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Imagens: Sicalis flaveola (Canário-da-terra)/Cláudio Gontijo/Lassance-MG

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Não há vencedores e vencidos











Muitos são os que se dizem aliviados. O embate contundente que se observa nas tribunas, porém, seguramente não é o que se traduz nos bastidores. A ética que julgamos existir, não existe. No poder político não há vencedores e vencidos. Existem, sim, acordos. Acordos que permitem sorrisos e choros fictícios. Revoltas sem nexo. 


Todos os discursos inflamados e emocionados direcionam-se muito mais aos eleitores do que aos ocupantes de uma seção. As falas bem calculadas só se desesperam, verdadeiramente, com um futuro que não lhes garantam todos os luxos e mimos que se atrelam aos altos salários. A real preocupação só se mostra com a chegada do fim de um mandato, com o anonimato, com a escassez de votos, com o abandono, com o desligamento efetivo das salas requintadas.


Não existem adversários ferrenhos, não há mais ideologias que possam sobreviver ao egoísmo e ao poder monetário. A ideologia esta faccionada nos lares, onde se configuram, ainda, pensamentos de esquerda e direita.


Vestimentas caras e rostos tranquilos não podem simular, aos olhos atentos, a indignação. O ódio é descartável, o apresso é falso.


As pessoas comuns, assalariadas, são aquelas que irão vivenciar uma realidade distante das reuniões acaloradas, cheias de riso ou lágrimas. Serão aquelas que continuarão adquirindo seus bens em inúmeras parcelas; considerando cortes a serem feitos, cada vez mais, diante dos  benefícios básicos e essenciais. Estes, de fato, não receberão qualquer bem de valor, qualquer momento de serenidade e alívio, em uma militância inflamada. Ainda que militem com suas bandeiras surradas e mal feitas, ainda que gritem nas avenidas.










quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Guerra

Não há qualquer razão na guerra. A guerra divide, fragiliza e aniquila.

"A pessoa que não está em paz consigo mesma, será uma pessoa em guerra com o mundo inteiro". Mahatma Gandhi


Uma criança síria após um bombardeio. Imagem web

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Voz











A voz do povo é a voz de Deus. Inúmeras vezes esta frase chegou aos nossos ouvidos, inúmeras vezes nós a repetimos. Qual de nós ouviria a voz de Deus? Quanto maior for o consenso, mais verdadeiro ele será. Ainda assim é possível concluir que a maioria pode ser enganada. É possível ludibriar quando se lida com a falta de esclarecimento, com a carência de informações, com a miséria física.

Assim caminhamos para as eleições municipais. Mergulhados em dúvidas, desconfiados, apreensivos em relação à política partidária. A incerteza quer nos afastar do nosso compromisso maior, o voto. Temos esperança, sentimos repulsa, temos entusiasmo, sentimos dúvida. Mas é provável que outra decisão comum, coerente pelas necessidades de toda natureza, seja a de que nunca precisamos tanto da prosperidade social, cultural e econômica. Nunca necessitamos tanto de melhores escolas públicas, nunca necessitamos tanto de postos de saúde mais equipados, nunca necessitamos tanto de melhores vencimentos para os que tem menos. Precisamos muito de preços competitivos, de lazer sadio. Precisamos da infra estrutura que poderia chamar a indústria, pequena que fosse, para gerar empregos, renda. Que poderia diminuir as diferenças, direcionando mais benefícios. 

Não sabemos qual é a tonalidade da voz de Deus. Mas temos a certeza de que os candidatos aumentaram. Chegaram em número maior, trouxeram múltiplos projetos. Muitos são jovens, possuem idéias renovadas, muitos trazem a experiência que veio com o avanço da idade. O volume de acordos e promessas realizados nos comícios ou nas salas domésticas ainda é o mesmo de muitos anos já passados. Muitos sorrisos continuam carentes de sinceridade, muitos cumprimentos chegam com a necessidade de mais calor.

Talvez nunca chegaremos ao timbre da voz de Deus. Mas a incerteza não pode nos afastar do nosso compromisso maior. É necessário que busquemos uma junção de ideias. É necessário que tenhamos o desejo de ouvir e lidar com a verdade. Porque embora não possamos ouvir essa voz, podemos nos firmar no que sentimos dela. Assim, como sonhadores ou não, como cidadãos presentes ou até mesmo desertores que um dia fomos, com todas as perguntas sem respostas, com as tratativas sem nexo, não podemos adiar o toque que daremos nas máquinas eletrônicas. Se cometermos o erro de justificar a nossa escolha em outras salas eleitorais, estranhas, se efetuarmos a nossa escolha de maneira relapsa, sem qualquer responsabilidade, estaremos nos distanciando de nós mesmos. Estaremos fragmentando qualquer tipo de voz.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Cultivando










Que nós tenhamos a coragem necessária para estampar as nossas crenças,
que afagam e resgatam, em fé pura.
Que busquemos a leveza e a tolerância, sementes simples e únicas.
Que não nos envergonhemos das nossas pequenas posses;
antes, que sejamos mais felizes pelo que trazemos de boa vontade.
Que sejamos capazes de perdoar, de reconhecer a nossa impaciência, de valorizar qualquer afazer.
Que busquemos a fidelidade, ainda que a jornada seja confusa e observemos a ingratidão.
Seguiremos na direção da paz.
O amor será sempre o nosso sentimento mais claro,
como a luz que nos conforta a cada dia,
como as nossas mãos que exalam o calor da amizade,
vívidas pela emoção da graça.
Cultivaremos para sermos fecundos e pela esperança de um tempo justo,
por frutos que alimentem,
afastando a miséria,
a dúvida,
a indiferença,
a vaidade.
Que a colheita nunca deixe de ser repartida,
e que todos possam experimentar mais alegria,
libertos, pelo riso e pela oração.