Imagens: Garça-branca-grande (Ardea alba), Bem-te-vi (Pitangus sulphuratus)/Cláudio Gontijo

terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

Automeris sp - a lagarta verde peçonhenta

O ciclo de vida do inseto tem duração média de 4 meses: a fase de ovo dura em média 10 dias, a fase de lagarta (imagens) terá duração de 70 a 80 dias. Após a lagarta virá a pré-pulpa com cerca de 3 semanas e, finalmente, a pulpa com pouco mais de 1 semana. 

Esta lagarta de mariposa possui coloração verde e pode ser perigosa. Em sua fase larval existe a presença de células capazes de produzir substâncias peçonhentas. Estas células ficam na base dos espículos urticantes que secretam o líquido irritante. O líquido fica armazenado no interior dos espículos e, uma vez secretado, penetra a pele, provocando as queimaduras. A peçonha é composta por  proteínas tóxicas.  Em contato com a pele as espículas podem quebrar-se, penetrando na epiderme e provocam imediatamente reação dolorosa, seguida por sintomas como eritema, inchaço, formação de vesículas e bolhas, levando à necrose superficial, ulcerações. Se o contato for com os olhos pode causar conjuntivites, reações inflamatórias profundas. Ao nível do sistema respiratório pode ainda provocar rinite e asma e, em casos mais graves, de forma rara, pode causar reações como arritmias cardíacas, dor no tórax, falta de ar, hemorragias, paralisia de membros e convulsões. Podem causar, até mesmo, consequências fatais em pessoas alérgicas, crianças e idosos.



A larva (taturana) verde e suas espículas. Imagem: Cláudio J Gontijo



A lagarta passará por 6 estágios de desenvolvimento até dar origem à mariposa, com tamanho médio de 9 cm. Alimenta-se de vários tipos de vegetais. Existem mais de 100 espécies conhecidas para o gênero Automeris. Ocorre do sul do Canadá até o norte da Argentina.



A lagarta em um dos seus diferentes estágios. Imagem: Cláudio J Gontijo


A mariposa "olho de boi" (como é popularmente conhecida). Fase final de desenvolvimento de um dos gêneros Automeris.  Imagem: web



Nem sempre as belas cores, atrativas, da natureza podem apresentar momentos inofensivos.





 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

Em casa

 








A vida se decide mesmo é nas horas mornas da manhã.

Nove horas de uma manhã comum, 

onde ninguém passa.

A mulher varre o passeio,

seu semblante é o mesmo.

Expressa um olhar que se perde, sem ânimo.

Suspira ao longo do tempo, 

o tempo que já foi urgente.

E, aos poucos, as sombras se movimentam,

e tudo vai se moldando.

Não muda de repente, mas ao longo das horas.

E, lá dentro, o som do rádio mostra falas baixas, distantes.

Ninguem notou.

Mas por aqueles instantes que já  iam embora, 

antes do fogo ser aceso,

antes do que foi recolhido no varal,

do aceno guardado, 

da solidão voraz,

foi então se assentando um novo tempo.

Uma notícia, um alento, uma idéia.

Veio do que passou, ficou por ali,

e deixou novidade, 

no incerto do dia.

Um lampejo.

Agora, quando vier a tarde, 

quando todos voltarem,

o vestido já será outro.

Não mais como antes,

não antes do fim do dia,

a vida já não é a mesma.


quarta-feira, 26 de outubro de 2022

Pétalas

 





Em silêncio,

e no silêncio, o tempo é curto.

Vai escorregando, escapando, 

nos dias que vem e vão.

Um buquê sem cheiro,

que nunca de todo se compra, 

estampa-se em uma árvore inteira.

Vem oferecido, por isso não tem medida.


Os galhos se abaixam, derramam,

colorem lentamente também o chão.

Colorem a tarde, 

e, à noite, tudo descansa. 

 







Acredito que um amor sem tamanho recolhe tudo e reparte, 

e continuará  repartindo;

em sombras que descansam no mormaço,

em sementes que se afundam na terra, no arenoso do chão.






Tudo deve mesmo é compor muitas das coisas, 

o que nem se pode alcançar. 

Não tem início, não tem fim.

Mas é facil entender; é vida.

Vida nestas pétalas,

no estalar dos dias.

Vida que dorme no sertão.

Vida que acorda ainda no escuro.






Imagens: Cláudio Gontijo

quarta-feira, 7 de setembro de 2022

A paz de Deus

 Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças.

E a paz de Deus, que excede toda a inteligência, haverá de guardar vossos corações e vossos pensamentos, em Cristo Jesus.







Além disso, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é nobre, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, tudo o que é virtuoso e louvável, eis o que deve ocupar vossos pensamentos.

O que aprendestes, recebestes, ouvistes e observastes em mim, isto praticai, e o Deus da paz estará convosco.


Carta de São paulo aos Filipenses 4:6-9








Imagem: Cláudio J Gontijo

domingo, 17 de julho de 2022

A esperança que não engana











 "...mas nos gloriamos até das tribulações. Pois sabemos que a tribulação produz a paciência,

a paciência prova a fidelidade e a fidelidade, comprovada, produz a esperança.

E a esperança não engana. Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado".




Carta de São Paulo aos Romanos 5:3-5

























Imagens: Cláudio J Gontijo

domingo, 19 de junho de 2022

Histórias do Sertão 12: Pedro Bigode








Se a memória não está de todo manchada, conheci aquele homem há pouco mais de 30 anos. Eu o via no interior da sua barbearia, no centro da cidade. A pintura nova dava ar de limpeza. Este dono apreciava o conforto oferecido. E lá estava a sua figura quase sempre de pé, com camisa de bom tecido, sapato engraxado. O cabelo bem escovado já trazia também a barba grisalha e muito aparada.  


Pedro Bigode não carecia de rodear muito a cadeira de ferro. Tinha perícia, tinha habilidade com os dedos,    no deslizar do pente. Quase nem se ouvia o barulho de sua tesoura desenhando todos os cortes. Agradava homens vaidosos e outros só práticos. Atendia também aqueles que traziam pouco tempo, sem disposição para muita prosa.


Talvez pela fama, talvez pela dinheirama que recebia ao final do expediente, ou  pela boa natureza  herdada, tinha sorriso largo, postura firme. O corpo se movimentava  resolvido e a mesma fama corria longe. A fala era espirituosa mas preferia ouvir, silencioso. Parecia confortar com a sua discrição bem calculada. Oferecia a compreensão de um bom ouvinte, estampava uma figura até mesmo carinhosa.


Dava gosto até de ficar por ali nos bancos de espuma, foleando os jornais pardos, de noticias passadas. Alguns iam todos os dias e, já não tendo o que retocar, espiavam outras cadeiras ocupadas. Pedro tinha mesmo um negócio de bom rendimento, tinha mais empregados, bem escolhidos.


Todo o tempo passou, como nem se pode mesmo evitar. E, se há o que reclamar, o melhor é recolher, guardar bem guardado. Habituar na disciplina de pensar o que nos convém; o que não nos pesa tanto. E assim aquele barbeiro estava agora à porta, envelhecido pelos seu 75 anos, de cabeleira branca, difícil de ajeitar. O interior daquela sala de maior espaço só tinha agora a sua cadeira. Tudo já parecia acanhado, desbotado pelos anos. Não havia ninguém ali.  


Quando o vi já quase no passeio tive curiosidade. Muitas vezes passei por aquela fachada, diversas vezes li o nome escrito na parede, acima da entrada. Pedro Bigode. E pelo momento trabalhoso que todos vamos atravessar, pelo vazio na tarde fria, resolvi entrar. E foi então que de maneira inesperada, pelo tom da fala, ouvi a sua voz agora ainda mais cautelosa. Dentro de toda aquela simplicidade, daquele local que parecia esquecido, experimentei mesmo, além do corte ainda caprichoso, a calma e a sabedoria de um homem como poucos que avistamos nas empreitadas. Quase não se percebia os seus movimentos, e toda a sua silhueta era naquele momento de total sutileza, jeitosa pela prática de 50 anos. Talvez por toda uma existência dedicada a um único ofício, tirou de mim estas palavras que descrevem alguma parte daquilo que vivi ali. O Pedro sábio.


Muitos dos que hoje já apreciam lojas de estilo, jovens que são, e não há qualquer reparo nisso, só perdem mesmo a possibilidade de aprenderem um bocado a mais. Ouvir aquela voz que, por si só, já reproduz de pronto o acolhimento. Mas hoje o bom nome não costuma mais correr em assuntos de varanda, vai se  esparramando eletronicamente. E como o mundo das pequenas telas nem sempre reproduz a imagem certa, o Pedro de Palma ficou mesmo foi esquecido. Pedro Bigode.


Acredito que o Pedro ainda possui certa clientela. Mais envelhecida também, é certo. Do contrário não estaria ali, olhando o movimento dos carros, daqueles que passavam.  Quase ia ficando em branco mais um acontecido, uma outra conversa que tivemos a mais. Concordamos no nosso gosto pelo cultivo das plantas de frutas. Ele disse que fazia inúmeras mudas para plantio e distribuía para aqueles que assim quisessem. E lá fui eu como acabamos combinando, na hora do seu almoço, buscar uma Goiaba de Quilo; já agora bem plantada. Daqui a alguns anos se eu puder saborear a fruta, me virá novamente na lembrança o Pedro Bigode. Na sua calma e gentileza ainda viverá muito, ofertando muitos cortes, prosas e goiabas de quilo.



sexta-feira, 27 de maio de 2022

Santo Agostinho

Se não queres sofrer não ame. 

                                                     Porém, se não amas, para que queres viver.