Imagens: Garça-branca-grande (Ardea alba), Bem-te-vi (Pitangus sulphuratus)/Cláudio Gontijo

domingo, 20 de agosto de 2023

Sem a chuva

 












É o chão que se desenha com o mato seco,

 por tudo o que carece de água.

E no  tempo paciente,

a raiz é  insistente.

Há que se ter  mais coragem,

porque a esperança já vive na pele curtida,

sentida,

suportando o sol que queima e noites frias.

Frio que corta; é navalha.

Tudo é pardo.

Então, à tarde, antes que venha mesmo o breu, 

pia o curiango, ouve-se  longe os latidos, 

e na escuridão que chega, a vida vem de novo. 

Ainda que trôpega,

amanhece  com o dia,

deixa se corar à luz espalhada pelo chão, 

no chão de poucas sombras.

Por hora, nada necessita ser retocado.

É que no ciclo, de voltas conhecidas, de momentos marcados, 

dormentes,

o vai e vem das horas é que compoe esta lida.

Não a das caixas com fitas, de papel colorido.

Uma existência assim, que, rachando a terra, 

devolve novos brotos.


quinta-feira, 6 de julho de 2023

sexta-feira, 26 de maio de 2023

Cruz

 Publiquei esta pequena reflexão há oito anos atrás. Deixo-a aqui novamente.



"Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me". Lucas 9:23

 





Ovos no ninho, em uma laranjeira.  Imagem: Cláudio Gontijo






A fé e a caridade podem se tornar inatingíveis, em um caminho penoso, sob a perspectiva do egoismo. A cruz dos nossos compromissos e responsabilidades tende a ser lapidada e diminuída. Sem o seu peso e porte, necessários ao crescimento espiritual, uma falsa leveza nos conduz  a escolhas angustiantes. 


Carregar a cruz não significa optar por uma vida martirizante, ao contrário, ela nos conduz à possibilidade do perdão, da conversão, da oração, do amor verdadeiro. Este não é o caminho da alienação, antes, é a jornada para uma vida longa de paz e alegria. A verdadeira paz, a alegria plena.





"Deixo a paz a vocês; a minha paz dou a vocês. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbe o seu coração, nem tenham medo". João 14:27


quinta-feira, 18 de maio de 2023

A esperança e a serenidade; por São Pedro em sua Primeira Carta

 





Antes santificai em vossos corações Cristo, o Senhor. Estai sempre prontos a responder para vossa defesa a todo aquele que vos pedir a razão de vossa esperança, mas fazei-o com suavidade e respeito.

Tende uma consciência reta a fim de que, mesmo naquilo em que dizem mal de vós, sejam confundidos os que desacreditam o vosso santo procedimento em Cristo.

Aliás, é melhor padecer, se Deus assim o quiser, por fazer o bem do que por fazer o mal.

domingo, 30 de abril de 2023

Súplica

 





Senhor,

por Seu Divino e infinito amor,

misericordioso, 

redentor,

que se manifesta através da Cruz,

do Seu corpo,

do Seu sangue, 

dos Seus ensinamentos;

afasta-nos de tudo aquilo que não nos convém. 

Inspira-nos em Vosso Espírito,

o Espírito Protetor,

o Espírito da verdade, 

para que, então, possamos seguir pela esperança,

santificando-o em nossos corações.







Por Cláudio Gontijo

sábado, 25 de fevereiro de 2023

Levi, o publicano









"Depois disso, Jesus saiu e viu um publicano chamado Levi, sentado na coletoria, e disse-lhe: "Siga-me".

 Levi levantou-se, deixou tudo e o seguiu.



Então Levi ofereceu um grande banquete a Jesus em sua casa. Havia muita gente comendo com eles: publicanos e outras pessoas". 


Parte do Evangelho de Lucas; capítulo 5, versículos 27 a 29  (Lc 5:27-29) 


  Jesus chamou para caminhar com ele um cobrador de impostos. Naquele tempo os cobradores de impostos eram odiados pelo povo judeu que  mal falava com eles. 

Levi, também conhecido como Mateus, um dos Evangelistas, o Apóstolo Mateus, feliz, convidou muitos, certamente todos o que pode. E como havia outros cobradores e  muitas outras pessoas, certamente ali haviam também outras vítimas de preconceito. É possível que Mateus entendeu o chamado do Mestre e quis compartilhar com  pessoas diversas.

Nesta diversidade estavam, certamente, pensamentos adequados aos religiosos daquele tempo e pessoas desprovidas de crenças. Mas o Senhor chamou Mateus porque sabia do desfecho do jantar, sabia da postura espiritual daquele cobrador. 

Muitos queriam se sentar à mesa. Ricos, pobres, pessoas de diferentes raças, pessoas em evidência, pessoas esquecidas, pessoas sadias, pessoas doentes.

Levi, Mateus, expressou a vontade do Cristo, recebendo a qualquer um que ali chegasse. 

Os obstáculos foram retirados, julgamentos prévios, preconceitos. Todos mereciam participar. E, ainda que não entendessem de início, entenderiam no devido tempo, a misericórdia.  Como entendeu naquela confraternização Levi, o publicano.