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Imagens: Sicalis flaveola (Canário-da-terra)/Cláudio Gontijo/Lassance-MG

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Passo a Passo

Não há de se ter pressa, 

alterando o passo, 

desarmando o compasso, 

diluindo o abraço. 

Tudo ainda vai florir, 

muitos ainda vão sorrir. 





Não há de se ignorar o vento, 

ainda que não se tenha o alento. 

Se a simplicidade vai adiante, 

não há de se descuidar da fonte, 

a água ainda vai jorrar, 


sementes ainda vão brotar.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Animais Silvestres

Os animais vivem de forma bem adaptada aos locais de seu habitat. Vários fatores destes ecossistemas, bióticos (outros indivíduos vivos) e abióticos (clima, solo, luz solar, água), contribuem para que haja uma perfeita harmonia. Populações diferentes ocupam determinados territórios, outras podem até compartilhar uma mesma área, porém seus hábitos alimentares e reprodutivos não se chocam. Desta maneira uma determinada espécie, adequada ao seu meio e livre da interferência humana, vive de forma harmônica.




O Gambá-comum (Didelphis marsupialis) em seu hábito noturno. Imagem: Cláudio Gontijo/Lassance-MG




Quando espécies de animais silvestres são capturadas e retiradas da natureza, todo o aparato evolutivo formado ao longo de milhões de anos se perde. A relação entre um ser vivo e outro não ocorrerá. O alimento poderá não ser o apropriado. A reprodução, na maioria das vezes, será inexistente. 




O João-de-barro (Furnarius rufus). Imagem: Cláudio Gontijo/Lassance-MG




Embora determinados tipos de mamíferos, aves, répteis,peixes, sejam graciosos e possam despertar a nossa sensibilidade; tocar, afagar, acariciar, quase sempre não é possível. Se insistimos ao tentar comprar determinada espécie, de pessoas ligadas ao tráfico ilegal, se tentamos capturar, estamos submetendo estes seres vivos a um momento de tortura e privação dos seus hábitos naturais. Se avançamos empreendendo uma caça criminosa, cujo objetivo é matar, pelo simples capricho de poder tocar, observar de perto ou, ate mesmo, utilizar como alimento, estamos realizando uma ação ainda mais brutal.

Presos em cativeiros, eles são privados do maior fator para a propagação da espécie, da vida plena; a liberdade. Armazenados de forma inadequada, na maioria das vezes, manejados com pouco conhecimento, eles podem atingir a desnutrição, ficam mais expostos a doenças, atingem momentos de estresse e seu tempo de vida poderá ficar reduzido à metade, ou até muito menos do que isso.




O pequeno Socó (Butorides striatus) à espreita do seu alimento. Imagem: Cláudio Gontijo/Sete Lagoas-MG



Ações humanas voltadas para subtração de espécies silvestres do seu local de sobrevivência natural, também geram exemplos ruins. Alimentam os hábitos de novas gerações de jovens, criam uma cadeia criminosa e perversa. Afinal a beleza de todos estes seres vivos se incorpora ao meio onde vivem e nós somos incapazes de reproduzi-la. 

sábado, 9 de novembro de 2013

Lama no Sertão


Gotas pesadas,
que trazem os brotos,
da terra e da alma.
Súplicas dos terços.
São lágrimas de emoção
sobre a terra quente.






Vivificando as nascentes,
enchendo as cacimbas,
devolvendo a fartura.
Corroendo a amargura
varrendo a descrença,
pela pardaceira,
de todo o sertão.
São enxurradas
de lama e perdão.




segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Lavadeira-Mascarada

É possível observar a Lavadeira-mascarada (Fluvicola nengeta), também conhecida como viuvinha ou noivinha, nas margens barrentas dos rios e córregos, lagoas, brejos e outros locais muito úmidos e lamacentos. Nestas regiões estes pássaros procuram o seu alimento: larvas, insetos, aranhas, pequenos moluscos.



A Lavadeira-mascarada caminhando às margens da Lagoa Paulino, centro de Sete Lagoas-MG - Imagem: Cláudio Gontijo




Não há diferenças significativas entre o macho e a fêmea; o macho possui uma coloração um pouco mais escura na sua região dorsal. Ambos apresentam a coloração branca e preta ao longo das penas. O casal busca estas margens de cursos d'água para fazerem seu ninho. Eles juntam fibras e gravetos apanhados nestas áreas e constroem o ninho nas árvores localizadas, sempre, próximas às matas ciliares. A fêmea pode depositar entre dois e três ovos que irão eclodir em pouco mais de 10 dias. Os filhotes poderão voar em mais três semanas.




A Lavadeira parece se contorcer, também à margem da Lagoa Paulino, Sete Lagoas-MG. Imagem: Cláudio Gontijo





Esta espécie habita as regiões Nordeste, Sudeste e norte da região Sul do Brasil. São pássaros sociáveis que se adaptam até mesmo às margens de represas urbanas e a parques de regiões centrais de cidades maiores. Eles deixam que as pessoas aproximem-se deles, a distâncias bem curtas. 


terça-feira, 29 de outubro de 2013

Gafanhoto Gigante - Um Artrópode

Os artrópodes formam um grupo de animais invertebrados que possuem patas articuladas (grego: artro = articulado, podos = patas). Podem ser divididos através das seguintes classes: Crustáceos (camarão), Aracnídeos (escorpião, aranha), Insetos (abelha, formiga), Quilópodes (lacraia) e Diplópodes (piolho-de-cobra; gongolo, mongolô, embuá).




Nas patas do artrópode as regiões articuladas. Imagem: Cláudio Gontijo/Lassance-MG





A classe dos insetos é a mais numerosa. Estes invertebrados (animais sem estrutura óssea interna e coluna vertebral) possuem muitos representantes que apresentam asas e podem, portanto, voar. A grande facilidade de reprodução aliada ao deslocamento rápido pelo voo ocasionou uma enorme capacidade de adaptação ao meio; só as grandes profundidades dos oceanos não apresentam insetos.

Um dos representantes deste vasto grupo é o curioso Gafanhoto Gigante. Eles, como seus outros parentes próximos, os gafanhotos comuns, possuem um par de patas articuladas traseiras mais desenvolvidas. A flexão rápida destas patas permitem uma locomoção ágil, contrariando o seu voo mais lento, devido à fragilidade das asas frente ao peso corporal.




O Gafanhoto Gigante com seu par de antenas.  Imagem: Cláudio Gontijo/Lassance-MG




Esta espécie (Tropidacris collaris) alimenta-se de diversos tipos de folhas e pedúnculos vegetais. Possuem um sistema digestivo evoluído e eliminam fezes através de uma abertura na porção final do seu abdome. Bandos destes exemplares podem ser vistos nos cerrados do norte de Minas, prejudicando plantações agrícolas, árvores frutíferas e até mesmo a folhagem de muitas árvores nativas. 

Eles possuem um par de antenas e respiram através de tubos conectados à sua estrutura muscular, as traqueias. Algumas partes externas do seu corpo são revestidas de um exoesqueleto feito de quitina (um polissacarídeo que se assemelha à celulose, ao açúcar). Esta carapaça resistente protege partes mais funcionais e sensíveis do organismo interno, presentes principalmente no tórax.



Visível: o exoesqueleto (carapaça) abaixo da região cefálica. Imagem: Cláudio Gontijo/Lassance-MG



Na reprodução os sexos são separados. O macho injeta espermatozoides no interior do aparelho reprodutor da fêmea. Esta deposita os ovos que darão origem à ninfa, uma forma quase semelhante ao inseto adulto. Uma fêmea que participa da ato reprodutivo é capaz de depositar dezenas e dezenas de ovos, daí a facilidade de multiplicação da espécie.



Gafanhotos em cópula para a reprodução. Imagem: Cláudio Gontijo/Lassance-MG




A circulação sanguínea deste inseto não ocorre em vasos sanguíneos e sim em lacunas no interior do corpo. Como as traqueias, que conduzem o oxigênio, espalham-se por vários pontos da estrutura muscular, o sangue, sem coloração, transporta basicamente nutrientes por todo o organismo.

Este estranho inseto é inofensivo. Fora a sua habilidade para saltar e os seus voos curtos, não apresentam nenhuma substância tóxica ou peçonha que possa ser inoculada.

















quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Maritaca Verde

Os buracos em troncos de árvores, em barrancos, as copas dos coqueiros de grande porte, os rochedos nas encostas das serras são aproveitados por esta espécie para a construção dos seus ninhos. A Maritaca-verde reproduz nos meses de setembro a fevereiro. A fêmea cuida da incubação dos ovos. O macho alimentará os filhotes e a sua companheira durante este período. Em cada ninho são depositados entre dois e cinco ovos. Os filhotes permanecerão por cerca de quatro semanas na companhia do casal até poderem voar.




A Maritaca-verde alimentando-se em uma goiabeira. Imagem: Cláudio Gontijo/norte de Minas





A  Maritaca-verde (Pionus maximiliani) vive em bandos de 10 a 40 exemplares, quando a alimentação é farta o número pode aumentar. Sementes, frutos, cereais, são o seu alimento predileto. Seu habitat são as matas densas, matas ciliares, vegetação do início das formações montanhosas, o cerrado e a caatinga. Vive nas regiões centrais do Brasil, no Nordeste, Sul e Centro-norte de Minas, Bolívia, Paraguai. 

Muitas destas populações já foram dizimadas pelo tráfico ilegal de filhotes nas margens das rodovias e envenenados pelos agrotóxicos presentes nos arrozais. 

terça-feira, 15 de outubro de 2013

A Garça-Branca-Grande

Nas margens mais rasas de lagoas, rios, banhados, a Garça-branca-grande, Ardea alba, procura o seu alimento. Elas permanecem imóveis apoiadas em suas longas pernas, esperando o momento de lançarem de forma certeira o seu bico fino, mergulhando-o subitamente na água para capturar pequenos peixes. Buscando sempre os ambientes aquáticos esta espécie também recolhe moluscos, insetos, anfíbios e répteis. Em períodos de maior estiagem, as lagoas e banhados no norte de Minas ficam escassos. A Garça, então, executa pequenas rotas migratórias até chegar aos cursos d'água disponíveis. 



A Garça-branca aguarda imóvel o seu alimento à margem do Rio das Velhas. Imagem: Cláudio Gontijo



No período da reprodução fazem seus ninhos em arbustos nos brejos, nas árvores mais altas próximas do ambiente aquático e ilhas com vegetação densa. Uma pena de maior comprimento torna-se mais visível, nesta época; a chamada "egreta". A fêmea, após o acasalamento, depositará em média cinco ovos de cor esverdeada.



A Garça-branca-grande. A pena egreta é visível na região dorsal. Imagem: Cláudio Gontijo





Esta espécie possui hábitos diurnos e, normalmente, locomove-se de forma solitária. Mas no período reprodutivo junta-se a bandos de aves aquáticas, muitas de espécies diferentes. Ao entardecer deixa as margens dos rios e lagoas, e voa para repousar em árvores de maior porte.




A Garça e o seu ambiente preferido. Imagem: Cláudio Gontijo





A região de ocorrência da espécie é, normalmente, de clima tropical e subtropical, na América do Norte, em quase todas as regiões do Brasil, Europa e outros continentes, à exceção dos polos.

















quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Chuva

Veio a chuva e encharcou a terra,

 retocou o tempo.

Nem se pode dar graças,


quando tudo, em gotas finais,

espantou a aridez do pensamento,

dos torrões ainda mornos,

dos pardos arbustos,

recompondo o dia ainda claro.








Agora as imagens já eram límpidas,

em alegria de cores nítidas.

Então veio grossa a enxurrada,

varrendo as grotas e a melancolia.

Parecia uma vida desenhada, a ser terminada.

Inúmeras cores teciam horizontes, 

de toda a calma do sertão.

A água alimentou raízes, 

orações e ribeirões.

Flores e amores.

Devolvendo a fartura,

de todas as veredas,


em lágrimas de alegria.




Texto e imagem: Cláudio J Gontijo/Norte de Minas

sábado, 5 de outubro de 2013

As Cigarras

É na primavera que o canto da cigarra chega a incomodar os ouvidos menos tolerantes. Mas há quem aprecie o som emitido simultaneamente por milhares e milhares destes exemplares. Uma sinfonia estridente e de longo alcance. Os machos produzem os sons a partir de membranas que possuem no próprio abdome. Existem duas razões básicas para este canto. Um delas é uma forma que estes machos possuem para atrair a fêmea no processo de acasalamento. Outra é, acreditem, uma maneira de confundir pássaros predadores (impedindo a sua comunicação) em meio ao barulho desnorteante. 


Reprodução

Após o acasalamento a fêmea deposita inúmeros ovos em folhas e troncos de árvores. Ela pode expelir em média 500 a 600 ovos. Os ovos eclodem e sofrem uma metamorfose transformando-se em ninfas. Estes insetos, ainda muito jovens, caem ao solo e o penetram. No seu interior, através de um minúsculo aparelho bucal sugador, alimentam-se da seiva vegetal contida nas raízes das plantas. Existem mais de 1000 espécies destes seres vivos, que permanecerão entre um e... dezessete anos no interior da terra. Quando o tempo de evolução é concluído eles deixam simultaneamente o solo e passam por um processo chamado ecdise, deixando o seu exoesqueleto (carapaça externa) e atingindo a fase adulta, a maturidade sexual. 


Ovos de cigarra presos à vegetação. Imagem: Dreamstime.com

A carapaça  é um esqueleto externo denominado exúvia. Imagem: infoescola






O Inseto adulto viverá, dependendo da espécie, um período variável de uma a três semanas. Realizado o acasalamento, macho e fêmea morrem. Os ovos darão origem às ninfas que penetrarão novamente o solo, reiniciando o ciclo.





A forma adulta. Seus apêndices (patas) possuem "ganchos" que se prendem nos troncos. Imagem web






O canto da cigarra, que pode atingir vários decibéis de volume sonoro,  não incomoda o seu emissor. No corpo do inseto existe um par de membranas (parecidas com tímpanos) que se fecham durante o som estridente. 

A espécie denominada Carineta fasciculata é muito comum no Brasil. Seu ciclo evolutivo no interior do solo dura entre um e dois anos. Estas cigarras podem agir como pragas atacando plantações agrícolas, sugando a seiva destas plantas e reduzindo a produção. Sem os predadores naturais da cigarra (várias espécies de pássaros) o controle das populações fica difícil e pode ser necessário a aplicação de inseticidas.






terça-feira, 1 de outubro de 2013

Pássaros-Pretos

Um a um eles vão chegando. Na dianteira um deles já pousou, desconfiado, para verificar qualquer perigo que ameasse o grupo. Com pouco tempo o chão está cheio deles, caminhando depressa, batendo as asas, como se quisessem disputar os grânulos de arroz triturado. Possuem as penas, o bico, pernas, todos negros. São os inteligentes Pássaros-pretos (Gnorimopsar chopi). 




Os Pássaros-pretos pousados no chão alimentando-se  dos grãos de arroz. Imagem: Cláudio J Gontijo/Lassance-MG




Estes pássaros são sociáveis. Observei que, depois de algum tempo na propriedade à margem do rio, eles pareciam reconhecer a minha voz. Aproximavam-se com seu belo canto e, dependendo da época do ano, sempre vinham  para se alimentarem dos grãos que eu espalhava próximos à porteira.

A espécie atinge a maturidade com 18 meses de vida. Durante três vezes ao ano partem para o processo de reprodução. Constroem seus ninhos em buracos no barranco, em locais ocos nos troncos de árvores mais altas, nas palmeiras e, ocasionalmente, podem utilizar a casa do João-de-barro. São depositados de dois a quatro ovos. Em duas semanas os ovos rompem a casca e, após mais 20 dias, os filhotes deixam o ninho podendo voar.





Um pequeno grupo à margem do Rio das Velhas. Imagem: Cláudio J Gontijo/Lassance-MG





A alimentação deste pássaros é variada, onívora. Insetos, larvas, frutas, sementes. Os buritizais são regiões de grande trânsito da espécie. Alem de utilizar as copas destes vegetais para reprodução, eles apreciam o seu coco como alimento. Os campos, cerrados, matas ciliares de menos densidade são os outros locais de seu habitat.


Estas aves podem ser criadas em cativeiro, mas somente com o registro e autorização do IBAMA para a procriação em locais onde ocorre manejo adequado. A comercialização de espécies silvestres constitui crime ambiental. Quando criados em cativeiro podem reconhecer facilmente o ocupantes da casa. Ainda é comum encontrá-los sendo criados como animais de estimação. Geralmente, assim como os papagaios, são retirados ainda filhotes dos seus ninhos, na natureza. São visados também devido ao seu canto melodioso. É importante salientar que a criação de animais silvestres, capturados no ambiente selvagem, não é um bem que se faz a estes seres vivos. Longe do seu habitat, recebendo alimentação inadequada, eles passam por períodos de estresse e, com isso, seu tempo de vida pode ser reduzido à metade.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Véu Negro




Quando o véu negro cai sobre o nosso olhar,
e nem sabemos,
se vamos experimentar a chuva,
ou ter a grama sob nossos pés,
ou se poderemos continuar,
iremos rir de nós mesmos,
da jornada confusa,
difusa,
quando parecemos pequeninos,
meninos,
no meio do caminho.









E então,
saberemos da sede,
que nem notamos,
e que carregamos,
quando vivemos,
abraçamos,
tocamos.

Respiramos.
Ávidos,
na busca que construímos,
sem bússola

sem fim,
pela  vasta,
bela,

existência,
assim.







Texto e imagens: Cláudio J Gontijo

sábado, 21 de setembro de 2013

Alma-de-Gato

O nome estranho pode ser uma alusão ao seu canto, semelhante ao gemido de um gato, ou ao fato de se locomover entre árvores de folhagem densa sem ser notado. A tarefa não deve ser das mais fáceis devido à sua cauda longa, difícil de não ser notada quando avistamos este pássaro na mata. 




A longa cauda da Alma-de-gato. Imagem: Cláudio J Gontijo/Lassance-MG





De plumagem com uma cor amarronzada, ferrugem, o que a Alma-de-gato (Piaya Cayana) procura são os insetos, seu alimento predileto. Mas eventualmente esta ave invade ninhos para devorar ovos e alimenta-se de pequenos anfíbios, frutas.





Não é comum observar esta espécie pousada no chão. Imagem: Cláudio J Gontijo/Lassance-MG





A fêmea e o macho irão se revesar no cuidado com os filhotes. Em média, seis ovos serão depositados no ninho. Em duas semanas os filhotes saem dos ovos e ficarão mais 20 dias sob os cuidados do casal, até poderem voar.

O habitat desta espécie são as matas ciliares e capoeiras, principalmente. Ocorrem em quase toda a America Latina; nas regiões sul e sudeste do Brasil, com mais frequência. A destruição da Mata Atlântica afetou as suas populações.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

O Velhas e a sua Velha História

Eu conheci o norte de Minas há 34 anos atrás. Vim com um tio e tive, então, o primeiro contato com o Rio das Velhas. Não desejo narrar em detalhes tudo o que presenciei naquele tempo, nos anos que se seguiram, na década de 80. Posso dizer que eram tempos de fartura às margens do rio. A luz do lampião, os pássaros noturnos, as águas barrentas das cheias, o silêncio entrecortado pelas conversas saborosas, os moradores (poucos e sinceros) me impressionaram. Voltei muitas outras vezes, muitos daqueles se foram; encantei-me pelo sertão e pela minha esposa. Eu fiquei.




Numa manhã fria, o Velhas parece dormir em paz. Imagem: Cláudio J Gontijo/Lassance-MG


O inverno, o rio e a Serra do Cabral. Imagem: Cláudio J Gontijo/Lassance-MG





Com o tempo o Velhas entrou em lenta agonia. Muitos dos barranqueiros e moradores do "Lavado" partiram, juntamente com meu pai. As águas do rio vieram trazendo mais sujeira. A luz elétrica chegou às margens, a população aumentou, os turistas aumentaram, o esgoto doméstico e industrial já não pôde mais ser diluído. As chuvas escassearam, os córregos passaram a alimentar mal o rio. 


O rio assoreado ainda insiste em estampar a sua beleza. Imagem: Cláudio J Gontijo/Lassance-MG



Ao longo das décadas seguintes muitos peixes morreram. O Pirá, O Surubim, o Mandi Amarelo, a Corvina, o Dourado, foram descendo o rio, sem oxigênio, numa dança desesperada, para morrer nas margens presos às coivaras, na imundície e podridão funesta.

Nitrogênio, Fósforo, Enxofre, dos esgotos, dos fertilizantes agrícolas, provocam, hoje, uma crescente eutrofização. A palavra esquisita indica que há na água grande quantidade de matéria orgânica. O ambiente se altera drasticamente. Com o excesso de nutrientes as algas proliferam em grande velocidade. A água verde, impede que a luz solar chegue aos outros organismos fotossintetizantes, sem a fotossíntese não há reposição do oxigênio consumido pelas bactérias, que também se multiplicam de forma alucinada. Com a alteração do ecossistema, muitas espécies somem da cadeia alimentar e todos os outros seres vivos dependentes desta teia ficam com suas populações reduzidas até desaparecerem também.

As maiores cidades poluidoras do Velhas, localizadas na Grande BH, construíram duas ETEs (Estações de Tratamento de Esgoto) de relativa eficiência; a Estação do Onça e Estação de Sabará, capazes de tratar a maior parte dos detritos do Ribeirão Arrudas e Onça, os campeões da poluição. Mas as inúmeras cidades localizadas na calha do rio ainda estão com os projetos de edificação destas estações em atraso.




O verde das algas denuncia a eutrofização. Imagem: Cláudio J Gontijo/Lassance-MG




Fugi de um texto de caráter científico, puramente. Porque embora a realidade só possa ser esmiuçada através de descrições químicas e biológicas, eu gostaria de deixar a esperança. De que o rio possa sobreviver. De que as Estações de Tratamento de Esgoto proliferem, assim como as algas vieram, nas cidades ribeirinhas. De que as escolas ensinem cada vez mais, promovendo a educação ambiental. De que, no futuro, o Velhas seja profundamente respeitado. De que a vida volte a pulsar em seu leito.

As águas não estão muito favoráveis ao peixe, mas a Garça-branca, intuitivamente, passeia na pequena praia. Imagem: Cláudio J Gontijo/Lassance-MG



sábado, 14 de setembro de 2013

João-de-Barro

Quando se nota um pássaro de penas pardas batendo freneticamente as suas asas e emitindo um canto estridente, caminhando pelo chão, logo é possível reconhecer a figura simpática do João-de-barro (Furnarius rufus). Ele caminha à procura de larvas, insetos e sementes, seus alimentos prediletos. Não se acanha em aproximar-se das pessoas.





O João-de-barro na sua caminhada habitual. Imagem: Cláudio J Gontijo/Lassance-MG



Um casal de João-de-barro trabalha a terra molhada, misturando-a a pequenos ramos secos, palha, que vão dar consistência ao seu ninho. Esta massa pode ser modelada pelo bico e manuseada também com os pés. A casinha é construída nos mais diversos lugares, geralmente é comum nos galhos das árvores. Macho e fêmea vão se revesar na construção deste ninho, onde serão depositados quatro ovos, em média, a cada três vezes no ano. Em duas semanas os ovos eclodem e os filhotes serão capazes de voar em 20 a 30 dias.


Revesamento do casal em torno do ninho. Imagem: Cláudio J Gontijo/Lassance-MG

O casal de João-de-barro. Imagem: Cláudio J Gontijo/Lassance-MG





Este pássaro não possui o hábito de reutilizar seu ninho. A cado período reprodutivo uma nova empreitada é executada. As moradas antigas vão sendo usadas por outras espécies de pássaros e até mesmo lagartos ou pequenas cobras. Outro detalhe interessante sobre a casinha é que ela possui dois "cômodos" distintos; a entrada e um outro mais ao fundo onde são depositados os ovos. A entrada é construída de forma estratégica, contrária à posição das rajadas de vento mais comuns na região.


O João-de-barro habita as regiões sul, sudeste e centro-oeste, e outros países como a Argentina, Bolívia, Paraguai. Prefere os campos de árvores esparsas e o cerrado.






terça-feira, 10 de setembro de 2013

O Caminho

Estou voltando prá casa.

Talvez tenha andado pouco,

mas os rastros não são ilusórios.

Volto como quem retorna;

sem máscaras,

sem luvas,

sem métodos.


Lavadeira-Mascarada





Não calculei a jornada,

e se sinto dores, rancores,

não vou deixar o caminho.

Ao mover-me faço escolhas,

abdico sem diminuir o ritmo.


Maritaca



Preciso avisar que,

as tarefas que experimentei,

não tornaram rudes os meus passos.

Pouco me importa,

se já cheguei a perder a razão,

pois sei que modifiquei muitas trilhas.




Bem-te-vi




Estou de volta,

e sou o que sou.

Estou rumando prá onde posso ficar,

onde continuo a me libertar.

Estou a um passo de lá.











Texto e imagens: Cláudio J Gontijo
.



sábado, 7 de setembro de 2013

Histórias do Sertão 1: Tonho

Eu o conheci há muitos anos atrás. Na ocasião acalentava o sonho de possuir morada, simples que fosse, às margens do rio. Grande parte daquelas terras eram isoladas, sem energia elétrica ou estradas que facilitassem o acesso; mas os proprietários não eram simpáticos quando o assunto beirava a compra de qualquer parte delas. Dificultava o fato de eu não dispor da quantia suficiente para os negócios.

Acabei adquirindo um minúsculo lote de terras. O dinheiro só foi suficiente para um terreno acidentado, ainda assim fiquei satisfeito. Mesmo ciente da impossibilidade de qualquer construção que fosse naquele barranco, muito próximo do Rio. Foi quando tive a primeira prosa com o Tonho; um mulato de cabelo brancos, olhar firme, curioso, sorriso tímido, mas sincero.





Do outro lado do Rio a serra e a árvore. Imagem: Cláudio J Gontijo/Lassance-MG





Aquele pequeno naco de terras estava encravado na sua propriedade, embora já não fosse mais dele. E aí, quando o assunto pendeu para a edificação, ele se prontificou e me cedeu, de seu terreno, espaço suficiente para que atingíssemos um platô, pronto para um bom alicerce. Ali iniciava uma amizade das boas. E muitas combinações, trocas, barganhas. De maneira que ao longo de alguns anos a chácara se alargou e nossa amizade também. Uma das alegrias era quando me chamava da cerca para tratar de qualquer outro conchavo. Era seu costume passar pelo fios de arame e espalhar a sua boa presença. Nunca executamos qualquer acordo que pendesse, na balança, para um ou outro; sempre deixamos tudo com vantagens para todos os lados.





A casa construída em um platô, um dia cedido pelo Tonho. Imagem: Cláudio J Gontijo/Lassance-MG






Um dia ocorreu o que não estava combinado. Um momento ruim, onde o cansaço produziu a discórdia e fui impaciente.  Naquele tempo eu percorria mais de 200 quilômetros da cidade grande até a margem do rio. Não pude compreendê-lo, não me veio a tolerância ao seus hábitos, métodos e simplicidade. Ele seguiu para sua casinha alguns metros margem a cima e não retornou. Embora eu tenha tido inspiração para a retratação ligeira, a distância se formou e, no sertão, certas diferenças não se aparam com facilidade.

O anos foram se passando e o Tonho ficou mais fragilizado. A idade e o tempo que ele transpôs como trabalhador braçal, as agruras, o seu coração, o deixaram com a disposição diminuída. O sorriso ficou mais escasso e eu já não o via próximo ao rio. Passou a perambular por mais tempo na pequena cidade, onde tem casa e filhos. Seus planejamentos também foram se alterando. Vendeu uma parte da terra, reformou a casa da cidade. Colocou porta larga, de ferro, pintou com boa tinta, mandou que colocassem bons pisos, azulejos, comprou uma poltrona nova.

Com mais uma gleba de terra vendida (não sobrou muito) ele adquiriu um automóvel novo, artigo de luxo. Seu porto para o rio diminuiu, e ele quase já não visita o que sobrou da propriedade. Não tive outra oportunidade de falar sobre cercas, árvores, peixes, hortas, abelhas, cobras, ou de poder demonstrar o meu respeito e admiração, crescidos, fortificados. Só pude ouvir, recentemente, que o seu desejo é vender tudo o que restou da margem do rio. Felizmente ainda posso cumprimentá-lo nas ruas da pequena cidade. Sua expressão não é a mesma, mas a alegria e a fé continuam intactos.

Há alguns dias avistei uma árvore bem no topo da serra, talvez um Angico Branco ou uma Sucupira. Sua imagem é imponente vista da margem oposta do rio, mesmo à grande distância. Lembrei-me de que um dia ele a apontou em nossas conversas. Lembrei-me de que, ali, já falamos de muitas coisas. De quase tudo.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

O Tatu e a Caça

Durante a minha infância e ao longo dos anos já ouvi muitas conversas, combinações, realizadas entre caçadores, no preparo para as excursões noturnas objetivando a captura de tatus. Gaiolas construídas por grossos arames e enxadões eram os utensílios básicos para a empreitada, sem esquecer os pequenos e espertos cães "especializados", para a caça. Os cães cuidavam de localizar a presa que penetrava rapidamente em buracos. As gaiolas, então, eram colocadas na entrada da toca para interceptar a saída dos bichinhos, que eram induzidos pelos golpes do enxadão na terra e latidos, a deixarem o local de sua proteção.




Animais silvestres apreendidos. Ao centro uma gaiola utilizada na caça aos tatus. Imagem web/Polícia Militar-MG




Há poucos anos atrás, ouvi outro relato. Caçadores mais espertos utilizavam-se de um recurso mais eficiente. Munidos de uma pequena lata (destas que armazenam leite em pó) contendo em seu interior uma isca, iguaria apreciada pelo tatu, espalhavam estes apetrechos por vários pontos do cerrado, dos campos de cultivo e margens de matas. Locais habitados pelo mamífero. Seu focinho ficava preso à armadilha e ao amanhecer do dia eram encontrados já quase mortos, prontos para serem preparados e devorados em uma receita qualquer recheada de temperos.




Um filhote de Tatu peba. Imagem: Cláudio J Gontijo/Norte de Minas




Destas formas variadas estas espécies foram sendo dizimadas, aliadas à destruição do cerrado, seu principal habitat. O fato é que atualmente eles sumiram de muitas regiões. Suas tocas características de aproximadamente dois metros de profundidade já não são vistas com tanta frequência.


O Tatu peba

Todas as espécies são originárias das Américas. A espécie mais comum encontrada no sertão do norte de Minas é o Tatu peba (Euphractus sexcintus). Ele possui uma alimentação herbívora e carnívora, ao mesmo tempo. Dizemos então que é um ser onívoro, devorando insetos, raízes, grãos, restos de animais mortos. Diz a lenda que faz excursões aos cemitérios para se alimentar de cadáveres. Apresenta hábitos noturnos e sempre locomove-se solitário. Em reprodução o período de gestação da fêmea dura cerca de dois meses. Os filhotes recebem os cuidados da mãe por poucos dias e vão atingir a maturidade aos nove meses. Eles podem sobreviver por quase duas décadas fora do cativeiro. É necessário salientar o importante papel dos tatus no ecossistema em relação ao controle das populações de insetos e também como dispersores de sementes.



Proibições

A caça aos Tatus é proibida pelo IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e fiscalizada diretamente pelo Polícia Ambiental. A apreensão de exemplares junto a caçadores é passível de penas de reclusão que variam de seis meses a um ano de detenção e multas que podem chegar a  R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) por unidade apreendida. As denuncias podem ser feitas no telefone 0800618080 (linha verde/IBAMA).

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Bem-te-vi


Logo pela manhã um dos primeiros cantos ouvidos é o do Bem-te-vi. Eles se adaptam bem ao ambiente urbano, talvez devido à sua alimentação variada. Podem ingerir com facilidade um cardápio diversificado: frutas (mamão, laranja, banana), muitos tipos de insetos, larvas (minhocas), pequenos vertebrados (lagartos,cobras) e até mesmo ovos de outros pássaros. Vivem também nos mais diferentes lugares: margem de cursos d'água, na vegetação dos campos, em áreas de cultivo e matas.





O Bem-te-vi (Pitangus sulphuratus) em pose especial. Imagem: Cláudio J Gontijo/Sete Lagoas-MG





Embora possam atacar ninhos de outros pássaros, eles são valentes e não são tolerantes com outras espécies nos locais onde estabelecem seus hábitos alimentares e de reprodução. É possível observar suas investidas contra gaviões e outras aves de rapina (predadoras).





O Bem-te-vi pousa nos mais diversos lugares. Imagem: Cláudio J Gontijo/Lassance-MG





É no verão que realiza seu processo de reprodução. Coleta capim e o entrelaça a galhos de pequeno porte, em partes mais protegidas e altas das árvores. Podem utilizar eventualmente locais ocos em rochas e troncos. A fêmea realiza a postura de três a quatro ovos, em média, que eclodem em duas semanas. Macho e fêmea se revesam no cuidado com o ninho. Nestas áreas não costumam ser muito hospitaleiros.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Boa Noite, Bom Dia.

Hoje pude perceber que as transformações nos deixam distantes de valores que um dia julgamos cristalizados.Com o lento final da juventude, vamos assistindo a partida de pessoas, vamos partindo de muitos lugares. E é doloroso. Assim como uma árvore vai se mostrando pouco resistente às intempéries, órgãos e membros vão se revelando mais e mais frágeis.


Será o momento de nos prepararmos para a ausência de conversas, abraços, afagos, resmungos, palavrões, pulsações. Assim riachos vão secar, pássaros não serão mais ouvidos, o silêncio encontrado em determinados lugares deixará de existir. E nada será exatamente como já registramos em nossa memória um dia.








Então novas presenças virão para ocupar este vácuo. Porque o vazio não é compatível com a criação. E este dinamismo não é cruel como um castigo. Não há tantos pecados a serem reparados. Há, sim, uma misericórdia infinita e desejosa de plenitude. 


O passar dos anos vai nos tirando o que nos afeiçoou, mas vai nos devolvendo uma maturidade luminosa. Vamos aprendendo a conviver com a memória viva; de gratidão, de perdão, de reconhecimento, de louvor, de fé.


Tudo é reciclado, reaproveitado, para novas existências. E não há fim. Como a própria natureza que se renova.





Imagem: Cláudio J Gontijo




domingo, 25 de agosto de 2013

O Voo das Aves

A evolução animal determinou um certo grau de parentesco entre répteis e aves. As duras escamas e placas ósseas de um dinossauro podem ter se transformado, ao longo de milhões de anos, em leves e resistentes penas como cobertura para a pele. Um passo à frente, que deu às aves a capacidade de se locomoverem por longas distâncias, vencendo as más condições de vida de uma determinada região ao migrarem para outra mais favorável. Aqueles pesados animais pré-históricos foram eliminados em regiões inóspitas, as aves buscaram sobreviver em locais mais adequados. 

A Lavadeira-mascarada parece se contorcer, "arranjando" suas penas. Imagem: Cláudio J Gontijo/Sete Lagoas-MG

Como as aves voam ?
Alçar voo, planar levemente no ar, em uma dança efetuada a grandes alturas, é, segurante, um sonho de muitos. Alguns fatores tornaram estes animais privilegiados.
1- Ossos pneumáticos e sacos aéreos.
Os ossos das aves possuem numerosas cavidades internas que os tornam mais leves. Essas cavidades comunicam-se em um complexo sistema respiratório, cujo ar pode ficar armazenado em "embalagens", denominadas sacos aéreos. Com este mecanismo o corpo de um pássaro torna-se menos denso, quase próximo de  flutuar durante o voo.

As cavidades dos ossos pneumáticos das aves. Imagem web


Os sacos aéreos recebem ar do sistema respiratório. Imagem web


2- Penas
Estas estruturas leves, compostas de inúmeros "fios" bem entrelaçados, presos a minúsculas armaduras córneas (parecidas com as placas protéicas formadoras dos chifres), irão compor as asas. Longas asas e batidas lentas para distâncias maiores, asas curtas e batidas muito rápidas para vôos menores e velozes.

3- Músculos peitorais
A estrutura muscular peitoral da maioria das aves é vigorosa e muito desenvolvida, podendo efetuar inúmeras contrações para um batimento contínuo das asas. Vejamos o impressionante exemplo do beija flor: este pequeno pássaro é capaz de bater as suas asas por cerca de 90 vezes em um segundo, para isso seu coração precisa "disparar" e  os batimentos cardíacos chegam a mais de 1200 vezes por minuto.

4- Metabolismo e fisiologia diferenciados.
Não há bexiga que acumule a urina nas aves. Pode se observar que as fezes saem sempre umedecidas, misturas ao líquido que compõe a urina. O processo digestório é rápido e o alimento não permanece por muito tempo no organismo, assim o corpo fica ainda mais leve para o voo.

O pequeno Beija-flor-tesoura pronto para  um vôo veloz. Imagem: Cláudio J Gontijo/Lassance-MG