje refleti sobre a importância do silêncio. Curiosamente, um pouco mais tarde, dentro de um hospital, escrito sob uma pedra próxima a um jardim, encontrei:

"É no silêncio que germinam todas as coisas".




Imagem: Cláudio Gontijo

domingo, 6 de março de 2016

Respostas


Diante dos sinais e rugas,
de tantas evidências pardas ou de cores vivas,
incômodas,
diante de tanta vida e experimentos,
ferimentos profundos,
cicatrizes, sangramentos profusos,
nunca pudemos permanecer calados.
Se nos expomos em carne viva,
sem silêncio ou privacidade,
por que responder a tantas perguntas ?
Ainda que não pudéssemos visualizar nosso próprio horizonte;
por quê a necessidade de explicarmos, sempre, sem termos e limites,
em detalhes de remendos e frustrações ?
Mesmo com todas as dores e risos,
de uma existência rica e múltipla,
se vamos justificar a cada instante,
como responderemos a nós mesmos ?


domingo, 28 de fevereiro de 2016

O sapo-boi, sapo-cururu, o comedor de insetos

Os anuros são grupos de anfíbios que não possuem calda. Rãs, pererecas, sapos, são os principais exemplos desta classe. Um sapo encontrado também no habitat do cerrado, vivendo geralmente próximo à margem de lagoas, açudes, rios, riachos, é o chamado sapo boi (Rhinella diptycha). Seu aspecto costuma ser repugnante pela pele enrugada, devido às inúmeras glândulas espalhadas. Algumas delas localizadas atrás dos olhos e nas patas traseiras, são denominadas, respectivamente, paratóides e paracnêmicas,  secretando substâncias tóxicas, de aspecto leitoso. A espécie só é capaz de externar estas toxinas quando o seu corpo é comprimido ou pressionado. Substâncias venenosas, elas causam desde reações alérgicas na pele até efeitos neurotóxicos se ingeridos.


A espécie Rhinella diptycha e sua pele enrugada, cheia de glândulas. Visíveis as glândulas paractenóides (bolsas próximas aos olhos). Imagem: Cláudio Gontijo



Mas os representantes desta espécie, e de um modo geral de outras espécies deste gênero, não apresentam qualquer característica agressiva. A toxina é utilizada como meio de defesa contra outros animais como répteis, aves, e alguns tipos de mamíferos. Estes exemplares são gulosos comedores de insetos, saindo à noite para capturar grande quantidade deste alimento. Contribuindo, assim, para o equilíbrio de populações de insetos na cadeia alimentar. 


A glândula paratoide e seus inúmeros poros. Imagem: Cláudio Gontijo



Ao final da região dorsal, localiza-se a cloaca, abertura que libera óvulos e espermatozoides, por fêmeas e machos. Imagem: Cláudio Gontijo.


No período da reprodução o macho "abraça" (amplexo) e pressiona o abdome da fêmea enquanto ela deposita os ovos no meio aquático. Em seguida ele libera os espermatozoides, capazes de fecundar ovos. Todo o processo pode demorar mais de 10 horas. A fecundação é denominada externa. Os embriões darão origem a formas não adultas com calda (girinos) que passarão por metamorfoses (sempre em meio aquático) até chegar a forma adulta.


As patas impulsionam os indivíduos para uma locomoção que os distância quilômetros dos meios aquáticos. Imagem: Cláudio Gontijo





Ovos no meio aquático envolvidos por material gelatinoso. Imagem web





Apos a fecundação dos ovos, eles darão origem aos girinos (formas não adultas destes anfíbios). Imagem web