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Imagens: Sicalis flaveola (Canário-da-terra)/Cláudio Gontijo/Lassance-MG

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Árvores


Imagem: Cláudio Gontijo




Alguns minutos de reflexão em meio ao arvoredo que se deixa movimentar pelo vento, nos daria algumas poucas certezas, mas suficientes para muitas das nossas aflições. Uma daquelas copas, cujas folhas crescem em profusão, já foi um minúsculo e imperceptível grão, uma semente. De forma lenta, muito lenta, ao longo de muitos anos, a sua transformação, após germinar do solo, foi se realizando sem que quase ninguém percebesse. Quando pensamos em muitos anos, melhor seria imaginar que foram milhares de dias e dias, períodos chuvosos e tempos de seca implacável. Esta realização vegetal, porém, nunca deixou de ser progressiva.

Quem já teve a chance e a felicidade de plantar uma árvore, observou como o tempo paciente e sábio, foi edificando o tronco, galhos, folhas. Observou que o tempo trouxe flores. Que o tempo trouxe exuberância, sombra para um dia de sol forte. Se foi capaz de confrontar aquela árvore formada com a imagem, guardada em alguma foto ou banco de dados de um computador, com o minúsculo arbusto que ali já se manteve, pode se surpreender com a força construtiva do tempo.

Nada grandioso e essencial à nossa existência se constrói de maneira imediatista, do dia para a noite, ao sabor do capricho que não deseja a espera. O tempo da criação é imperceptível aos que correm de forma vertiginosa. Há algo de sagrado na espera, há algo de abençoado na simplicidade com a qual a natureza evolui. Evoluímos também assim. Juntando os pequenos grãos, preparando sabiamente a terra, esperando pela vida que germina, em nossos filhos, em nossos projetos, em nossas orações, em nossa fé.

Ah, se soubéssemos com exatidão a fórmula que permite edificar com paciência, seríamos muito mais cheios de gratidão e certeza. Se soubéssemos toda a verdade do que o tempo pode nos trazer, com seu silêncio e leveza, pararíamos mais para dar graças, para glorificar. Se esperássemos com mais calma pelas noites de ventos amenos, vazias de sons, perfumadas pelas flores, teríamos o sono mais reparador. Teríamos mais certeza de que tudo aquilo que plantamos por escolhas sábias e altruístas, um dia estampará diante de nós a beleza de uma grande e forte árvore, em sua majestosa trajetória de vida adulta.

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